30-01-2015

Link permanente 15:51:46, por José Alberte Email , 2534 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: O Brasil e a política do neoliberalismo Presidente Rousseff declara guerra à classe trabalhadora

O Brasil e a política do neoliberalismo
Presidente Rousseff declara guerra à classe trabalhadora

por James Petras

http://resistir.info/petras/petras_brasil_14dez14.html

A classe trabalhadora brasileira está a enfrentar o mais selvagem assalto aos seus padrões de vida em mais de uma década. E não são apenas os trabalhadores industriais que estão sob ataque. Os trabalhadores rurais sem terra, os empregados assalariados do sector público e privado, professores, profissionais da saúde, desempregados e pobres estão a enfrentar cortes maciços no rendimento, nos empregos e nos pagamentos de pensões.

Quaisquer que tenham sido os ganhos obtidos entre 2003-2013, serão revertidos. Os trabalhadores brasileiros enfrentam uma "década de infâmia". O regime Rousseff abraçou a política do "capitalismo selvagem" tal como personificado na nomeação de dois dos mais extremos advogados de políticas neoliberais.

O "Partido dos Trabalhadores" e a ascendência do capital financeiro

No princípio de Dezembro de 2014, a presidente Rousseff nomeou Joaquim Levy como o novo ministro das Finanças – de facto o novo czar económico para dirigir a economia brasileira. Levy é um importante membro da oligarquia financeira brasileira. Entre 2010-2014 foi presidente do Bradesco Asset Management, um braço de gestão de activos do gigantesco conglomerado Bradesco que administra mais de 130 mil milhões de dólares. Desde os seus tempos de doutoramento na Universidade de Chicago, Levy é um leal seguidor do supremo neoliberal, o professor Milton Friedman, antigo conselheiro económico do ditador militar chileno Augusto Pinochet. Como antigo responsável de topo no Fundo Monetário Internacional (1992-1999), Levy foi um forte advogado de duros programas de austeridade os quais uma década depois empobreceram o Sul da Europa e a Irlanda. Durante a presidência de Henrique Cardoso, Levy actuou como estratega económico de topo, envolvido directamente na maciça privatização de empresas públicas lucrativas – a preços de saldo – e na liberalização do sistema financeiro, a qual facilitou a saída financeira ilícita de US$15 mil milhões por ano. A presença de Levy como membro eminente da oligarquia financeira do Brasil e seus profundos e antigos laços a instituições financeiras internacionais é precisamente a razão porque a presidente Rousseff o colocou como responsável da economia brasileira. A nomeação de Levy é parte integral da adopção por Rousseff de uma nova estratégia de aumentar amplamente os lucros do capital financeiro estrangeiro e interno, na esperança de atrair investimentos em grande escala e findar a estagnação económica.

Para a presidente Rousseff e seu mentor, o ex-presidente Lula da Silva, toda a economia deve ser direccionada para obter a "confiança" da classe capitalista.

As políticas sociais que foram implementadas anteriormente são agora sujeitas à eliminação ou redução, pois o novo czar financeiro, Joaquim "Jack o Estripador" Levy, avança na aplicação da sua "terapia de choque". Cortes profundos e abrangentes na parte do rendimento nacional que cabe ao trabalho estão no topo da sua agenda. O objectivo é concentrar riqueza e capital nos dez por centos superiores na esperança de que invistam e aumentem o crescimento.

Se bem que a nomeação de Levy represente decididamente uma viragem para a extrema-direita, as políticas e práticas económicas dos doze anos anteriores prepararam os fundamentos para o retorno de uma versão virulenta da ortodoxia neoliberal.

Os fundamentos económicos para o retorno de capitações selvagens

Durante a campanha eleitoral em 2001, Lula da Silva assinou um acordo económico com o FMI que garantia um excedente orçamental de 3%. Lula quis tranquilizar banqueiros, financeiros internacionais e multinacionais assegurando que o Brasil pagaria seus credores, aumentaria as reservas [de divisas] estrangeiras para remessa de lucros e fluxos financeiros ilícitos para o exterior.

A adopção por Lula de políticas orçamentais conservadoras foi acompanhada pelas suas políticas de austeridade, redução de salários de funcionários públicos e de pensões, bem como de proporcionar apenas aumentos marginais no salário mínimo. Acima de tudo, Lula apoiou todas as privatizações corruptas que tiveram lugar sob o anterior regime Cardoso. No fim do primeiro ano de Lula no governo, em 2003, a Wall Street louvou-o como o "Homem do ano" pelas suas "políticas pragmáticas" e a sua desmobilização e desradicalização dos principais sindicatos e movimentos sociais. Em Janeiro de 2003, o presidente Lula da Silva nomeou Levy como secretário do Tesouro, uma posição que ele manteve até 2006 – o mais socialmente regressivo período da presidência Lula da Silva. Este período também coincidiu com uma série de escândalos de corrupção enormemente lucrativos, de muitos milhares de milhões de dólares, envolvendo dúzias de altos responsáveis do PT no regime Lula que recebiam comissões clandestinas das principais companhias de construção.

Dois acontecimentos em meados dos anos 2000 permitiram a Da Silva moderar suas políticas e introduzir reformas sociais limitadas. O boom das commodity – um aumento agudo na procura e nos preços das exportações agro-minerais – encheu os cofres do Tesouro. E a pressão acrescida dos sindicatos, dos movimentos rurais e dos pobres por uma fatia na prosperidade económica levou a aumentos em gastos sociais, salários e crédito fácil sem afectar a riqueza, propriedade e privilégios da elite. Com o boom económico, Lula podia também satisfazer o FMI, o sector financeiro e a elite dos negócios com subsídios, isenções fiscais, juros baixos nos empréstimos e lucrativos contratos estatais com "sobrepreços". Os pobres receberam 1% do orçamento através de uma "subvenção familiar", uma esmola de US$60 por mês, e trabalhadores mal pagos receberam um salário mínimo mais alto. O custo do bem-estar social (social welfare) foi uma fracção dos 40% do orçamento que os bancos receberam em pagamentos do principal e de juros na dúbia dívida pública incorrida pelos anteriores regimes neoliberais.

Com o fim do boom, o governo de Rousseff reverteu às políticas ortodoxas de Lula no período 2003-2005 e renomeou Levy para executá-las.

A terapia de choque de Levy e suas consequências

A tarefa de Levy de reconcentrar rendimento, ascender lucros e reverter políticas sociais será muito mais árdua em 2014-2015 do que foi em 2003-2005. Principalmente porque, anteriormente, ele estava simplesmente a continuar as políticas do regime Cardoso – e Lula prometeu aos trabalhadores que isso era apenas temporário. Hoje Levy deve cortar e retalhar ganhos que os trabalhadores e os pobres consideravam como garantidos. De facto, em 2013-2014 movimentos de massa urbanos pressionavam por maiores despesas sociais em transportes, educação e saúde.

Para a terapia de choque de Levy avançar, em algum ponto será necessária repressão, como foi o caso no Chile e na Europa do Sul quando políticas de austeridade semelhantes deprimiram rendimentos e multiplicaram o desemprego.

Levy propõe resgatar os interesses do capital financeiro tomando várias medidas cruciais, as quais estarão alinhadas com a agenda da Wall Street, da City de Londres e dos potentados financeiros brasileiros. Consideradas na sua totalidade, as políticas financeiras de Levy equivalem a "tratamento de choque" – medidas económicas duras e rápidas aplicadas contra os padrões de vida dos trabalhadores, o equivalente a choques eléctricos em pacientes com perturbações aplicados por psicólogos dementes a afirmarem que "sofrimento é ganho", mas que mais frequentemente transformam os pacientes em zumbis ou coisa pior.

A primeira prioridade de Levy é cortar e retalhar investimentos públicos, pensões, pagamentos por desemprego e salários do sector público. Sob o pretexto de "estabilizar a economia" (para os grupos financeiros) ele desestabilizará a economia familiar de dezenas de milhões. Ele cancelará isenções fiscais para a massa de consumidores que compra carros, electrodomésticos e "produtos da linha branca", aumentando portanto os custos para milhões de famílias da classe trabalhadora ou expulsando-as do mercado através dos preços. O objectivo de Levy é desequilibrar orçamentos familiares (aumento da dívida em relação ao rendimento) a fim de aumentar o excedente do orçamento do Estado e assegurar plenos e prontos pagamentos de dívidas a credores como o seu próprio conglomerado Bradesco.

Em segundo lugar, Levy "ajustará" preços. Mais especificamente o controle do preço final de combustíveis, energia e transportes de modo a que os oligarcas financeiros com milhões de acções naqueles sectores possam elevar preços e "ajustar" sua riqueza ascendente para os milhares de milhões de dólares. Em consequência, a classe trabalhadora e a média terão de gastar uma maior fatia do seu rendimento declinante com combustível, transporte e energia.

