06-08-2015

Link permanente 20:36:28, por José Alberte Email , 838 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: Karl Marx tinha razão (II)

Karl Marx tinha razão (II)
Por Chris Hedges (1)/ Tradução: Jorge Vasconcelos
“Information Clearing House” (1-06-2015), publicado em “TruthDig”
http://www.odiario.info/

A fase final do capitalismo, escreveu Marx, seria marcada por desenvolvimentos que, para a maior parte de nós, são hoje familiares. Incapaz de se expandir e gerar lucros ao nível do passado, o sistema capitalista começaria a consumir as estruturas que o têm sustentado.

Um editorial do “The New York Time” do 22 de maio permite-nos verificar o que Marx disse que iria caracterizar as últimas fases do capitalismo:
“Durante esta semana, a Citicorp, o JPMorgan Chase, o Barclays e o Royal Bank of Scotland foram declarados culpados pelas acusações de crime de conspiração para falsificação do valor das cotações mundiais. De acordo com o Departamento de Justiça, a prolongada e lucrativa conspiração permitiu aos bancos aumentar os lucros sem contemplação pela decência, pela lei e pelo bem público”.
Continua o “The Times”:Os bancos vão pagar multas no total de 9 mil milhões de dólares, estabelecidas pelo Departamento de Justiça, assim como por reguladores estatais, federais e estrangeiros. Parece um bom negócio para um golpe que durou pelo menos cinco anos, desde o fim de 2007 até ao início de 2013 e durante o qual os benefícios provenientes do câmbio estrangeiro foi cerca de 85 mil milhões.
As fases finais daquilo a que chamamos capitalismo, conforme Marx percebeu, não têm nada a ver com capitalismo. As super-empresas devoram as despesas estatais, que são essencialmente o dinheiro dos contribuintes, como porcos numa pocilga. A indústria de armamento, com a sua conta oficialmente autorizada para a defesa no valor de 612 mil milhões de dólares (que não inclui muitas outras despesas militares escondidas noutros orçamentos, o que faria a nossa despesa real com a defesa nacional subir acima de 1 bilião de dólares por ano), conseguiu levar este ano o governo ao compromisso de gastar na próxima década 348 mil milhões na modernização das nossas armas nucleares e na construção de 12 novos submarinos nucleares classe Ohio, estimados cada um em 8 mil milhões de dólares. Como exactamente é que estes dois enormes programas de armamento são supostos ser utilizados naquilo que nos dizem ser a maior ameaça do nosso tempo (a guerra ao terrorismo) é um mistério. Ao fim e ao cabo, tanto quanto sei, o ISIS não tem sequer um barco a remos. Gastamos 100 mil milhões em informações (leia-se espionagem) e 70% desse dinheiro vai para empreiteiros privados, como Booz Allen Hamilton, [que] obtém 99% dos seus rendimentos do governo americano. E, ainda por cima, somos o maior exportador mundial de armas.
A indústria de combustíveis fósseis, segundo o Fundo Monétario Internacional (FMI), engole 5,3 biliões de dólares por ano em todo o mundo em custos camuflados para se continuarem a queimar combustíveis fósseis. Nota o FMI que este dinheiro está para além dos 492 mil milhões de subsídios directos oferecidos por governos em todo o mundo através de amortizações, adendas e subterfúgios diversos. Num mundo são, esses subsídios seriam gastos para nos libertar dos efeitos mortais das emissões de carbono causadas pelos combustíveis fósseis, mas não vivemos num mundo são.
Bloomberg News informava no artigo de 2013 “Porque devem os contribuintes dar aos bancos 83 mil milhões de dólares por ano” que a redução de custos dos grandes bancos por via dos subsídios governamentais tinha sido estimada pelos economistas em 0,8%.
“Multiplicada pelas responsabilidades totais dos 10 maiores bancos americanos por activos”, dizia o relatório, “tal representa um subsídio dos contribuintes no valor de 83 mil milhões de dólares por ano.”
“Os cinco maiores bancos – JPMorgan, Bank of America Corp., Citigroup Inc., Wells Fargo & Co. e Goldman Sachs Group Inc. – representam,” continuava o relatório, “64 mil milhões do subsídio total, uma quantia aproximadamente igual ao seu lucro anual típico. Por outras palavras, os bancos que estão no posto de comando da indústria financeira dos EUA, com quase 9 biliões de activos que representam mais de metade da dimensão da economia americana, ficariam quase no zero na falta de assistência às superempresas. Em grande parte, os lucros que apresentam são essencialmente transferências dos contribuintes para os seus accionistas.”
A despesa do governo representa 41% do PIB. Os capitalistas das grandes corporações querem apanhar todo esse dinheiro e daí a privatização de sectores militares inteiros, a pressão para a privatização da Segurança Social, a adjudicação a empresas de 70% do serviço de informações de 16 das nossas agências, tal como a privatização de prisões, de escolas e do nosso desastroso serviço de saúde orientado para o lucro. Nenhuma destas apropriações de serviços básicos os torna mais eficientes ou reduz os seus custos. Não é isso que interessa. O que interessa é sugar a carcaça do Estado. Ora, isso irá ditar a desintegração das estruturas que sustêm o próprio capitalismo. Tudo isso foi percebido por Marx.

(1) Chris Hedges, esteve cerca de duas décadas como correspondente estrangeiro na América Central, no Médio-Oriente, em África e nos Balcãs. Enviou trabalhos para mais de 50 países e colaborou para o The Christian Science Monitor, a National Public Radio, o The Dallas Morning News e o The New York Times, no qual foi corresponde estrangeiro durante 15 anos.

04-08-2015

Link permanente 10:07:15, por José Alberte Email , 1041 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: Karl Marx tinha razão (I)

Karl Marx tinha razão (I)
Por Chris Hedges (1)/ Tradução: Jorge Vasconcelos
“Information Clearing House” (1-06-2015), publicado em “TruthDig”
http://www.odiario.info/

A fase final do capitalismo, escreveu Marx, seria marcada por desenvolvimentos que, para a maior parte de nós, são hoje familiares. Incapaz de se expandir e gerar lucros ao nível do passado, o sistema capitalista começaria a consumir as estruturas que o têm sustentado.