Em terceiro lugar, Levy provavelmente deixará a divisa enfraquecer a fim de promover exportações agro-minerais sob o disfarce da maior "competitividade". Mas uma divisa mais barata aumentará o custo de importações, especialmente de alimentos básicos e bens manufacturados. A desvalorização de facto atingirá mais duramente os milhões que não podem proteger suas poupanças e favorecerá os especuladores financeiros que capitalizarão nos movimentos da divisa. E estudos comparativos demonstram que uma divisa mais barata não aumenta necessariamente os investimentos produtivos.

Em quarto lugar, é provável que Levy afirme que as falhas de energia devidas à seca, a qual reduziu a produção das hidroeléctricas do Brasil, exigem "reforma" do sector da energia, eufemismo de Levy para privatização. Ele proporá a liquidação do gigante semi-público Petrobrás e acelerará a privatização da exploração de sítios offshore, em termos favoráveis a grandes bancos de investimento.

Em quinto lugar, é provável que Levy retalhe e incinere regulamentações ambientais e de negócios, incluindo aquelas que afectam a floresta tropical, direitos do trabalho e dos índios, a fim de facilitar a entrada e saída rápida de capital financeiro.

A "terapia de choque" de Levy terá um profundo impacto social e económico sobre a sociedade brasileira. Toda indicação, de experiências passadas e presentes, é que em todo o país onde "Chicago boys", como Levy, aplicaram sua fórmula de "choque", o resultado foi profunda recessão económica, regressão social e intranquilidade política.

Ao contrário das expectativas da presidente Rousseff, cortes em crédito, salários e investimento público deprimirão a economia – remetendo-a da estagnação para a recessão. A retrógrada equilibragem do orçamento diminui a procura e não induz fluxos de capital produtivo. Os sectores de crescimento mais dinâmico na manufactura, indústria automobilística, serão drástica e adversamente afectados pelos aumentos nos impostos sobre compras. E o mesmo se passa quanto a electrodomésticos.

Até agora a expansão do investimento público fora a principal força condutora do magro crescimento económico. Não há razão racional para acreditar que vastos fluxos de capitais privados subitamente preencherão a lacuna, especialmente num mercado em contracção. Isto é especialmente verdadeiro se, como é provável que aconteça, o conflito de classe se intensificar na generalidade devido a reduções em salários e padrões de vida.

Levy, como todos os fanáticos do mercado livre, argumentará que a recessão e regressão é necessária a curto prazo e que "no longo prazo" terá êxito. Mas em todos os países contemporâneos que seguiram sua fórmula de choque, o resultado foi a regressão prolongada. A Grécia, Espanha, Itália e Portugal estão no sétimo ano de austeridade que induziu a depressão e a sua dívida pública está em crescimento .

As efectivas consequências reais da terapia de choque

Temos de por de lado as afirmações ideológica de "estabilidade e crescimento" dos Levyitas e olhar para os resultados reais das políticas que ele promete.

Em primeiro lugar e acima de tudo, as desigualdades aumentarão porque quaisquer ganhos no rendimento serão a seguir concentrados no topo. As políticas do governo de desregulamentação orçamental e das taxas de câmbio aprofundarão os desequilíbrios na economia, favorecendo credores em relação a devedores, a finança estrangeira em relação a manufacturas locais, os proprietários de capital em relação aos trabalhadores assalariados, o sector privado em relação ao sector público.

Levy na verdade "assegurará a confiança do capital" porque o que é alcunhado como "confiança do investidor" repousa sobre uma licença sem empecilhos para pilhar o ambiente, reduzir salários e explorar um crescente exército de reserva de desempregados.

Conclusão

A terapia de choque de Levy intensificará a tensão de classe e inevitavelmente resultará na ruptura do pacto social entre o regime do assim chamado Partido dos Trabalhadores e os sindicatos, os trabalhadores rurais sem terra e os movimentos sociais urbanos.

Rousseff e a liderança do pretenso "Partido dos Trabalhadores", confrontada com a estagnação económica resultante do declínio no preços das commodities e da decisão do capital privado de evitar investimentos, podia ter optado por socializar a economia, acabar com o capitalismo de compadrio (crony capitalism) e aumentar o investimento público. Ao invés disso, eles capitularam. Rousseff reciclou as políticas neoliberais ortodoxas que Lula implementou durante os primeiros dois anos do seu regime.

Ao invés de mobilizar trabalhadores e profissionais para mudanças estruturais mais profundas, Rousseff e Lula da Silva estão a contar com a "ala esquerda" do PT para lamentar, criticar e conformar-se. Eles estão a contar com líderes cooptados da confederação sindical (CUT) para hiper-ventilar e limitarem-se a protestos simbólicos inconsequentes os quais não abalarão a "terapia de choque" de Levy. Contudo, o âmbito, profundidade e extremismo do assim chamado programa de ajustamento e estabilização de Levy provocarão greves gerais, sobretudo no sector público. Os cortes na indústria automobilística e o aumento do desemprego resultarão em acções de protesto no sector manufactureiro. Os cortes no investimento público e a ascensão nos custos do transporte, cuidados de saúde e educação revitalizarão os movimentos de massa urbanos.

Dentro de um ano, as políticas de choque de Rousseff e Levy converterão o Brasil num caldeirão fervente de descontentamento social. Os gestos pseudo-populistas de Lula e a retórica vazia não terão efeitos. Rousseff não será capaz de convencer o povo trabalhador a aceitar o viés de classe do programa de "austeridade" de Levy, seus incentivos para "ganhar a confiança dos mercados internacionais" e sua política de contracção do rendimento da vasta maioria do povo trabalhador.

As políticas de Levy aprofundarão a recessão, não redespertarão os espíritos animais de empresários. Após um ano de "mais sofrimento e nenhum ganho" (excepto quanto a lucros mais altos para financeiros e exportadores agro-minerais), a presidente Rousseff enfrentará o inevitável resultado político negativo de ter perdido o apoio dos trabalhadores, da classe média e dos pobres rurais sem ganhar o apoio dos negócios e da elite financeira – eles têm os seus próprios líderes confiáveis. Uma vez tendo posto em prática suas radicalmente regressivas políticas de mercado livre, e tendo provocado maciço descontentamento popular, Levy demitir-se-á e retornará à presidência do Bradesco, do fundo de investimento de muitos milhares de milhões de dólares, declarando "missão cumprida".

Rousseff pode substituir Levy e tentar "moderar" sua "terapia de choque". Mas nessa altura será demasiado pouco e demasiado tarde. O Partido dos Trabalhadores acabará no caixote de lixo da história. A decisão de Rousseff de nomear Levy como czar económico é uma declaração de guerra de classe . E a fim de vencer a guerra de classe, não podemos excluir que as políticas radicalmente regressivas serão impostas pela violência estatal – a repressão de protestos da massa urbana, o desalojamento selvagem de pacíficos trabalhadores rurais sem terra que ocuparem terras devolutas.

A viragem do regime do "Partido dos Trabalhadores" do "neoliberalismo inclusivo" para o extremismo friedmanista do livre mercado radicalizará e polarizará a sociedade brasileira. A oligarquia pressionará pela remilitarização da sociedade civil. Isto por sua vez, estimulará o crescimento da consciência de classe dos movimentos sociais, como aqueles que terminaram vinte anos de domínio militar. Talvez desta vez a revolução social (social upheaval) possa não acabar numa democracia liberal, talvez a luta que vem aí traga o Brasil mais próximo de uma república socialista.
14/Dezembro/2014

Do autor sobre o Brasil:
A luta dos trabalhadores triunfa sobre o espectáculo
O capitalismo extractivo e o grande salto para trás

O original encontra-se em www.globalresearch.ca/...

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

23-01-2015

Link permanente 22:37:27, por José Alberte Email , 265 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: QE, uma medida de desespero e um fracasso reencenado

http://resistir.info/

QE, UMA MEDIDA DE DESESPERO E UM FRACASSO REENCENADO

A quantitative easing (QE) agora lançada pelo Banco Central Europeu é uma medida de desespêro. Há um par de anos atrás seria impensável que o sr. Mario Draghi se atrevesse a propor, ou sequer a falar nisso. Se o faz agora, é porque todos os outros remédios, receitas & mezinhas fracassaram.   Mesmo analistas conservadores reconhecem-no sem rodeios. Wolfgang Münchau, escrevendo no Financial Times (19/Jan/15), considera que "Isto não vai ser uma versão preventiva do QE, mas uma versão pós-traumática. As expectativas inflacionárias afastaram-se do alvo faz tempo.   A inflação é negativa. A economia da Eurozona está doente" (sic).

Em tempos normais, a injecção monetária pode ser um estímulo ao investimento produtivo, via concessão de crédito. Mas os tempos actuais não são normais. As taxas de juro estão baixíssimas mas o investimento é mínimo – não por escassez de crédito, mas por falta de procura efectiva.  
No caso de Portugal, Espanha, etc... a Formação Líquida de Capital Fixo é negativa. Isso significa que a capacidade produtiva do país não só não está a crescer como está mesmo a contrair. Diante disto, que sentido faz o BCE vir a comprar títulos da dívida pública dos países da Eurozona?   Assim, tudo indica que os 500 mil milhões anunciados pelo sr. Draghi não resolverão a crise das economias reais da zona Euro – apenas alimentarão bolhas nos mercados financeiros.   O fracasso da QE nos EUA – onde permitu o salvamento de bancos mas não o relançamento da actividade produtiva – será agora reencenado na Europa.

17-01-2015

Link permanente 20:10:42, por José Alberte Email , 1047 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: Os Aznar-Botella preparam as malas para EE.UU: o PP achança o terreno com subvençons milionárias

http://www.elespiadigital.com/index.php/noticias/politica

Os Aznar-Botella preparam as malas para EE.UU: o PP achança o terreno com subvençons milionárias

Felipe González marcha-se a Colômbia e para José María Aznar, em mudança, o paraíso perdido está em Nova Iorque, cidade na que tenta instalar-se quando tenha que sair de Espanha, segundo os jornalistas Jesús Cacho e Graciano Palomo, que o conhecem bem. Tanto Colômbia como EE.UU possuem convénio de extradiçom, polo que em caso que ambos pudessem ser processados, teriam que cumprir condenaçom em cárceres espanhóis. Mas eles preferem que, se isso ocorresse, surpreenda-lhes além de os mares. De facto, ao menos três dirigentes do Partido Popular tenhem subvencionado com fundos públicos espanhóis a empresas americanas das que Aznar beneficiou. E o seu filho José Maria Aznar Botella, residente em Nova Iorque, trabalha na empresa neoiorkina Cerberus Capital Management, à que Bankia cedeu mais de 12.000 milhons de euros de activos imobiliários.

José Maria Aznar planea ir-se de Espanha se se confirmam as fontes que lhe o desvelárom aos jornalistas Jesús Cacho e Graciano Palomo. "Os Aznar emigram de Espanha" Nom cairá essa breva!", escreveu este último: "Chama-me um veterano cargo bem abigarrado do Partido Popular que outrora se deixou a pele a tiras na sua demarcaçom eleitoral para que o entom frágil Aznar fizesse carreira com o minguadinho que era para perguntar-me se eu podo dar fé de que Fazmatella S.L. tem pensado escapar-se de Espanha porque na sua terra nom se reconhecem os méritos do leviatám político e da sua aguerrida esposa". Alude assim aos seus intuitos e às iniciais que recolhem o nome da empresa Família Aznar-Botella.

"Estou com as minhas dúvidas de que fagam as malas e instalem-se em Nova Iorque como maliciam alguns dos seus próximos. Aqui disponhem de viandas bem condimentadas, uns bons ingressos por partida dupla, bla, bla, bla. Se se vam vam-lhes a chorar poucos. Rajoi, nom; Cospedal, também nom. Entre outros", di Palomo. Com isso aludia à notícia proporcionada polo soado e anónimo "Buscón" do diário Vozpópuli, que dirige Jesús Cacho, onde se escreveu sobre o "saturaçom" do casal político, segundo um amigo da família", o que "levou-lhes a recapitular a situaçom" e a "estar a pensar muito seriamente em levantar o campo de Espanha para ir-se a viver a Estados Unidos, concretamente a Nova Iorque".

"Há tempo que os negócios passárom a converter no interesse prioritário do ex presidente, muitos de cujos amigos, alguns entre os mais influentes e poderosos, encontram nos Estados Unidos, porque é gente da direita norte-americana, o qual explicaria também o interesse por transferir o seu centro de operaçons a USA, fugindo do ninho de vespas espanhol e do que Aznar em concreto considera "uns maus tratos generalizados". No Partido Popular, contodo, nom acham que o sangue chegue ao rio, e pensam que o casal Aznar-Botella vai de farol: "A condiçom de lobista de José María, com a que se ganha tam estupendamente a vida, tem a sua razom de ser, a sua alavanca, a sua sustentaçom, na sua condiçom de presidente da Fundaçom FAES e na sua capacidade para abrir portas ante a Administraçom e ante o Governo do PP, e isso ia perdê-lo abandonando Madrid", assinalam estas fontes.

A saída de Espanha dos Aznar coincidiria com a residência do seu filho maior homónimo e com a prévia "semeia" de dinheiro público que fixo o seu pai durante o seu mandato neste território. Aznar foi acusado com provas de pagar com fundos estatais a um lobby de Washington para conseguir a medalha do Congresso da EE.UU. O contrato foi de 2 milhons de dólares com a empresa de advogados Piper Rudnick e pagárom-no os entom políticos do PP Ana Palácio e Ramón Gil Casares através do Ministério de Assuntos Exteriores. Jamais se abriu umha investigaçom a respeito disso e o beneficiado nem os pagadores nunca reintegrárom o dinheiro.

Entre os "amigos" norte-americanos de Aznar que alude a notícia e que lhe sugerem que fuja de Espanha estám o rabino Arthur Schneier, presidente da Fundaçom "Appeal of Conscience", G. Alhen Andreas, director geral da companhia Daniels Midland, o presidente de Boeing, Philip M. Condit, o ex presidente da Reserva Federal Paul A. Vokcker e o presidente da Corporaçom para o Desenvolvimento da Cidade, John C. Whitehead.

A jornalista Rocio Campos, de Informaçom Sensível, descobriu ademais que o seu filho, José Maria Aznar Botella, é conselheiro de Promontoria Plataforma S.L. filial de Cerberus Capital, um fundo abutre que compra activos tóxicos e bota aos inquilinos que nom podem pagar a hipoteca. Cerberus Capital Managament, com sede em Nova Iorque, criou umha rede de sociedades através de Promontoria Holding na Holanda, um paraíso fiscal, para entrar na Europa. Bankia cedeu-lhe mais de 12.000 milhons de euros de activos imobiliários à empresa de Aznar Botella em Setembro de 2013 num processo competitivo, mas a entidade nunca clarificou se houvo mais candidatos. Promontoria Plataforma S.L. conta com doce conselheiros entre os que também se encontra José Manuel Hoyos de Irujo, assessor económico e amigo pessoal do ex-presidente José María Aznar. Também nom se abriu nunca umha investigaçom parlamentar ou judicial sobre este trato entre Bankia e os Aznar.

O próprio Aznar foi contratado pola Universidade de Georgetown (Washington) mas previamente o seu amigo Alberto Ruiz Gallardón, também do PP, patrocinou a sua equipa de basquetebol universitário. Foram 1,1 milhons os que destinou a "actividades no estrangeiro", o que levou à jornalista Anjos Álvarez a perguntar por esta campanha com fundos públicos: "está desenhada para devolver à universidade de Georgetown o que Georgetown dá a Aznar via conferências"".

Para Anjos Álvarez "é evidente que mais que umha campanha para promover as vantagens da capital espanhola entre os estudantes americanos parece umha campanha com objectivos espúrios", já que "seria conveniente que Gallardón promove-se -por exemplo- às equipas madrilenas femininos no quanto de pagar encobertamente as conferências que o esposo de Ana Botella dá na Universidade de Georgetown". Ademais, a empresa eléctrica espanhola Endesa patrocinou igualmente a cátedra Príncipe das Astúrias neste mesmo centro académico, acordo que se subscreveu em 1999 com o PP de Aznar e prorrogou-se em 2005 com o PSOE de Zapatero. Posteriormente Endesa fichou a Aznar como "assessor" a razom de 200.000 euros anuais, que podem chegar aos 400.000 com os "prêmios" e "bonus". Nengum partido pediu jamais umha investigaçom nem também nom ninguém reintegrou o dinheiro público esfumado.

11-01-2015

Link permanente 20:20:47, por José Alberte Email , 304 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: Paul Craig Roberts: "Ataque contra 'Charlie Hebdo' foi umha operaçom de falsa bandeira"

http://actualidad.rt.com/actualidad/162898-roberts-ataque-paris-falsa-bandera-francia-vasallo-eeuu

O ex-subsecretario do Tesouro de EE.UU., Paul Craig Roberts, assegura que o ataque terrorista contra a sede de 'Charlie Hebdo' em Paris foi umha operaçom de bandeira falsa "desenhada para apontoar o estado vassalo da França ante Washington".