Chris Hedges juntou-se aos professores Richard Woff e Gail Dines no Left Forum na cidade de Nova Iorque para discutirem porquê Karl Marx é fundamental numa época em que o capitalismo global está em colapso. Junta-se o comentário feito por Hedges na abertura da discussão.
Karl Marx expôs a dinâmica própria do capitalismo, ou do que chamou “modo de produção burguês”. Percebeu que o capitalismo tinha gerado dentro de si as sementes da sua própria destruição. Sabia que as ideologias dominantes – pensemos no neoliberalismo – foram criadas para servirem o interesse das elites e, em particular, as elites económicas, uma vez que “a classe que detém os meios da produção material à sua disposição tem ao mesmo tempo o controle sobre os meios da produção mental” e que “as ideias dominantes não são mais que a expressão idealista das relações materiais dominantes… relações que fazem de determinada classe a classe dominante.” Viu que chegaria um dia em que o capitalismo iria esgotar o seu potencial e entrar em colapso. Não sabia quando viria esse dia. Conforme Meghnad Desai escreveu, Marx era “um astrónomo da história e não um astrólogo.” Marx estava plenamente ciente da capacidade do capitalismo inovar e adaptar-se. Mas, sabia também que a expansão capitalista não era eternamente sustentável. E, conforme testemunhamos com o desenvolvimento do capitalismo e a desintegração do globalismo, é justificado ver Karl Marx como o mais presciente e importante crítico do capitalismo.
Num prefácio à “Contribuição para a Crítica da Economia Política”, escreveu Marx:
“Nenhuma ordem social alguma vez desapareceu antes de todas as forças produtivas para as quais nela haja lugar se terem desenvolvido e as novas relações de produção superiores jamais aparecem antes de as condições materiais para a sua existência terem amadurecido no ventre da própria antiga sociedade”.
Portanto, a humanidade estabelece sempre a si própria apenas aquelas tarefas que pode resolver, uma vez que, olhando para a questão mais de perto, encontramos invariavelmente que a própria tarefa só surge quando as condições materiais necessárias para a sua solução já existem, ou pelo menos estão em processo de formação.
O socialismo, por outras palavras, não seria possível até o capitalismo ter esgotado o seu potencial de maior desenvolvimento. Que o fim está próximo é agora difícil rejeitar, embora fossemos loucos querer prever quando. Somos chamados a estudar Marx para estarmos preparados.
As fases finais do capitalismo, escreveu Marx, seriam marcadas por desenvolvimentos que são familiares à maior parte de nós. Incapaz de se expandir e gerar lucros ao nível do passado, o sistema capitalista começaria a consumir as estruturas que o têm sustido. Tomaria como presa a classe operária e os pobres, em nome da austeridade, levando-os cada vez mais fundo para a dívida e a pobreza e diminuindo a capacidade do Estado para servir as necessidades dos cidadãos comuns. Deslocaria, como desloca, cada vez mais os empregos, incluindo tanto os postos fabris como profissionais para países com reservas de trabalhadores baratos. As indústrias iriam mecanizar os locais de trabalho. Isto desencadearia um assalto económico não apenas sobre a classe trabalhadora, mas também sobre a classe média – baluarte do sistema capitalista – o qual seria mascarado pela imposição de dívida pessoal em grande escala, uma vez que o rendimento diminuiria ou estagnava. A política ficaria nas últimas fases do capitalismo subordinada à economia, tendo como resultado partidos políticos esvaziados de conteúdo político concreto e abjectamente subservientes dos diktats e do dinheiro do capitalismo global. No entanto, conforme Marx preveniu, há um limite para uma economia assente na expansão da dívida. Chega uma altura, como Marx sabia, na qual deixaria de haver novos mercados disponíveis e novas reservas de pessoas para contraírem mais dívida. Foi o que aconteceu com a crise das hipotecas “subprime”. Uma vez que os bancos já não conseguem conceder mais empréstimos desse tipo, o esquema desmorona-se e o sistema rebenta.
Os oligarcas capitalistas, entretanto, juntam enormes somas de dinheiro – 18 biliões de dólares depositados em paraísos fiscais – o qual é extraído como tributo a quem dominam, endividam e empobrecem. O capitalismo poderia finalmente, segundo Marx disse, virar-se para o assim chamado mercado livre, junto com os valores e tradições que reclama defender. Daria início na sua fase final à pilhagem dos sistemas e estruturas que tornaram o capitalismo possível. Ao provocar mais largo sofrimento, recorreria a formas de repressão mais brutais. Tentaria, em posição frenética final, manter os seus lucros saqueando e pilhando as instituições estatais e contradizendo a sua declarada natureza.
Marx preveniu que nas últimas fases do capitalismo as grandes empresas exerceriam monopólio sobre os mercados globais. “A necessidade de constante expansão do mercado para os seus produtos persegue a burguesia por toda a face da Terra,” escreveu ele. “Tem que se aninhar por todo o lado, fixar-se por todo o lado, estabelecer contactos por todo o lado.” Estas grandes empresas, quer do sector bancário, das indústrias agrícolas e da alimentação, das indústrias de armamento ou das indústrias das comunicações, utilizariam o seu poder, tomando normalmente controle sobre os mecanismos do Estado para evitarem qualquer ameaça ao seu monopólio. Fixariam preços para maximizarem os lucros. Desenvolveriam [como têm feito] acordos de comércio como o TPP e o CAFTA (TPP -Trans-Pacific Partnership ou Parceria Trans-Pacífico e CAFTA - Central America Free Trade Agreement ou Acordo de Comércio Livre da América Central – N.T.) para enfraquecerem mais a capacidade dos Estados-nação de impedirem a exploração através de regulamentações ambientais ou a monitorização das condições de trabalho. E no final, estes monopólios empresariais fariam desaparecer a competição do livre mercado.

(1) Chris Hedges, esteve cerca de duas décadas como correspondente estrangeiro na América Central, no Médio-Oriente, em África e nos Balcãs. Enviou trabalhos para mais de 50 países e colaborou para o The Christian Science Monitor, a National Public Radio, o The Dallas Morning News e o The New York Times, no qual foi corresponde estrangeiro durante 15 anos.

31-07-2015

Link permanente 12:15:30, por José Alberte Email , 4335 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: A situação na Grécia e o papel anti-povo do SYRIZA

A situação na Grécia e o papel anti-povo do SYRIZA
– As responsabilidades dos que o aplaudem

por Giorgos Marinos [*]

http://resistir.info/grecia/marinos_29jul15.html

Introdução

Na segunda-feira 13 de Julho, o governo SYRIZA-ANEL com o apoio de todos os partidos políticos burgueses acordaram na Cimeira da Eurozona com um pacote muito duro de medidas anti-povo, o terceiro memorando, o qual destruirá todos os direitos dos trabalhadores e do povo que ainda restam.

Na quarta-feira 15 de Julho, o "primeiro governo de esquerda" aprovou, com os votos dos partidos burgueses ND-PASOK-POTAMI, o acordo da Cimeira e o primeiro pacote de medidas a serem implementadas para a concretização do 3º memorando incluindo novas medidas selvagens de tributação e a abolição de direitos à pensão. O KKE votou contra isto e pediu uma votação nominal, durante a qual 32 quadros do SYRIZA votaram NÃO, 6 votaram "presente" [NR] e 1 absteve-se. Estes membros do SYRIZA disseram que "votamos contra o novo memorando, mas ... apoiamos de todo o coração o governo que está a por isto sobre a mesa".

A experiência dos cinco meses de governação SYRIZA demonstra que ele não quer nem foi capaz de preparar o povo para uma confrontação contra o memorando e os monopólios, tanto gregos como europeus, precisamente porque não tinha orientação para a resistência e o conflito. Ao contrário, enganou o povo [dizendo] que podia abrir o caminho a mudanças favoráveis ao povo mantendo-se no interior da aliança predatória da UE.

Estes desenvolvimentos são uma expressão muito clara do fracasso da chamada "esquerda renovada" ou "esquerda governamental", da teoria de que a UE pode mudar seu carácter monopolista e anti-povo.

A linha de luta do KKE e sua posição vigorosa e firme, que rejeitou a participação em tais governos "de esquerda" que na verdade são governos de gestão burguesa, foi confirmada.

Na base desta experiência específica e da ultrapassagem da ofensiva dos mass media burgueses, os trabalhadores da Europa e de todo o mundo devem tentar descobrir a verdade e utilizar os acontecimentos na Grécia de modo a retirar conclusões úteis.

Eles deveriam examinar e estudar a linha de luta do KKE, romper a muralha da desinformação das forças burguesas e oportunistas que se preocupam com a gestão da barbárie capitalista e trabalham sistematicamente a fim de manipular os trabalhadores.

QUAL É A SITUAÇÃO REAL NA GRÉCIA? QUAL É O PAPEL REAL DO SYRIZA? QUAIS SÃO AS RESPONSABILIDADES DOS QUE O APLAUDEM?