"Os suspeitos podem ser tanto culpados como bodes expiatórios. Basta lembrar todos os complôs terroristas criados pola FBI que serviram para fazer a ameaça terrorista real para os estadounidenses", escreveu Roberts num artigo publicado no seu sitio web.

O politólogo afirmou que as agências estadounidenses ham planeado as operaçons de falsa bandeira na Europa para criar ódio contra os muçulmanos e reforçar a esfera de influência de Washington nos países europeus.

"A Polícia encontrou o documento de identidade de Said Kouachi na cena do tiroteio [perto da sede de 'Charlie Hebdo']. Soa-lhes familiar? Lembrem que as autoridades afirmaram encontrar o passaporte intacto de um dos presumíveis seqüestradores do11-S entre as ruínas das torres gémeas. umha vez que as autoridades descobrem que os povos ocidentais estúpidos vam acreditar qualquer mentira transparente, vam recorrer à mentira umha e outra vez", diceu Roberto.

O anúncio da Polícia do achado do documento de identidade claramente aponta a que "o ataque contra 'Charlie Hebdo' foi um trabalho interno e que as pessoas identificadas pola NSA como hostis às guerras ocidentais contra os muçulmanos vam ser incriminadas por um trabalho interno desenhado para devolver a França sob o polegar de Washington", diceu o politólogo.

Assim mesmo, Roberts falou que a economia francesa está a sofrer polas sançons impostas por Washington contra Rússia. "Os estaleiros vem-se afectados ao nom poder entregar os pedidos russos devido à condiçom de vassalagem da França ante Washington", explicou e agregou que "outros aspectos da economia francesa estám a ser impactados negativamente polas sançons que Washington obrigou aos seus Estados peleles da NATO a aplicar contra Rússia".

09-01-2015

Link permanente 22:15:32, por José Alberte Email , 1608 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: Felipe González vai-se a Colômbia nacionalizado com os seus amigos "narcopolíticos": umha comissom de 19 milhoes

http://www.elespiadigital.com/index.php/noticias/politica/7773-felipe-gonzalez-se-va-a-colombia-nacionalizado-con-sus-amigos-narcopoliticos-una-comision-de-19-millones

Felipe González vai-se a Colômbia nacionalizado com os seus amigos "narcopolíticos": umha comissom de 19 milhoes

Mariano Rajoy nom se move mas dous dos seus predecessores, Felipe González (PSOE) e José María Aznar (PP) planejam o seu futuro fora de Espanha. O dirigente socialista haver recebido por fim a nacionalidade colombiana que tanto ansiava e poderá desfrutá-la com os seus amigos, entre eles os Marulanda. Cecília Marulanda, viúva do seu lhe velho e incondicional construtor Enrique Sarasola, e Virginia Vallejo, amante e também hoje "viúva" do conhecido "narco" Pablo Escobar, citam-se entre eles. Virginia lembra aquela viagem do falecido mafioso colombiano a Madrid para festejar junto a Felipe González e Alfonso Guerra no Hotel Palace a vitória eleitoral de 1982 e como corria a "coca" na sua tomada de posse.

Em mudança, o ex ministro e ex embaixador Carlos Arturo Marulanda, irmao de Cecilia, foi preso e encarcerado em Madrid polo juiz Juan do Olmo (Audiência Nacional) a requirimento da Interpol, por formaçom de grupos armados, terrorismo e malversaçom de fundos públicos. Para tentar blindar-se, havia condecorado a quatro eurodeputados espanhóis: Manuel Medina (PSOE), Ana Miranda de Lage (PSOE), José Ignacio Salafranca (PP) e Gerardo Galeote (PP), este último implicado na máfia Gürtel. Também o tentou com o funcionário da Comissom Europeia, José Luís Trimiño Pérez, mas o escândalo fixo intervir ao próprio presidente europeu, entom Jacques Santer, que o impediu apesar das travas impostas polo comissário socialista Manuel Marín.

O presidente da República, Juan Manuel Santos Calderón, outorgou o passado 1 de Dezembro a nacionalidade colombiana ao ex presidente do Governo de Espanha, Felipe González, numha discreta cerimónia celebrada no Salom Protocolario da Casa de Narinho. "Acho que nom há presidente que nom possa dizer que em momento de angústia ou de dúvida, aí estava Felipe González listo a dar os seus conselhos, a ajudar, a pôr o seu granito de areia em forma muito efectiva, ademais; sempre em forma desinteressada polo seu agarimo com Colômbia, com os colombianos", disso Santos Calderón. E nom lhe faltava razom: os seus laços com Colômbia centram-se sobretodo com dous casais, segundo descreveram elas mesmas. E com muitos políticos do regime.

Virgínia Vallejo, amante de Pablo Escobar, conhece bem a Felipe González. De facto confessa que "eu creio no socialismo, num socialismo à moda de Felipe González". Ela é jornalista, chegou a entrevistar ao dirigente espanhol do PSOE e contou no seu livro "Amando a Pablo, odiando a Escobar" até onde se remonta a sua relaçom com o seu agora compatriota: "Poucos meses antes de conhecer-nos, Escobar e Santofimio assistiram com outros congressistas colombianos à posse do presidente de Governo espanhol, o socialista Felipe González, cujo homem de confiança, Enrique Sarasola, está casado com a colombiana Cecilia Marulanda".

"A Felipe González entrevistar eu para televisom em 1981 e a Sarasola conhecer em Madrid durante a minha primeira viagem de lua de mel. Com expressom terrivelmente séria, Pablo descreveu-me a cena na que os outros parlamentares da comitiva pediam-lhe cocaína de presenteio numha discoteca madrilena e ele reagia insultado. E eu confirmei o que já sabia: que o Rei da Coca parece detestar, quase tanto como eu, o produto de exportaçom sobre o qual está a construir um autêntico império livre de impostos. A única pessoa a quem Pablo Escobar presenteou rocas de cocaína sem que tivesse sequer que pedi-las é o anterior namorado da sua namorada. E nom o fixo precisamente por razoes humanitárias ou filantrópicas".

Noutra ocasiom, o cunhado de Sarasola tentou vender-lhe a Escobar umha faustosa leira: "A polvoreira na fazenda do cunhado de Enrique Sarasola estalaria em 1996, sendo Carlos Arturo Marulanda embaixador ante a Uniom Europeia durante o governo de Ernesto Samper Pizano. Por acçom de esquadroes como os daqueles chulavitas utilizados polo seu pai meio século atrás, case quatro centenas de famílias camponesas seriam obrigadas a fugir de Bellacruz trás o incendeio das suas casas e a tortura e assassinato dos seus líderes em presença do Exército".

"Marulanda, acusado de conformaçom de grupos para-militares e violaçons dos direitos humanos, seria arrestado em Espanha em 2001 e extraditado a Colômbia em 2002. Duas semanas depois seria liberar sobre a base de que os delitos foram cometidos polos grupos paramilitares que esperavam no César e nom polo milionário amigo do presidente. Para Amnistia Internacional, o ocorrido na fazenda Bellacruz constitui um dos episódios de impunidade mais aberrantes na história recente de Colômbia. Diego Londoño White, como o seu irmao Santiago, seria posteriormente assassinado. E case todos os demais beneficiários da rapina do Metro e dos crimes de Bellacruz, ou os seus descendentes, desfrutam hoje dos mais dourados retiros em Madrid e Paris". A operaçom de compra e venda finalmente frustrou-se pola negativa do "narco":

"Marulanda é o cunhado de Enrique Sarasola. Di ao emissário que eu se que Bellacruz é a fazenda mais grande do país depois de umhas que tem o Mexicano nos Llanos, onde a terra nom vale nada, mas que nom lhe dou nem um milhom de dólares por ela porque eu nom som um desalmado como o pai do ministro. E claro que vai valer o dobro, o meu amor! Mas primeiro tem que buscar-se a outro tipo sem escrúpulos, como ele e o seu irmao, para que tire daí aos descendentes de toda essa pobre gente a quem o seu pai expulsou das suas parcelas a sangue e lume aproveitando do caos da Violência."