Primeiramente, durante a crise capitalista, com as consequências penosas que a linha política anti-povo do partido liberal ND e do partido social-democrata PASOK trouxeram à classe trabalhadora e aos estratos populares, começou uma reforma extensa do sistema político burguês.

Os partidos burgueses tradicionais estavam enfraquecidos e exaustos, e o SYRIZA e a organização criminosa nazi "Aurora Dourada" foram fortalecidos.

O SYRIZA, que era um pequeno partido oportunista, rapidamente aumentou sua votação nas eleições de Junho de 2012 e venceu as eleições de Janeiro de 2015, constituindo um governo com o partido da direita nacionalista ANEL.

Ao longo deste período o SYRIZA encurralou os trabalhadores no falso esquema "memorando – anti-memorando", ocultando o facto de que o memorando faz parte da estratégia mais geral do capital. Ele explorou o agravamento dos problemas do povo e fez promessas falsas de que aliviaria a situação dos trabalhadores e satisfaria suas reivindicações.

Neste quadro, o SYRIZA prometeu que aumentaria de imediato o salário mínimo, restauraria os acordos de negociação colectiva, aboliria o imposto sobre a propriedade, aumentaria o patamar de isenção fiscal, poria fim às privatizações, etc.

Apesar dos slogans que utilizou, na prática o SYRIZA construiu uma estratégia social-democrata e deixou claro desde o princípio que administraria o capitalismo e serviria a competitividade e lucratividade dos grupos monopolistas, implementando a estratégia da UE, à qual chamava de "nosso lar europeu comum".

Segundo. Após as eleições de 2015, o governo SYRIZA-ANEL continuou a linha política anti-povo dos governos anteriores. No dia 20 de Fevereiro assinou um acordo com a UE-BCE-FMI (Troika) e assumiu compromissos quanto ao reconhecimento e reembolso da dívida que não foi criada pelo povo, a "rejeição de acções unilaterais", a não implementação das suas promessas eleitorais e a promoção de "reestruturações capitalistas".

O governo SYRIZA-ANEL, durante as negociações que se seguiram em Bruxelas, apresentou uma série de propostas com duras medidas anti-povo, incluindo:

A manutenção do memorando e de todas as leis de aplicação do ND e do PASOK, a imposição de tributação adicional, a demolição de direitos de pensão, privatizações e outras medidas no valor de 8 mil milhões de euros a expensas do povo. Esta proposta era semelhante àquela da Troika, a qual continha medidas anti-povo no valor de 8,5 mil milhões de euros.

As confrontações nas negociações e a retirada do governo SYRIZA-ANEL numa certa fase não estão relacionadas com resistência para a defesa dos interesses do povo, como alguns no estrangeiro afirmaram sem qualquer base.

Eram os interesses dos monopólios que estavam na mesa das negociações e, sobre esta base, manifestavam-se contradições mais gerais relativas à fórmula para a gestão do capitalismo, o rumo da Eurozona e a posição da Grécia nela (incluindo a possibilidade de um Grexit), as contradições sobre hegemonia na Europa entre a Alemanha e a França, entre os EUA e a Eurozona e em particular a Alemanha.

Terceiro. Nestas condições, no sábado 27 de Junho o governo apresentou ao Parlamento uma proposta para um referendo, tentando armar uma cilada para o povo com um SIM ou NÃO ao pacote de medidas anti-povo da Troika, recusando-se a apresentar a sua própria proposta anti-povo a fim de ser julgada pelo povo.

O KKE (no parlamento) pediu que no referendo fosse colocado o seguinte:

A) A proposta da Troika.
B) A proposta do governo
C) A proposta do KKE para "DESLIGAMENTO DA UE, ABOLIÇÃO DO MEMORANDO E DE TODAS AS LEIS DE APLICAÇÃO ANTI-POVO".

O governo arbitrariamente recusou-se a colocar a proposta do KKE em votação. Seu objectivo era chantagear o povo e explorar a votação popular como aprovação à sua própria proposta que constituía um novo memorando.

O KKE resistiu, denunciou a chantagem e apresentou o seu próprio boletim de voto ao julgamento do povo:

"NÃO À PROPOSTA UE-BCE-FMI.
NÃO À PROPOSTA DO GOVERNO.
DESLIGAMENTO DA UE COM O POVO NO PODER".

Este boletim de voto foi distribuído nos lugares de trabalho, nos bairros populares, junto aos centros de votação no dia do referendo, e ao mesmo tempo o KKE conclamava o povo a resistir de todas as maneiras e exprimir sua oposição ao novo memorando.

Nas condições deste falso dilema e desta chantagem, o KKE explicou ao povo que tanto o SIM como o NÃO seriam utilizados para impor novas medidas anti-povo.

Esta decisão é uma grande herança deixada ao nosso povo para que possa continuar sua luta com base nos seus próprios interesses.

Uma secção significativa do nosso povo resistiu. Lançou na urna o boletim de voto do KKE, outros votaram em branco ou anularam o boletim de voto (mais de 350 mil, 6%). Uma secção do povo trabalhador seguiu o caminho da abstenção.

O KKE não estabeleceu um objectivo numérico para este referendo, sua postura foi uma posição de princípio, enviar uma mensagem política ao povo para não se submeter a toda chantagem, a dilemas, quer tivessem origem na troika ou no governo ou nos outros partidos políticos burgueses.

Quarto. Em 6 de Julho, um dia após o referendo, os desenvolvimentos confirmaram do modo mais característico as posições e a linha de luta do KKE e comprometeram os partidos no estrangeiro que celebraram em conjunto com o SYRIZA ou enviaram mensagens de apoio ao primeiro-ministro grego.

No dia seguinte ao referendo houve uma reunião dos líderes políticos por iniciativa do primeiro-ministro, Tsipras, com a participação do Presidente da República. Esta reunião tornou a situação ainda mais clara.

O SYRIZA, ANEL, ND, PASOK, POTAMI, isto é todo os partidos burgueses, assinaram uma declaração conjunta que entre outras coisas mencionava: "O veredicto recente do povo grego não inclui um mandato de ruptura, mas um mandato para continuar e fortalecer o esforço de alcançar um acordo socialmente justo e economicamente sustentável", confirmando que os partidos burgueses como um todo estavam prontos para assinar um acordo/novo memorando com a Troika contra o povo.

O secretário-geral do CC do KKE, cda. Dimitris Koutsoumpas discordou, tornou clara a sua posição diferente. Após a reunião dos líderes políticos declarou dentre outras coisas: "De nossa parte exprimimos claramente, mais uma vez, os pontos de vista do KKE quanto à avaliação do resultado do referendo e principalmente quanto aos enormes problemas que estão a ser experimentados pelo povo grego dentro da aliança predatória da UE, a qual tem uma linha política que agrava continuamente os impasses para o povo, o rendimento do povo, o curso do país e o curso do nosso povo como um todo.

Foi demonstrado, mais uma vez, que não pode haver negociações favoráveis ao povo e aos trabalhadores dentro dos muros da UE, dentro do caminho capitalista de desenvolvimento... Ninguém autorizou qualquer organismo a assinar novos memorandos, novas medidas para o nosso povo".

Quinto. Após o referendo o governo SYRIZA-ANEL enviou ao Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) um pedido para um programa de empréstimo por três anos no valor de cerca de 50 mil milhões de euros, com um novo acordo de empréstimo e um novo memorando.

Na sexta-feira 10 de Julho, o governo propôs à Troika (UE, BCE, FMI) um pacote provocador de duras medidas anti-povo com um 3º memorando no valor de mais de 12 mil milhões de euros! Isto quer dizer 4 a 5 mil milhões de euros a mais do que a proposta que estava a ser discutida antes do referendo.