Quando Virginia Vallejo e Pablo Escobar falavam da "rapina do Metro" de Medellín referem-se a umha história que corria por Espanha como lenda urbana mas que hoje tem nomes e apelidos: "Explica-me que em Bellacruz está a gestar-se umha polvoreira que tarde ou cedo terminará num massacre. O pai do ministro, Alberto Marulanda Grilo, comprou as primeiras 6000 hectares nos anos quarenta e foi dobrando o tamanho do latifúndio com a ajuda de chulavitas, polícias que incendiavam ranchos, violavam, torturavam e assassinavam por encargo de quem contratasse os seus serviços. A irmá de Carlos Arturo Marulanda está casada com Enrique Sarasola, vinculado à sociedade espanhola Ateinsa de Alberto Cortina, Alberto Alcocer e José Entrecanales".

"Sarasola, amigo próximo de Felipe González, ganhou $19.6 milhoes de dólares de comissom e geriu a adjudicaçom do chamado «Contrato de engenharia do século», o Metro de Medellín, ao Consórcio Hispano-Alemám Metromed e aos seus sócios, entre eles Ateinsa. Diego Londoño White, gerente do projecto do Metro, grande amigo de Pablo e dono, com o seu irmao Santiago, das mansioes que ele e Gustavo utilizam como escritórios, foi o encarregado de negociar o contrato e tramitar as zumentas comissons. Segundo umha testemunha da rapina e a voracidade do grupo encabeçado por Sarasola, a adjudicaçom do Metro " na que receberiam honorários extravagantes desde uns advogados colombianos de apelido Puyo Basco até o despia alemám Werner Mauss ", «mais que umha licitaçom por um contrato de engenharia civil, parecia umha película de gángsters», conceito que outro social-democrata como Pablo Escobar parece partilhar plenamente".
"Quase ao mesmo tempo que Felipe González em Madrid, chega ao governo em Colômbia o seu amigo Belisario Betancur graças ao dinheiro do narcotráfico, que lhe pagou a sua campanha eleitoral. Betancur nomeia presidente da Câmara de Medellín a Álvaro Uribe quando a cidade é um feudo de Pablo Escobar. Uribe reúne-se com os capos do cártel de Medellín e ao quatro meses do sua nomeaçom, Betancur tem-o que destituir da câmara municipal por causa disso. Em Medellín Betancur atira o projecto multimilhonario de construçom de um metro, cujas obras adjudica a Sarasola, quem leva um belisco de 20 milhoes de dólares, que se reparte com Felipe González".

No negócio reaparece o espia alemám Werner Mauss, implicado na tentativa de assassinato de Cubillo em Argel em 1978, quem também leva o seu belisco correspondente. Daquela o próprio Betancur tivo que nomear umha comissom especial para "investigar" o chanchulho. O primeiro gerente do metro de Medellín é Diego Londoño White, quem acabou condenado polos seus vínculos com Pablo Escobar, assim como seqüestro, sendo finalmente assassinado em 2002 num ajuste de contas".

Quem assim se expressa é a web "Amnistia Presos", que conseguiu um documento gráfico que testemunha o que di Virginia Vallejo: Pablo Escobar no Hotel Palace durante o jantar de celebraçom da vitória do PSOE em 1982. Ademais revela 13 vínculos entre Felipe González e as elites social-democratas de Colômbia: Belisario Betancur (embaixador em Madrid e logo presidente); o casal Enrique Sarasola Lertxundi-Cristina Marulanda, filha de Alberto Marulanda Grilo, latifundista agrícola e accionista da companhia aérea Avianca".

Pablo Escobar, no jantar do Hotel Palace que celebra a vitória do PSOE em 1982

Também Alberto Santofimio Botero, ministro de Justiça, senador, presidente da Câmara de Representantes, duas vezes candidato presidencial e condenado em 2006 como autor do assassinato do também candidato presidencial Luís Carlos Galã, cometido em 1989, em cumplicidade com o capo do narcotráfico Pablo Escobar; Virginia Vallejo, o casal de Escobar e jornalista que chega a entrevistar a Felipe González. A presença de Escobar, Santofimio e e Jairo Ortega Ramírez, outro narcopolítico colombiano, está documentada mesmo na sentença contra Santofimio por assassinato. Existem imagens na festa do PSOE celebrando a vitória de 1982 do três narcopolíticos colombianos, que sentárom juntos na mesa do hotel, junto ao toureiro Luís Miguel Dominguín.

"O jornalista colombiano Gonzalo Guillén, presente àquele acto, afirma que foi Pablo Escobar quem lhe apresentou a Felipe González para que lhe pudesse entrevistar. Logo foram a umha discoteca, onde seguiram celebrando-o toda a noite. A polícia espanhola, que tinha fichado a Escobar, soubo com antecipaçom que ia viajar a Madrid e o hotel no que se hospedava. Os antidisturbios rodeárom o edifício e detiveram a vários congressistas do Partido Conservador colombiano que se deitárom cedo. Vestidos com os seus pijamas, foram cacheados, junto com as suas equipagens", conclui esta web.

06-01-2015

Link permanente 19:46:27, por José Alberte Email , 2026 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: CNAS, a versão democrata do imperialismo de conquista

http://www.voltairenet.org/article186383.html

CNAS, a versão democrata do imperialismo de conquista
Thierry Meyssan

No momento em que Washington não tem nenhuma política externa, mas várias políticas contraditórias e simultâneas, os «falcões liberais» reagruparam-se em torno do general David Petraeus e do Center for a New American Security (Centro para uma Nova Segurança da América- ndT). Thierry Meyssan apresenta-nos este grupo de reflexão política ( “think-tank” ), que agora desempenha o papel anteriormente atribuído ao Project for a New American Century (Projecto para um Novo Século Americano- ndT) na era Bush: promover o imperialismo expansionista e dominar o mundo.

A crise síria, para a qual a primeira conferência em Genebra já tinha encontrado uma solução, em junho de 2012, continua apesar de todos os acordos negociados com os Estados Unidos. É evidente que a administração Obama não obedece ao seu chefe, e que está, sim, dividida entre duas linhas políticas: de uma parte os imperialistas favoráveis a uma partilha do mundo com a China, e eventualmente a Rússia (é a posição Presidente Obama), e, por outro lado, os imperialistas expansionistas (reunidos à volta de Hillary Clinton e do general David Petraeus).

Para surpresa geral a destituição do director da CIA, e da secretário de Estado, aquando da reeleição de Barack Obama, não pôs fim à divisão da administração mas, pelo contrário, reforçou-a.

São de novo os imperialistas expansionistas quem relança a guerra contra a República Popular da Coreia sob o pretexto de um ataque cibernético contra a Sony Pictures, atribuída a Pyongyang contra toda a lógica. O Presidente Obama subscreveu, em última análise, o seu discurso e assinou um decreto de «sanções».

Parece que os partidários da expansão imperial se reagruparam, primeiro, para criar o Center for a New American Security (Centro para uma Nova Segurança da América), que jogou no Partido Democrata um papel equivalente ao do Project for a New American Century (Projecto para um Novo Século Americano), (e hoje da Foreign Policy Initiative-Iniciativa de Política Externa), no seio do Partido Republicano. Como tal, eles desempenharam um papel importante durante o primeiro mandato de Barack Obama e, para alguns, têm integrado o Estado profundo de onde continuam a puxar os cordelinhos.

Os falcões liberais

O Center for a New American Security (CNAS) foi criado em 2007 por Kurt Campbell e Michèle A. Flournoy.

Estes dois intelectuais haviam trabalhado, préviamente, em conjunto no Center for Strategic and International Studies -CSIS) (Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais- ndT). Aí, eles tinham editado, dois meses após os atentados de 11 de setembro de 2001, a publicação de To Prevail: An American Strategy for the Campaign Against Terrorism (Para Triunfar: Uma Estratégia Americana para a campanha contra o terrorismo) [1]. O livro glosava a decisão do presidente Bush de atacar não apenas os grupos terroristas mas também os Estados que os apoiavam, ou seja, os Estados falidos que fracassavam a combatê-los no seu solo. Inspirando-se nos trabalhos da Força Tarefa (Task Force) sobre o terrorismo do CSIS, a obra preconizava um desenvolvimento considerável das agências de inteligência afim de vigiar o mundo inteiro. Em suma, Campbell e Flournoy aceitavam a narrativa oficial dos atentados e justificavam a «guerra ao terrorismo», que iria enlutar o mundo durante mais de uma década.

Em 2003, Campbell e Flournoy assinavam, com mais treze outros intelectuais democratas, um documento intitulado Progressive Internationalism : A Democratic National Security Strategy (Internacionalismo Progressista : Uma Estratégia Nacional de Segurança Democrata- ndT) [2]. Este manifesto apoiava as guerras pós-11 de setembro, ao mesmo tempo que criticava a fraqueza diplomática do presidente Bush. Dentro da perspectiva da escolha do candidato democrata em 2004, os signatários entendiam promover o projecto imperial norte-americano, (defendido por George W. Bush), ao mesmo tempo que criticavam a forma como ele exercia a liderança, nomeadamente a dúvida que tinha semeado entre os aliados. Os signatários foram então rotulados «falcões liberais».

O CNAS

Aquando da sua criação, (2007), o CNAS afirmava querer renovar o pensamento estratégico norte-americano, após a Comissão Baker- Hamilton e a demissão do secretário da Defesa, Donald Rumsfeld. O lançamento contou com a presença de numerosos dignitários, entre os quais Madeleine Albright, Hillary Clinton e Chuck Hagel. Na época, Washington buscava uma escapatória do seu atoleiro no Iraque. Campbell e Flournoy entendiam preconizar uma solução militar, que permitisse aos exércitos dos EU continuar a ocupar o Iraque sem ter que esgotar aí as suas forças. Para prosseguir a sua expansão mundial, o imperialismo norte-americano devia, primeiro, elaborar uma estratégia contra-terrorista que lhe permitisse levar as suas tropas no Iraque para um contingente de numero reduzido.

Logicamente, Campbell e Flournoy trabalham, portanto, com o general David Petraeus, que acabava de ser nomeado comandante da Coligação (coalizão-br) militar no Iraque, já que ele era o autor do manual contra-insurreição da infantaria do Exército dos EU. Eles contratam um especialista australiano, David Kilcullen, que se vai tornar o guru do general Petraeus, e conceber a Surge (pressão contínua -ndT)). Segundo ele, a reversão dos insurgentes iraquianos é possível pelo uso combinado de dois factores (o pau e a cenoura): por um lado, um pagamento será feito aos resistentes que mudarem de campo, e que velarão por estabelecer a ordem no seu território e, por outro lado, uma forte pressão militar será exercida sobre eles por um aumento temporário da presença militar dos EU. Esta estratégia será implementada com o sucesso que se sabe : o país atravessa primeiro uma fase de intensa guerra civil, em seguida retorna lentamente à calma depois de ter sido profundamente destruído. Na realidade, a reversão de uma parte da resistência iraquiana só foi possível porque ela se organizava sobre uma base tribal.

De facto, durante este período, a CNAS e o general Petraeus são indissociáveis. Kilcullen torna-se conselheiro de Petraeus, depois da secretária de Estado Condoleezza Rice. A fusão é tal que o coronel John Nagl, assessor de Petraeus, se tornou presidente do CNAS, assim que Campbell e Flournoy entram na administração Obama.

A originalidade do CNAS era a de ser um “think-tank” (“centro intelectual de pressão política”- ndT) Democrata, que aceita a colaboração e integra falcões republicanos. Ele multiplica, aliás, as reuniões e debates com membros do Project for a New American Century (Projeto para um Novo Século Americano- ndT). Ele é financiado por industriais de armamento ou fornecedores da Defesa (Accenture Federal Services, BAE Systems, Boeing, DRS Technologies, Northrop Grumman), financeiros (Bernard L. Schwartz Investments, Prudential Financial), fundações (Carnegie Corporation of New York, Fundação William e Flora Hewlett, Fundo Ploughshares, Fundação Smith Richardson, Zak Família Charitable Trust) e governos estrangeiros (Israel, Japão, Taiwan).

Durante a campanha eleitoral, Campbell e Flournoy publicaram as suas recomendações para o próximo presidente: The Inheritance and the Way Forward (A Herança e a Via a seguir- ndT) [3]. Na era Bush, eles questionaram o princípio da «guerra preventiva» e a prática da tortura. Além disso, eles recomendam o reformular da guerra contra o terrorismo, de maneira a evitar o «choque de civilizações», que privaria Washington dos seus aliados muçulmanos.

A administração Obama

Eleito presidente dos Estados Unidos, Barack Obama designa Michèle Flournoy para monitorizar a transição no Departamento de Defesa. Logicamente, ela foi nomeada sub-secretário da Defesa encarregue da política, quer dizer, ela devia elaborar a nova estratégia de Defesa. Ela é então o no 2 do departamento e gere um orçamento de $ 200 milhões de dólares.

Por seu lado, Kurt Campbell foi nomeado para o Departamento de Estado, afim de dirigir o gabinete do Extremo Oriente e do Pacífico.

Campbell e Flournoy vão, então, ser os promotores da estratégia de “pivô”. Segundo eles, os Estados Unidos devem preparar-se para um confronto futuro com a China. Nesta perspectiva, eles devem, lentamente, fazer girar as suas forças armadas da Europa e do Médio Oriente alargado para o Extremo Oriente.

O CNAS torna-se tão popular que vários dos seus colaboradores vão entrar para a administração Obama :
- Rand Beers tornar-se-á secretário para a Segurança da Pátria,
- Ashton Carter, sub-secretário para a Defesa encarregue das aquisições, depois secretário para a Defesa,
- Susan Rice, embaixatriz nas nações unidas, depois conselheira nacional de segurança,
- Robert Work, adjunto do secretário da Defesa, e ainda :
- Shawn Brimley, conselheiro especial do secretário da Defesa para a estratégia, depois director da planificação no Conselho de segurança nacional,
- Price Floyd, assistente adjunto do secretário da Defesa para as relações públicas,
- Alice Hunt, assistente especial no departamento da Defesa,
- Colin Kahl, assistente adjunto do secretário da Defesa para o Próximo- Oriente, depois conselheiro de segurança nacional junto do vice- presidente,
- James Miller, sub-secretário da Defesa, adjunto para a política,
- Eric Pierce, adjunto do chefe do departamento da Defesa encarregue das relações com o Congresso,
- Sarah Sewall virá a ser, em 2014, sub-secretário de Estado para a Democracia e os Direitos do homem,
- Wendy Sherman virá a ser, em 2011, sub-secretário de Estado para os Assuntos políticos,
- Vikram Singh, conselheiro especial do secretário da Defesa para o Afeganistão e o Paquistão,
- Gayle Smith, directora para o Desenvolvimento e a Democracia no Conselho nacional de segurança,
- James Steinberg, adjunto da secretária de Estado,
- Jim Thomas, assistente adjunto do secretário da Defesa para os Recursos,
- Edward (Ted) Warner III, conselheiro do secretário da Defesa para o contrôlo de armamentos.

A influência do CNAS

Michèle Flournoy, que ambicionava tornar-se secretária da Defesa, foi afastada deste posto, em 2012, por ser considerada muito próxima de Israel. No entanto, ela está agora omnipresente nas instâncias de reflexão sobre a Defesa : é membro do Defense Science Board (Conselho Científico da Defesa), do Defense Policy Board (Conselho Político de Defesa) e do President’s Intelligence Advisory Board (Conselho Consultivo da Presidência para a Inteligência).

Salta à vista que as suas sugestões políticas são seguidas, tanto no que diz respeito ao «Médio-Oriente Alargado» como ao Extremo-Oriente.

O CNAS apoiou os esforços de Wendy Sherman para negociar a retoma das negociações diplomáticas com Teerão. De maneira bastante transparente, ela sublinhou que o problema com o Irão era menos a questão nuclear do que a exportação da sua Revolução. Ela preconiza, portanto, uma série de acções extremamente duras para destruir as redes iranianas em África, na América Latina e no Próximo-Oriente [4].

Em relação à Síria, o CNAS considera que será impossível derrubar a República a curto prazo. Aconselha pois a «estratégia do torniquete» : utilizar o consenso, que se criou contra o Emirado islâmico, para que todos os Estados implicados façam pressão sobre Damasco e sobre os grupos de oposição afim de se chegar a uma acalmia militar —mas sem, no entanto, colaborar com o presidente el-Assad contra o Emirado islâmico—.

O esforço deverá, pois, ao mesmo tempo traduzir-se na obrigação da República integrar no governo elementos da oposição pró-atlantista, e, sobre a ajuda humanitária e logística providenciada às zonas rebeldes de modo a que elas se tornem atractivas. Uma vez os pró-atlantistas colocados no governo, eles serão encarregados de identificar as engrenagens do aparelho do Estado secreto de maneira a que ele, ulteriormente, possa ser destruído. A originalidade do plano é a de reivindicar o deserto sírio para os rebeldes que recusassem entrar no governo. Ora, este deserto representa 70% do território e abriga o essencial das reservas de gás [5].

O CNAS dirige uma atenção particular à Internet. Trata-se de limitar as críticas ao governo, de modo a que a espionagem da N.S.A. (Agência Nacional de Segurança- ndT) possa continuar com a mesma facilidade [6]. Simultaneamente, ele preocupa-se com a maneira como a China popular se protege da espionagem da N.S.A [7].