No mesmo dia, na discussão no Parlamento, o governo pediu e recebeu o apoio e a autorização dos partidos burgueses, ND-PASOK-POTAMI, a fim de assinar o acordo anti-povo, o 3º memorando.

Enquanto isso, na madrugada de segunda-feira 13 de Julho, o primeiro-ministro Tsipras acordou na Cimeira da Eurozona um novo empréstimo no valor de 85 mil milhões de euros e um muito perigoso memorando anti-povo, o qual realmente esmagará qualquer coisa que tenha restado dos direitos do povo.


Aqui estão alguns exemplos característicos:

Manutenção do ENFIA, o imposto sobre a propriedade e outras duras medidas fiscais da ND e do PASOK que levaram milhões de famílias das camadas populares ao desespero e um aumento adicional das taxas de IVA, transferindo alimentos empacotados e outros ítens de consumo popular em massa para a taxa mais alta de 23%, abolição de isenções fiscais para agricultores, um aumento significativo do IVA para as ilhas, etc.

A propaganda do governo diz que aumentar impostos sobre grandes negócios e proprietários de navios não tem fundamento, que é uma gota no oceano. As isenções fiscais para os proprietários de navios e o grande capital como um todo estão a ser mantidas em vigor.

Manutenção das medidas anti-segurança social na sua totalidade, as quais reduzem pensões, aumentam a idade de reforma, isentam o patronato de contribuições para a segurança social e também a introdução de novas medidas que anulam o restante das reformas antecipadas estabelecendo uma única idade de reforma de 67 anos, abolindo os benefícios para pensionistas com pensões muitos baixas, aumentando as contribuições dos trabalhadores para a segurança social, fundindo fundos da segurança social com uma corrida para baixo em termos de direitos. Estão a ser examinadas duras medidas adicionais em nome da sustentabilidade do sistema de segurança social.

Manutenção das relações de trabalho "medievais" que prevalecem nos lugares de trabalho, congelamento de acordos colectivos, manutenção de salários reduzidos e também novas medidas adicionais anti-trabalhador em nome da adaptação às directivas da UE para a expansão de contratos individuais entre trabalhadores e patrões, reforço do trabalho em tempo parcial e temporário, relações de trabalho flexíveis.

Implementação da caixa de ferramentas da organização imperialista OCDE (a qual o governo considera ser um parceiro estratégico) que prevê a liberalização das profissões, a abolição dos feriados de domingo, etc.

Manutenção das privatizações que se efectuaram e a promoção de novas, nos portos, em 14 aeroportos regionais, nas ferrovias, na companhia que administra o gás natural, etc.

Criação de um mecanismo para hipotecar e vender a propriedade pública a fim de obter 50 mil milhões de Euros para reembolsar os empréstimos, etc.

Criação de excedentes primários de 1% em 2015, 2% em 2016, 3% em 2017, 3,5% em 2018 e a implementação de um mecanismo para automaticamente cortar salários, pensões, gastos sociais se houver divergência em relação aos objectivos orçamentais.

O governo SYRIZA-ANEL utilizou a chantagem e o dilema que a ND e o PASOK haviam utilizado a fim de convencer o povo a aceitar as medidas: um novo memorando mais duro ou a bancarrota do estado através de um grexit?

Ele repete o mesmo dilema que foi apresentado por ocasião do primeiro e segundo memorandos e todas as vezes em que uma prestação estava a ser desembolsada. Toda a vez que o povo tem de escolher o mal "menor", no fim este acaba por levar ao mal maior.

Mesmo agora, quando a linha política anti-povo do SYRIZA está completamente evidente, Tsipras ainda tenta promover falsas expectativas, afirmando que o acordo inclui um ajustamento da dívida (a qual aumentou devido ao novo empréstimo) e aos chamados "pacotes de desenvolvimento". Apesar do facto de ser bem sabido que em qualquer caso o povo pagará pela dívida e que os pacotes serão mais uma vez destinados a grandes grupos monopolistas, os quais colherão grandes lucros.

Sexto. A linha política anti-povo do SYRIZXA não se restringe apenas a estas questões mas exprime-se também na sua política externa.

O governo grego em cinco meses proporcionou apoio significativo à NATO, aos EUA, o eixo Euro-Atlântico.

Ele não só manteve como também assumiu compromissos para fortalecer as bases EUA-NATO em Suda, o centro de comando para intervenções e guerra imperialistas, Aktio (centro de radar) e também assumiu compromissos para fortalecer os centros de comando em Salónica, Larissa, etc.


O governo anunciou que em consulta com os EUA instalará uma nova base da NATO no Mar Egeu, na ilha de Carpatos.

O governo assumiu oficialmente um compromisso de disponibilizar suas forças armadas e bases militares para novas guerras imperialistas na região, a fim de enfrentar os jihadistas e "proteger as populações cristãs".

Ele participa em exercícios militares juntamente com os EUA e Israel e fortalece suas relações militares, políticas e económicas com o estado israelense que continua a ocupação e os tormentos do povo palestino.

A chamada "política multi-dimensional" com a Rússia e a China, com os BRICS, está a ser executada do ponto de vista do avanço dos interesses dos grupos monopolistas a fim de fortalecer suas posições no campo da energia, no quadro geral da competição imperialista, enredando nosso povo em novos perigos.

CONCLUSÕES IRREFUTÁVEIS

Os trabalhadores da Europa e de todo o mundo podem retirar importantes conclusões deste curso dos acontecimentos na Grécia a fim de denunciar as forças políticas que defendem o caminho de desenvolvimento capitalista e a União Europeia, a união imperialista inter-estatal.

Os homens e mulheres comunistas, os trabalhadores, devem examinar os desenvolvimentos na base dos dados reais.

Eles deveriam apreciar a posição de dúzias de Partidos Comunistas que tentam analisar os desenvolvimentos na Grécia com base em critérios de classe, mantiveram o princípio do internacionalismo proletário, contribuíram para apoiar luta do KKE, publicaram seus boletins de informação e entrevistas, escreveram seus próprios artigos e combateram contra a confusão semeada pelo SYRIZA e pelo Partido de Esquerda Europeu (PEE).

O KKE agradece às dúzias de partidos comunistas e organizações de juventude comunista de todo o mundo que exprimiram sua solidariedade de muitos modos diferentes e permaneceram ao lado da luta do nosso partido e da KNE (Juventude Comunista Grega).

Agradecemos aos trabalhadores e trabalhadoras, sindicalistas e outras organizações do movimento popular do estrangeiro que apoiam a luta do movimento com orientação de classe na Grécia.

Nosso partido continuará a travar lutas árduas e a honrar a vossa confiança.

Nas condições da forte pressão exercida pelo aparelho ideológico burguês e pela intervenção das forças oportunistas, a expressão em massa de solidariedade internacionalista é um elemento muito importante. Ela contribui para a nossa luta comum. Trata-se de uma experiência valiosa que frutificará no período seguinte.

Ao mesmo tempo, os comunistas e trabalhadores devem examinar cuidadosamente e denunciar as forças oportunistas e outras que durante todo este período ocultaram as posições do KKE e alinharam-se com o SYRIZA, embelezando a essência de classe anti-povo da sua linha política, seu carácter social-democrata.

O PEE desempenha um papel particularmente perigoso na manipulação dos trabalhadores. O Partido de Esquerda Europeu reconheceu a sua própria mutação estratégica rumo à gestão burguesa nas posições sociais-democratas do SYRIZA, as suas próprias posições favoráveis à assimilação dentro da UE.

Isto era expectável.

Este grave problema refere-se a certos PCs que reproduziram as posições do SYRIZA, apresentaram-no como força de resistência contra a UE, ocultando o facto de que este partido é um defensor da aliança predatória da UE e da NATO, um administrador da barbárie do sistema capitalista.