No Pacífico, o CNAS preconiza uma aproximação com a Índia, a Malásia e a Indonésia. Ele concebeu um plano de modernização do dispositivo contra a Coreia do Norte.
Os responsáveis actuais

Progressivamente, o CNAS —que era uma iniciativa democrata contando com a colaboração de neo-conservadores republicanos— tornou-se o principal centro de estudos promovendo um imperialismo implacável.

Além de Kurt Campbell e Michèle Flournoy, salienta-se entre os seus dirigentes :
- o general John Allen, comandante da Coligação anti-Daesh,
- Richard Armitage, antigo adjunto da secretaria de Estado,
- Richard Dantzig, vice-presidente da Rand Corporation,
- Joseph Liberman, o antigo porta-voz israelita no Senado,
- o general James Mattis, antigo comandante do CentCom.

Entretanto, o CNAS é levado a um ainda maior desenvolvimento, já que, agora, ele é o principal “think tank”, capaz de se opôr à baixa do orçamento da defesa dos E.U. e de relançar a indústria de guerra.
Thierry Meyssan

Tradução
Alva

Fonte
Al-Watan (Síria)

05-01-2015

Link permanente 13:33:30, por José Alberte Email , 775 palavras   Português (GZ)
Categorias: Novas

CANTA O MERLO: “Não queremos viver com migalhas”

http://es.kke.gr/pt/firstpage/

Milhares de pessoas de todas as partes da Grécia enviaram, na grandiosa manifestação, uma mensagem de luta e de reivindicação da vida que lhes pertence. Foi uma mensagem decisiva por uma outra sociedade, em que a classe operária pode usufruir da riqueza que produz.

Mais de 1000 organizações do movimento operário e popular (federações sindicais setoriais e de locais de trabalho, sindicatos, comissões de luta, organizações e associações de agricultores, associações de trabalhadores por conta própria, associações de estudantes e de jovens do ensino secundário, associações de mulheres, de reformados, comissões populares, etc.) participaram na iniciativa da Frente Militante de todos os Trabalhadores (PAME), na magnífica manifestação nacional, que se realizou no sábado, 1 de novembro, na praça Sintagma frente ao parlamento.

Dezenas de milhares de pessoas vieram de autocarro do continente, mas também de Creta, das Ilhas do Mar Egeu e das Ilhas Jónicas e concentraram-se em 9 pontos diferentes da capital grega. Desfilaram depois até à Praça Sintagma, que se tornou demasiado pequena para acolher todos os manifestantes (nota: ver a imagem do local que mostra a dimensão da manifestação2).

O Secretariado Executivo da PAME, na sua declaração, saudou o mar de gente – nada menos de 100 000 pessoas – que inundou o centro de Atenas.

Dirigindo-se à manifestação, Giorgos Perros, membro do Secretariado Executivo da PAME, referiu-se às questões ligadas ao desemprego, afirmando que “nenhum desempregado pode ficar sozinho a enfrentar a pobreza e o desemprego”. Apelou ainda aos trabalhadores para porem fim ao roubo dos salários e dos rendimentos do povo. Apelou ainda à luta por aumentos reais dos seus rendimentos, nos salários e nas pensões.

Como o orador sublinhou: “As reivindicações do movimento dos trabalhadores, como objetivo de recuperarem as perdas que sofreram, devem ser agressivas e baseadas nas nossas atuais necessidades. Para que tais reivindicações se concretizem e consolidem, devem estar paralelamente ligadas à luta contra os objetivos e as políticas da UE, o memorando e as dívidas que não contraímos”.

Sublinhou também que «o nosso dever é resistir ao “realismo” a respeito dos limites da resistência da economia que está contido nas propostas do governo e na oposição oficial, que ajustam as nossas reivindicações às necessidades do capital. Dizem-nos que, se os patrões não existirem, se a rentabilidade não existir, não conseguiremos viver e seremos destruídos. Mas nós dizemos que podemos viver sem patrões, que somos nós que produzimos a riqueza, que ela tem de nos ser devolvida».

A luta pelo sucesso da greve geral de 27 de novembro começa com esta grandiosa manifestação nacional como ponto de partida.

A manifestação nacional aprovou duas resoluções, em resposta à solidariedade internacionalista que os manifestantes receberam de dezenas de organizações sindicais de todo o mundo. A primeira resolução é uma mensagem internacionalista de classe com a classe operária da Turquia, por ocasião do novo crime dos patrões numa mina da região de Karaman. A segunda resolução apelou às “organizações sindicais e às organizações do movimento popular para condenarem a injusta e bárbara prisão dos 5 patriotas cubanos através resoluções, declarações, mensagens de solidariedade e outras iniciativas” e sublinhou a necessidade do fortalecimento do movimento de solidariedade que luta pela sua libertação.

Declaração do Secretário-geral do KKE

Dimitris Koutsoumpas, Secretário-geral do CC do KKE, fez a seguinte declaração na manifestação nacional na Praça Sintagma:

“Só há um caminho em frente para não perder tempo, para enfrentar a fraude, a desorientação, a linha política antipopular do governo e os vários truques do bipartidarismo. A magnífica manifestação da PAME, hoje, mostra esse caminho em frente. Esta manifestação desencadeou-se por iniciativa da PAME por todo o país e foi abraçada por mais de 1000 organizações de trabalhadores do setor público e privado, pelo movimento dos trabalhadores por conta própria nas cidades, pelos pequenos agricultores, a juventude, os estudantes e as mulheres. Este é o caminho que devemos seguir, esta é a nossa solução: resistência, luta, aliança popular para alcançar trabalho estável e permanente para todos, acabar com o saque dos impostos e recuperar as perdas que os salários, as pensões e os direitos da segurança social sofreram nos últimos anos. Temos de prosseguir neste caminho que começou com a iniciativa da PAME. Acabem as ilusões com os novos salvadores. Temos de virar as costas àqueles que supostamente prometem novas soluções governamentais, os novos salvadores que nos querem levar para outra espiral descendente antipopular. Voltaremos a encontrar-nos em 27 de novembro na greve geral nacional, nas manifestações e concentrações que ocorrerão nesse dia. Organizamos a nossa luta, cada pessoa no seu posto de trabalho, em todos os estabelecimentos de ensino, em todos os bairros, para aplanar o caminho que leva a novos desenvolvimentos a favor dos interesses do povo e do país”.

Link permanente 13:29:06, por José Alberte Email , 2725 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: Os perigos do fascismo na Europa

http://es.kke.gr/pt/articles/Os-perigos-do-fascismo-na-Europa/

Dimitris Koutsoumpas

Há 69 anos, neste mesmo dia, a Bandeira Vermelha foi hasteada no Reichstag apontando a vitória de uma batalha gigantesca dos povos, com a União Soviética e os comunistas da Europa na vanguarda, contra a mais terrível e desumana ideologia, a ideologia e prática fascista, nascida do próprio capitalismo que levou à maximização da exploração do homem pelo homem, à destruição absoluta da existência humana.

Milhões de pessoas se sacrificaram nesta batalha, nos campos de batalha e nos desumanos campos de concentração. Hoje, rendemos homenagem aos que perderam a vida nas trincheiras, nos campos de batalha, aos que desafiaram os pelotões de fuzilamento. Leningrado e Stalingrado na Rússia, Kokkiniá e Kesarianí na Grécia estão impressos na memória dos povos, da mesma forma que milhares de lugares, onde se determinou o resultado desta dura batalha. Lugares que, por um lado, foram marcados pela barbárie do capitalismo e, por outro, pela grandeza da luta popular contra esta criatura capitalista, o fascismo.

Quase 70 anos depois, alguns estão fazendo todo o possível para extinguir a chama da verdade histórica que foi escrita com o sangue dos povos. Estão fazendo todo o possível para distorcer a história, para justificar, de maneira direta ou indireta, a brutalidade fascista. Nesta propaganda negra das mentiras, os centros imperialistas e, em primeiro lugar, a UE, jogam um papel protagonista. A UE, inclusive, transformou o 9 de maio, que é o Dia da Vitória Antifascista dos Povos, em "Dia da Europa", tentando apagar da memória dos povos da Europa o caráter antifascista deste aniversário. Nesta missão ideológica e política caluniosa e suja, não hesita em equiparar o fascismo com o comunismo. Ao mesmo tempo, a UE, assim como os EUA, não titubeiam em confiar e apoiar as forças reacionárias mais obscuras que ascenderam ao governo da Ucrânia através de um golpe, como ocorreu anteriormente nos países bálticos, a fim de promover seus interesses geopolíticos na região da Eurásia. Nos últimos 25 anos, após da derrocada do socialismo e da dissolução da URSS, se leva a cabo uma sistemática "lavagem cerebral" ideológica anticomunista através da qual as "legiões SS" e os demais grupos armados pró-fascistas se apresentam como "libertadores" do país do bolchevismo.