Estas forças saudaram o "NÃO" do referendo mas ocultaram o facto de que por trás disto estava o SIM do SYRIZA a um novo memorando, novas medidas que continuarão a sangrar o nosso povo.

Elas desinformaram – intencionalmente ou não intencionalmente – os trabalhadores nos seus países. Estas forças ligaram a posição do governo grego à defesa da "soberania popular", mas a realidade demonstra que o povo não pode ser soberano quando está sitiado pela chantagem das forças do capital, quando está faminto, desempregado, vítima do capitalismo e dos capitalistas que mantêm o poder e possuem os meios de produção e roubam a riqueza produzida pelos trabalhadores.

A postura destes partidos objectivamente foi contra a luta do KKE e a expensas do interesse da classe trabalhadora, das camadas populares na Grécia, em todo país, porque apoiar a nova social-democracia significa fortalecer o adversário dos trabalhadores, promove ilusões e confusão.

Não há desculpa. Eles arcam com sérias responsabilidades. Os partidos que ocultaram as posições do KKE, organizaram eventos para apoiar o SYRIZA e saudaram a social-democracia foram revelados.

Na realidade, as manifestações, como em Paris, Roma, Bruxelas, Nicósia, Lisboa e outras cidades, pouco importando quem as organizou e os slogans usados, foram utilizadas pelo SYRIZA como um álibi "de esquerda" para fortalecer a sua posição, para apresentar-se como um "salvador" e impor novas duras medidas anti-povo sobre os trabalhadores gregos.

Esta não é a primeira vez que falamos acerca destas questões. As consequências da influência oportunista nas fileiras do movimento comunista, consequências da contra-revolução, continuam a ser penosas.

Nosso partido, como é bem sabido, tem exprimido firmemente (durante muitos anos) sua solidariedade internacionalista com PCs que hoje se alinham com os seus oponentes políticos. O KKE segue uma posição de princípio e continuaremos a assim actuar.

Contudo, deve começar uma discussão no Movimento Comunista Europeu e Internacional acerca das escolhas de PCs que tomam o lado da social-democracia e dela devem ser retiradas conclusões.

Quem quer que perca a bússola revolucionária de classe será levado a administrar o capitalismo, mesmo que o nome comunista seja mantido, mesmo que haja referências formais ao socialismo.

A experiência histórica revela isto e este é o problema para certos partidos que usam a calúnia do "sectarismo" a fim de incriminar a luta revolucionária, esconder o seu próprio recuo dos princípios do marxismo-leninismo e a sua opção por administrar o sistema burguês.

Os desenvolvimentos recentes trouxeram à tona questões sérias que devem ser discutidas ainda mais.

Os partidos sociais-democratas da variedade SYRIZA e Podemos trabalham para manipular a classe trabalhadora, salvaguardar a gestão capitalista com falsos slogans de esquerda.

Na prática, o exemplo do SYRIZA demonstra mais uma vez que os chamados "governos de esquerda" são uma forma de gestão e reprodução da exploração capitalista, que eles cultivam ilusões, desarmam as forças populares e levam ao fortalecimento de forças conservadoras, para o retorno de governos de direita. Os exemplos de "governos de esquerda" em França, Itália, Chipre, Dinamarca e países da América Latina confirmam esta avaliação.

A posição que apresenta a substituição do Euro por uma divisa nacional, a exemplo do dracma na Grécia, como um desenvolvimento a favor do povo, uma posição apoiada por vários grupos de ultra-esquerda e quadros do SYRIZA que no parlamento votaram contra o 3º memorando, obscurece a situação real para os trabalhadores. A [mudança de] divisa não pode por si própria resolver favoravelmente qualquer dos problemas do povo. A exploração capitalista continuará a dominar, bem como o factor que determina o curso dos desenvolvimentos, isto é, qual classe social tem o poder e os meios de produção nas suas mãos.

A tentativa de interpretar os desenvolvimentos com posições que apresentam a Grécia como sendo uma "colónia" não tem uma base objectiva. Ela omite os objectivos e interesses da burguesia, não toma em conta o desenvolvimento capitalista desigual (uneven) e as relações desiguais (unequal) entre estados capitalistas.

A continuada participação na NATO e na UE é a posição dominante na classe burguesa e as concessões de direitos soberanos são uma escolha consciente que objectiva reforçar o capitalismo e servir os interesses dos monopólios no interior de alianças imperialistas.

Centrar toda a atenção sobre a postura da Alemanha, a tentativa de interpretar os desenvolvimentos através do prisma do "golpe de Schauble" oculta a essência da competição inter-imperialista, dos interesses que estão envolvidos no conflito.

A escolha de aliados do governo SYRIZA-ANEL, exemplo: os EUA e a França, nada tem a ver com os interesses do povo mas sim com os interesses dos grupos monopolistas, enredando nosso povo ainda mais na teia da competição imperialista.

As recentes declarações de um quadro do SYRIZA e vice-presidente do governo são características. Ele fez a seguinte referência: "Tenho de agradecer publicamente ao governo dos EUA e ao Sr. (Presidente Barack) Obama pois sem a sua ajuda e persistência em que o acordo tem de incluir a questão da dívida e o horizonte de desenvolvimento poderíamos não ter tido êxito".

A LUTA DO KKE

O KKE avançou em frente, tendo enriquecido sua estratégia na base das exigências contemporâneas da luta de classe, ultrapassando a teoria respeitante a "etapas intermediárias" na gestão do sistema explorador e as diferentes formas para a manutenção da democracia burguesa, defendendo as lei da revolução e construção socialista.

Nosso partido utilizou a linha de luta anti-capitalista – anti-monopolista, a linha para a concentração e preparação da classe trabalhadora e forças populares para o derrube do capitalismo, para o poder dos trabalhadores e do povo, o socialismo, rejeitando a cooperação com o partido social-democrata SYRIZA e qualquer participação em governos de gestão burguesa.

Ele deu uma resposta decisiva nas eleições de 2012, continuando em condições difíceis sua luta político-ideológica e de massa independentes, com as necessidades das famílias da classe trabalhadora e estratos populares como seu critério.

Ele travou a batalha das eleições em 2015, aumentou suas forças e utiliza seu grupo parlamentar de 15 membros para destacar os problemas do povo, apresentando importantes projectos e propostas de lei, como o projecto de lei para a abolição do memorando e das leis de aplicação as quais o governo desde há cinco meses tem-se recusado a discutir no Parlamento.

Ele utiliza o seu grupo parlamentar na UE ao lado dos trabalhadores, alcançando um novo nível nas suas intervenções políticas significativas após a sua retirada do GUE/NGL, o qual foi transformado num apêndice do PEE.

A orgulhosa posição do KKE no referendo recente é uma continuação desta luta política. Esta posição revelou a linha política anti-povo do governo SYRIZA-ANEL, da Troika e dos partidos políticos burgueses que apoiam a permanência na UE "a qualquer custo", apresentando sua própria proposta ao povo.

Nosso partido intervém decisivamente nos desenvolvimentos políticos, combate contra dificuldades e deficiências e trabalha incansavelmente nos lugares de trabalho, no interior do movimento trabalhista e popular, desempenha o papel principal nas lutas da classe trabalhadora, dos agricultores, dos estratos intermediários, da juventude. Ele continua sua actividade internacionalista, fortalece suas relações com dúzias de PCs de todo o mundo e tenta discutir sua experiência com os comunistas e as principais forças da classe trabalhadora no exterior.

Estes deveres são muito sérios. O KKE centra-se em organizar a resistência dos trabalhadores contra o acordo anti-povo do governo SYRIZA-ANEL, de modo a que o nível das exigências populares seja elevado e de que se desenvolva um movimento militante para exigir de um modo maciço a recuperação das perdas e a satisfação das necessidades contemporâneas.

O movimento com orientação de classe, PAME, e os demais agrupamentos militantes estão a escalar as mobilizações de massa, estão a fazer esforços para organizar um movimento de solidariedade para apoiar aqueles que estão a sofrer devido ao desemprego e à pobreza, para apoiar os pensionistas, os trabalhadores que estão de pé nas filas junto aos bancos para receberem uma pequena parte da sua pensão ou salário devido às restrições sobre transacções bancárias.

Através de comités de luta nos lugares de trabalho, fábricas, hospitais, supermercados, serviços, através da mobilização dos "comités populares" nos bairros.

Estas são ferramentas valiosas para o fortalecimento da luta popular.

Continuaremos neste caminho e apelamos à classe trabalhadora, aos estratos populares, a adoptarem em massa e de modo decisivo a proposta política do KKE para a melhor organização possível dos trabalhadores, para o reagrupamento do movimento trabalhista, para o fortalecimento da aliança popular da classe trabalhadora com os agricultores, os outros estratos populares a fim de intensificar a luta por mudanças radicais profundas. Para a socialização dos monopólios, com planeamento científico central da economia, desligamento da UE-NATO e o desenvolvimento de relações mutuamente benéficas com outros estados e povos, com o cancelamento unilateral da dívida, com a classe trabalhadora e o povo segurando as rédeas do poder.
[*] Membro da Comissão Política do Comité Central do KKE

[NR] A figura do voto "presente" é uma especificidade do Parlamento grego. O voto "não" significa uma oposição frontal e total. O voto "presente" significa que em princípio se está contra uma proposta (um projecto de lei, por exemplo) mas que se reconhece algumas ideias úteis na mesma. De certo modo o voto "presente" é quase o equivalente à abstenção, mas não exactamente a mesma coisa.

A versão em inglês encontra-se em inter.kke.gr/en/...

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
31/Jul/15

27-07-2015

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Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: Estamos numa depressão global, não numa recessão

ESTAMOS NUMA DEPRESSÃO GLOBAL, NÃO NUMA RECESSÃO
http://resistir.info/

A vendas mundiais da Caterpillar estão há 31 meses em declínio consecutivo. Esta transnacional das máquinas pesadas está presente em todos os continentes e as suas vendas constituem um bom indicador do estado da economia mundial. Por ocasião do colapso de 2008 a Caterpillar experimentou um declínio consecutivo de "apenas" 18 meses. Se agora já vai nos 31 meses, será que ainda se pode falar em "recessão conjuntural"? Esta notícia na verdade mostra uma depressão na plena acepção da palavra, longa e prolongada. Contudo, o jornalismo económico português não publica notícias ou análises como esta – só aquelas que promovam a "confiança dos mercados". Chama-se a isto desinformação por omissão.

19-07-2015

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Categorias: Dezires

CANTA O MERLO: As simulaçons ideológicas de Francisco I, monarca vaticano

As simulaçons ideológicas do papa Francisco

Maciek Wisniewski*

http://www.jornada.unam.mx/2014/11/07/opinion/030a2pol

Aposto que nem os spin-doctors do Vaticano imaginavam-se que o seu re-branding ia ser tam bem sucedido. Que em pouco tempo converteriam a Jorge Mário Bergondo, conservador próximo dos sectores mais reaccionários da Igreja argentina durante a dictadura, que punha paus na roda do progressismo kirchnerista, num líder mundial de esquerda.

Mas iam de vento em popa. Qualquer conservador sensível "como Bergoglio", em comparaçom com os ultraconservadores-trogloditas que dominam na Igreja post wojtyliana, parece um progressista.

Num mundo onde o centro da política moveu-se (muito) à direita, qualquer que diga algo sobre a pobreza e a injustiça já é marxista e/ou comunista (o mesmo passa com as desigualdades e o seu combate: vende-se-nos como umha demanda revolucionária; em realidade é muito conservadora).

Num mundo onde a crítica escasseia, qualquer que critique ao capitalismo tem hipótese de parecer messias de esquerda.

O truque da operaçom Francisco é que em muita parte o trabalho fazia-se só.

Isso nom quer dizer que Bergoglio nom pusesse a sua parte: despregou e manejou (quase) à perfeiçom todo o arsenal de gestos e mensagens "adrede" ambígüos; coqueteou e seduziu a círculos progressistas dentro e fora da Igreja.

Mas, se um punha atençom, em cada escintileo das suas simulaçons ideológicas viam-se, como umha sombra, o seu passado e presente conservador, e igualmente conservadores princípios reitores do seu papado:

a) Disciplina,
b) Hegemonia,
c) Cooptaçom
d) Neutralizaçom.

Velaquí alguns dos momentos "e assuntos" mais sintomáticos:

" Francisco rejeita as acusaçons da direita estadunidense de ser um marxista trás a sua crítica ligeira ao capitalismo em Evangelli Gaudium (os mesmos círculos que dizem que o debate sobre as desigualdades é comunista, enquanto é... procapitalista): A ideologia marxista está equivocada, mas conhecim a muitos marxistas boas pessoas e nom me ofendo (Página/12, 16/12/13).

Nom? Ok. Entom deveriam se ofender os marxistas.

Mas o mais problemático desta chiscadela à esquerda "fora da sua opiniom que o marxismo está equivocado (nom será um retrocesso a respeito de Joám Paulo II, que em Laborem execens dizia que este é perigoso, mas contém grao de verdade")" é a ligeireza com que Bergoglio joga "hoje" com este termo.

E “ontem" Estivo perto das hierarquias que temiam que se fracassava a ditadura vinha o marxismo (sic). Castigava aos curas “villeros” que o punham em prática. Aos cregos Yorio e Jalics tachou-nos de esquerdistas, entregando aos militares (digam digam-no hoje os embelecedores da sua biografia). Seguro nom se ofendêrom, mas quase perdêrom a vida.

Horacio Verbitsky: “Hoje estes som assuntos teóricos opináveis, como o debate sobre marxismo ou a teologia da libertaçom que Bergoglio reavivou. Mas naqueles anos era questom de vida ou morte” (Página/12, 16/3/14).

" O tema da reabilitaçom da teologia da libertaçom por Francisco merece análise aparte; aqui, só dous pontos:

" Se há umha pedra de toque do sucesso das suas simulaçons é a existência de quem hoje acham que ele sempre estivo influenciado por ela, só se escondia; por outra parte, se por influência percebe-se que se lhe opunha ferozmente (vinde: o seu “preito” com Pedro Arrupe), pois sim, estivo muito influenciado.

1. " Segue actual a análise histórica de Michael Löwy que o localizava nas antípodas desta corrente (Lê Monde, 30/3/13); os últimos meses confirmárom-no: contrariamente à teologia da libertaçom, ele opta nom polo empoderamiento dos pobres, senom o seu tutelagem ignora os seus predicamentos mais radicais, coopta o seu potencial e neutraliza o mais subversivo.

" O Papa contesta a quem o acusam de ser um Papa comunista e/ou falar como Lenine (sic!): Eu só digo que os comunistas nos roubárom a bandeira da pobreza (A Jornada, 30/6/14).

É algo que diria um colega em armas, ou um rival político de esquerda que luta pola hegemonia entre os pobres" nom será este a cerna do bonapartismo neofranciscano"

1. " O Papa durante o encontro com os movimentos populares (Vaticano, 27-29/10/14), parafraseando a Hélder Câmara: Se pedo ajudar aos pobres, dizem que som comunista (Telesur, 28/10/14).

Löwy também lembrava aquela passagem canónico (Se dou pam a um pobre, dim-me que som um santo; quando pergunto por que a gente é pobre, chamam-me comunista), mas para salientar que Bergoglio ajuda e nom fai perguntas incómodas (até a sua paráfrasis ficou curta...).

No seu enfoque nom há classe oprimida e classe opressora (algo que sim identifica a teologia da libertaçom); para ele, isso nom importa: só há que trabalhar juntos polo bem de todos.

Neste sentido é excessivo o entusiasmo de Ignacio Ramonet, que trás o encontro "ao que assistiu Evo Morais como líder cocalero" aplaudia o grande valor do Papa e o seu novo rol histórico como embandeirado solidário das luitas dos pobres do mundo (Rebelión, 30/10/14).

E mais se lembramos a análise de Rubem Dri, ex-cura terceiro-mundista: Para Bergoglio o verdadeiro rival som os governos progressistas. Mas ele sabe que nom pode chocar frontalmente com eles. Tem que actuar de maneira inteligente, desde abaixo, entre os movimentos populares (Krytyka Polityczna, 1/2/14).

Assim, aquele encontro concreta-se mais bem como a mais grande, até agora, simulaçom de Francisco. O seu acostumam é cooptar, nom cooperar; neutralizar, nom impulsar; disciplinar e meter os movimentos e governos progressistas ao seu curro.
Estes nom devem ignorar as mudanças no Vaticano, mas também nom querer subir ao papa-móvil.

Nem deixar-lhe a Bergoglio a tam almejada bandeira da pobreza (e se alguém sente confusom, que lembre a sua história).

Quando estalou a crise, Reinhard Marx, bispo de... Tréveris, aproveitando o apelido tirou um livro intitulado, claro, Das Kapital (2008) "ao que parece Piketty nom foi primeiro...", com um vago chamado a reformas.

Foi um sucesso mediático. nom de casualidade, continuando a simulaçom, o Papa incorporou-o ao seu grupo de cardeais e conselho de economia.

Confundir a Francisco com a esquerda é como confundir a Reinhard com Karl Marx.

* Jornalista polonês

14-07-2015

Link permanente 12:44:18, por José Alberte Email , 146 palavras   Português (GZ)
Categorias: Dezires

CANTA O MERLO: Grécia: O acordo repugnante com o IV Reich

O ACORDO REPUGNANTE COM A UE
http://resistir.info/

O acordo alcançado in extremis na madrugada de 13 de Julho é uma demonstração flagrante de que a UE nada mais tem a oferecer aos povos europeus. Ele assinala o começo do fim do euro, que arrastará a prazo o da UE. O acordo é de cumprimento impossivel, como assinalou o ex-ministro Varoufakis. Ele nem sequer contempla o problema fundamental da Grécia, a sua dívida externa impagável adquirida em condições odiosas. Ao aceitá-lo o governo SYRIZA-ANEL submeteu-se a condições mais extorsivas e humilhantes do que se o país tivesse sido derrotado numa guerra militar. As exigências do Eurogrupo fôrom inimagináveis, feitas aparentemente para serem recusadas – mas o governo do sr. Tsipras aceitou. Um tal governo já perdeu toda e qualquer legitimidade – terá de ser derrubado pelo povo grego.O texto (integral?) deste acordo infame pode ser visto aqui .

http://www.infogrecia.net/wp-content/uploads/2015/07/acordo12julho.pdf

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CANTA O MERLO: Os comunistas portugueses pedem um referendo para tirar ao país do euro e nacionalizar a banca

Os comunistas portugueses pedem um referendo para tirar ao país do euro e nacionalizar a banca

http://www.elespiadigital.com/

Os cartazes que reclamam umha hipotética saída do euro podem verse nas ruas de Lisboa e O Porto desde há semanas, mas é agora quando o Partido Comunista de Portugal aproveita a conjuntura gerada polo desafio grego para incluir semelhante proposta no seu programa eleitoral para as eleições gerais de Outubro.

O secretário geral do PCP, Jerónimo de Sousa, pretende encabeçar um movimento de contestaçom à política actual do Governo de Passos Coelho reclamando um referendo no país vizinho para decidir o retorno à moeda anterior, o escudo.

Na sua opiniom, a Uniom Europeia, o IV Reich, impede o desenvolvimento de Portugal com as suas estritas receitas financeiras, ainda que nom se necessitou um segundo resgate e os prazos de devoluçom de interesses ao Fundo Monetário Internacional estám a se cumprir.

De Sousa considera que a UE é um bloco sem coesom, senom que a maioria dos membros (especialmente, os do sul do continente) limita-se a obedecer a Berlim e Bruxelas.

«O povo português tem direito a sortear esses obstáculos e condicionantes para disociar a questom do euro da integraçom. De momento, estas políticas só nos levam ao empobrecimento, assim que talvez chegou a hora de escutar aos cidadaos», manifestou a cabeça visível do PCP trás a sua reeleiçom como secretário geral o passado fim-de-semana.

O seu objectivo nom é outro que «estudar e preparar a libertaçom de Portugal da submissom ao euro porque representa a degradaçom do aparelho produtivo».

Em qualquer caso, o eventual abandono da moeda única deve basear-se em «o a respeito da vontade popular e umha cuidadosa preparaçom:, ademais da defesa dos salários e das poupanças, dos níveis de vida e dos direitos dos trabalhadores».

Como novas medidas, os comunistas solicitam o regresso ao controlo público da banca e, a partir de 2016, elevar o salário mínimo de 505 a 600 euros.

Amparam na situaçom da Grécia para proclamar que a sua posiçom é «absolutamente justa» e para assegurar de forma categórica: «O euro está vigente em Portugal desde o 1 de Janeiro de 2002 e, desde entom, ficou claro que esta adesom só pode qualificar-se como um grande erro político e financeiro».

08-07-2015

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CANTA O MERLO: Grécia debaixo de sítio

GRÉCIA DEBAIXO DE SÍTIO

http://resistir.info/

Em tempos medievais, quando um exército pretendia conquistar uma cidade bem amuralhada punha-a debaixo de cerco. Na impossibilidade ou dificuldade de um assalto frontal às suas muralhas, tentava assim vencê-la pela fome. É de suspeitar que as tentativas do governo grego de negociar deparem-se com essa táctica – as delongas pós referendo do Eurogrupo sugerem isso. A Grécia está a míngua. As suas caixas multibanco já pouco dinheiro têm devido à sabotagem deliberada do BCE. Os recursos para importações são escassos. Assim, tudo indica que começou o cerco. O empréstimo imediato solicitado pelo governo está no vamos ver. Quanto à reestruturação da dívida, a Troika nem quer falar nisso. Trata-se, no fundo, de uma tentativa hipócrita de por a Grécia para fora da Eurozona sem o dizer explicitamente. Assim se vê a democracia deles. Por que quer a todo o custo o governo SYRIZA-ANEL manter-se na UE?

07-07-2015

Link permanente 02:16:29, por José Alberte Email , 433 palavras   Português (GZ)
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CANTA O MERLO: Rússia e China esperam a Grécia com os braços abertos

RÚSSIA E CHINA ESPERAM A GRÉCIA COM OS BRAÇOS ABERTOS

Por Manuel Freytas

O recente nom dos gregos a seguir suportando a USURA FINANCEIRA das potências centrais Europeias com Alemanha à frente precipitou umha situaçom de CRISE SEM PRECEDENTES da Uniom Europeia em diferentes frentes. E o triunfo do nom no referendo deste domingo detonou umha nova desvalorizaçom do euro e umha ALERTA VERMELHA dos mercados internacionais com umha baixa generalizada das bolsas a nível mundial.

O nom rotundo dos gregos (que triunfou por um 64 %) apontoa a posiçom da Grécia de nom PAGAR a sua dívida aos credores USURARIOS encabeçados por Alemanha e o FMI. E como efeito emergente o triunfo do nom pom a Grécia ao bordo de abandonar o euro e SAIR DA Uniom Europeia.

Também poderia declarar umha gigantesca falta de pagamento da sua dívida nas próximas semanas. De concretizar-se esta decisom, o bloco imperial EEUU-Uniom Europeia-NATO .poderia enfrentar a sua pior CRISE HISTÓRICA em directo benefício do eixo estratégico Rússia-China ao qual se INTEGRARIA a GRÉCIA se rompe com a UE. "umha Grécia despedaçada poderia voltar-se para Rússia em busca de apoio. A mudança, os helenos poderiam vetar a próxima enxurrada de sançons da UE contra Moscovo, ou mesmo oferecer-lhe as instalaçons navais que no seu dia empregaram os EEUU", assinala a agência Reuters.

No seu PIOR cenário, a possível saída da Grécia do euro e da Uniom Europeia pode potenciar três EFEITOS simultâneos:
A) Desintegraçom e dissoluçom política, económica e financeira da Uniom Europeia,
B) EFEITO CONTÁGIO a outros países, principalmente as ex naçons soviéticas do Europa do Leste, as vítimas mais vulneráveis da espoliaçom capitalista das potências centrais Europeias,
C) EFEITO DE Dissoluçom geopolítico e militar sobre a aliança EEUU-Uniom Europeia com a possível saída da NATO de países ex soviéticos que sigam o exemplo da Grécia.

Este quadro de situaçom poderia gerar umha CRISE MORTAL da estratégia geopolítica e militar da aliança USA NATO na Europa do Leste. E há umha razom de fundo que o explica. Todo o poderio do CERCO MILITAR NUCLEAR que o eixo USA NATO traçou por volta da Rússia, está em bases despregadas em ex repúblicas soviéticas que integram o dispositivo da Aliança imperial.

Por sua vez, e como resultante do nom deste domingo, umha possível aliança da Grécia com Rússia e China em procura de AJUDA ECONÓMICA E FINANCEIRA, poderia precipitar umha CRISE SEM RETORNO da aliança EEUU-Uniom Europeia-NATO. E dar um emborco impensado nas relaçons de força da GUERRA INTERCAPITALISTA. E este quadro de situaçom fai com que hoje Rússia e China ESPEREM A GRÉCIA com os braços abertos.

06-07-2015

Link permanente 20:41:05, por José Alberte Email , 754 palavras   Português (GZ)
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CANTA O MERLO: Grécia: Acerca do referendo-relâmpago

Acerca do referendo-relâmpago
por Dimitris Koutsoumbas [*]

Saudamos as milhares de pessoas que seguiram o apelo do KKE a não ceder à chantagem. Saudamos em particular as eleitoras e eleitores que inseriram o boletim do KKE com a sua proposta de formulação da pergunta para o referendo feita no Parlamento mas bloqueada pelo governo. Com isso, o povo foi privado do direito de votar sobre esta proposta, foi-lhe retirada a possibilidade de poder escolher entre várias propostas.

Face à pergunta parcelar e contraditória do referendo-relâmpago, parte da população conseguiu evitar a confusão, dar uma primeira resposta com boletins nulos ou brancos, ao passo que um grande número de pessoas ficaram à margem deste voto, quanto mais não fosse por causa de dificuldades financeiras e dos custos demasiado elevados dos transportes para se deslocaram aos locais de votação.

Desde a decisão tomada de organizar o referendo, constatámos, com razão, que independentemente da questão do voto, não pode haver soluções alternativas, verdadeiramente positivas para o povo, no quadro da UE, das vias capitalistas, do reconhecimento das dívidas. Todas as outras forças políticas, tanto no campo do NÃO como no do SIM apresentam soluções incluídas neste quadro. Elas encontram-se todas a defender a necessidade de se conformar às regras da UE, a defender os interesses das partes do capital que elas representam respectivamente.

Dirigimo-nos particularmente às eleitoras e eleitores que hoje votaram pelo NÃO e acreditaram que poderiam assim ser posto um fim à política de austeridade, que poderiam resistir eficazmente às medidas mais duras e ao memorando. Apelamos a todos aqueles que hoje se sentem reforçados pela vitória do NÃO a não permanecerem passivos e a não validar a tentativa do governo de transformar este NÃO num SIM para novos acordos anti-populares. Nós lhes estendemos a mão para os combates que hão de vir contra o agravamento das suas condições de vida.

Paralelamente, dirigimo-nos também às eleitoras e aos eleitores que votaram SIM sob a pressão do seu empregador, sob o medo do encerramento dos bancos, com a ideia de proteger seu salário, pensão e algumas economias. Apelamos a que reflicta de novo no seu voto, a resistir a partir de hoje às chantagens, a não deslizar para direcções conservadoras e reaccionárias, a não trazer água ao moinho dos partidos anteriormente no governo.

O governo de coligação SYRIZA-ANEL não deve poder ousar utilizar o resultado do referendo para infligir ao nosso povo novos e pesados sacrifícios, novos memorandos válidos duradouros. Os acordos que o Sr. Tsipras prometeu assinar, na base da sua proposta de três dias atrás às "três instituições", ou seja, à Troika, conduzem, com uma precisão matemática, a um novo memorando ainda pior. Ele legitima assim os memorandos anteriores, inclusive as leis que os puseram em aplicação e, ainda mais grave: não hesita em conduzir o povo para uma verdadeira falência. A outra alternativa possível, de que a Troika falou, ou seja um caminho de saída do euro, representa igualmente uma opção que atingiria somente a classe operária e as outras camadas populares.

É mais urgente e necessário que o movimento e o povo retomem maciçamente a proposta do KKE de saída da crise. As condições prévias: a socialização dos monopólios, o desligamento da UE, a denúncia unilateral da dívida, o estabelecimento de uma planificação central científica para o desenvolvimento da sociedade, para o povo, com o povo realmente no poder. O KKE estará na primeira fila de todos os combates do nosso povo no período que está para vir. Continuaremos a reforçar o carácter anti-monopolista e anti-capitalista da luta, sua junção com o KKE.

Organizemos e preparemos a resistência, a disposição para resistir na eventualidade de novos desenvolvimentos negativos. Apoiemos os mais fracos, os desprezados. Organizemos iniciativas para ajudar as famílias das camadas populares a sobreviver, com comités de acção nos lugares de trabalho, nas empresas, nos hospitais, nos supermercados, nos escritórios, com comités populares nos bairros, com grupos de solidariedade e de entre-ajuda, com grupos e comités de controle.

Nossa resposta à tentativa de polarização e divisão do povo reside na unidade da classe operária, na difusão das posições de classe no movimento, no reforço da força popular. A proposta do KKE reúne a maioria do povo no presente e para o futuro, contra o verdadeiro inimigo, a UE, o capital e sua dominação.

Atenas, 5 de Julho de 2015
Resultados finais do referendo :
NÃO: 61,31% dos votos válidos
SIM: 38,69% dos votos válidos
Nulos: 5,046%
Brancos: 0,75%
taxa de participação: 62,5%

[*] Secretário-geral do CC do KKE.

A versão em francês encontra-se em www.solidarite-internationale-pcf.fr/...

Esta declaração encontra-se em http://resistir.info/ .
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