No entanto, por mais rancor que exista, por mais tinta que seja gasta, a realidade objetiva não pode ser alterada. 69 anos após o fim da II Guerra Mundial, milhões de pessoas em todo o mundo reconhecem a contribuição do movimento comunista, com sacrifícios sem precedentes, para a derrota do fascismo. A força básica desta luta titânica, a alma e o líder foram os partidos comunistas, encabeçados pelo partido dos bolcheviques. Milhões de comunistas sacrificaram, inclusive suas vidas, por um mundo melhor.

O sistema capitalista, os antagonismos que, inevitavelmente, se manifestam entre os imperialistas e os monopólios, devem ser impressos e estigmatizados na consciência dos povos como os responsáveis pelas duas guerras mundiais, para os milhões de mortos, incapacitados, para as pessoas expulsas de seus lares. Não hesitaram em cometer qualquer crime com a finalidade de servir aos lucros, ao predomínio e ao poder capitalista. Esta realidade é ainda mais vigente hoje, dado que os antagonismos e os conflitos entre si estão se intensificando.

A verdade histórica não pode ser distorcida na consciência do povo, tendo sido escrita pela própria luta dos povos, com o sangue dos povos, dos movimentos pela Libertação Nacional e dos movimentos antifascistas nos países capitalistas, como os heroicos EAM (Frente pela Libertação Nacional), ELAS (Exército Nacional pela Libertação Nacional), EPON (Organização Nacional Unificada da Juventude) existentes em nosso país, que uniram e agitaram o povo a levantar-se.

Foi o resultado das grandes e titânicas batalhas do Exército Vermelho em Stalingrado, Kursk, em Leningrado, em Sebastopol, em todos os campos de batalha na União Soviética e em vários países da Europa capitalista. A grande vitória dos povos contra o eixo fascista-imperialista da Alemanha, Itália e Japão e de seus aliados foi obtida graças ao papel decisivo da União Soviética com sacrifícios incalculáveis e mais de 20 milhões de mortos.

Amigas e amigos, camaradas!

Atualmente, na Ucrânia, nos países bálticos, assim como em outros países da Europa, o fascismo tenta levantar a cabeça, da mesma maneira que em nosso país, onde surgiu uma organização nazista criminosa, o Amanhecer Dourado.

O terrível crime de sexta-feira passada em Odessa, onde os neonazistas do "Setor Direita" queimaram vivos alguns manifestantes de idioma russo e a operação sangrenta do governo de golpista de Kiev nas regiões orientais, têm grande impacto tanto sobre nosso povo como em toda pessoa consciente no planeta. O povo ucraniano está derramando seu sangue devido à intervenção aberta dos imperialistas dos EUA, da UE e da OTAN, que apoiam o governo dos nacionalistas e fascistas de Kiev e entram em conflito com a Rússia sobre o controle dos recursos energéticos, dos tubos e das cotas de mercado. Mais uma vez, é claramente demonstrado que as alianças imperialistas não apenas não garantem a paz e a segurança para nenhum povo, como o contrário, o conduz à guerra e à indigência.

Como no passado, o monstro fascista hoje é um produto do sistema capitalista; nasce das entranhas do sistema, não é algo que está fora do sistema como querem apresentá-lo. O fascismo é a expressão do capital que se utiliza como "ponta de lança" do poder capitalista contra o movimento trabalhador.

Utiliza as condições de democracia parlamentar burguesa para reforçar-se, contando com o apoio do capital ou de seções do capital, assim como do aparato estatal. Pretende exercer o poder dos monopólios de uma maneira mais dura, tal como fizeram no passado os partidos nacional-socialistas de Hitler e Mussolini, para subjugar o movimento trabalhador e popular. Esta foi e continua sendo sua característica básica; esta é a fonte da ira anticomunista aberta que caracteriza todas as forças fascistas desde sempre.

Certamente, os partidos nacional-socialistas, ainda que expressem os interesses do capital da mesma forma que os demais partidos burgueses, também aprisionam em suas fileiras as camadas populares, tratando de formar uma ampla base popular. Isto é conseguido a partir da utilização da "ferramenta" de intimidação aberta, da política racista, do chauvinismo e do irredentismo, da distorção da história, etc., lançando mão do empobrecimento abrupto das camadas populares, que é o resultado da crise econômica e da debilidade dos demais partidos burgueses em gerenciar o sistema, em arrastar para o âmbito de sua influência os setores populares politicamente atrasados.

O fortalecimento dos partidos fascistas na Ucrânia, do partido "Svoboda" e do "Setor Direita", assim como o Amanhecer Dourado na Grécia, têm alguns elementos similares, como por exemplo, o fato de se terem manifestado após o fracasso rotundo das promessas dos partidos social-democratas que estavam no poder. Por exemplo, todos recordam as promessas do PASOK na Grécia, pouco antes do estouro da crise. Porém, a social-democracia e os partidos liberais burgueses, todos eles típicos governos burgueses, prometem medidas favoráveis ao povo enquanto, na prática, seguem uma política antipopular dura, servindo aos monopólios. Então, dada a desilusão das camadas populares arruinadas, dos autônomos, dos camponeses, dos desempregados, de setores da classe trabalhadora sem experiência, sobretudo jovens, é possível que se dirijam para uma direção mais reacionária. Uma situação similar se deu na Ucrânia, com as promessas feitas pelo governo de Yanukovich.

Esta situação requer que prestemos atenção quando se fala muito no nosso país de um "governo patriótico de esquerda", o que promete o SYRIZA, e que, no marco da UE e da OTAN, na via de desenvolvimento capitalista, supostamente, serão aliviados os trabalhadores, serão solucionados os problemas populares. Não existe maior engano e, infelizmente, se demonstrou historicamente que um tal "governo de esquerda", segundo o modelo conhecido como social-democracia, pode constituir uma ponte para uma política ainda mais direitista, dura e antipopular.

Isto foi confirmado, também, pela experiência recente e passada, dado que as consignas e as promessas de mudanças favoráveis ao povo foram desmentidas na prática por uma ou outra forma de gestão dos interesses do capital, pela barbárie capitalista, pela estratégia da UE, levando a um retrocesso de coincidências.

Hoje em dia, quando as forças fascistas surgem, por exemplo, no governo da Ucrânia, foi demonstrado com provas convincentes que o fascismo, como há 80 anos, pode ser a opção das classes burguesas, não apenas como força de ataque e de intimidação contra o movimento popular, mas, além disso, como força de gestão do poder burguês.

Sabemos por nossa própria história que as forças políticas burguesas, tanto de direita como as social-democratas, em alguns momentos, apoiaram os fascistas, que foram bastante úteis ao sistema capitalista naquelas circunstâncias cruciais. Devido ao perigo de ascensão do movimento popular, ao perigo de que o capitalismo perdesse o poder, com critérios classistas, decidiram abandonar temporariamente a forma da democracia parlamentar burguesa e não tiveram dúvidas em apoiar a forma fascista de exercer o poder do capital.

Na prática, vemos, por exemplo, o presidente dos EUA, cuja eleição foi aclamada há alguns anos pelo jornal do SYRIZA e sua administração foi elogiada por este partido e seu líder, que apoia claramente os fascistas de Kiev com o objetivo de servir aos interesses dos monopólios estadunidenses e europeus na Ucrânia, no cenário da dura competição com a Rússia, sobre o controle das quotas de mercado, das rotas de transporte, dos recursos naturais da região.

A UE e o governo grego, que preside a UE, desempenham um papel ativo nestes planos. A UE, por um lado, caracteriza como "totalitarismo" qualquer mudança governamental que não se baseie nas opções burguesas, condena a violência, enquanto, por outro lado, não hesita em utilizar a violência na hora de derrotar governos que já não servem a seus interesses, tal como ocorreu na Ucrânia. Não tiveram dúvida em utilizar a atividade extrema dos nacionalistas-fascistas, anticomunistas, nostálgicos de Hitler e, é claro, a destruição de monumentos de Lenin, de monumentos soviéticos e antifascistas.

Em nosso país também existem muitas pessoas que nos últimos anos "trabalharam" para fortalecer o Amanhecer Dourado fascista. Não apenas via seu financiamento generoso, como através da preparação do "terreno" ideológico para seu desenvolvimento. Trata-se de todos aqueles que fomentaram o ódio contra o KKE e o PAME, contra a organização política e sindical coletiva e a resistência à política antipopular, enaltecendo a indignação "às cegas", a espontaneidade, absolvendo o sistema capitalista quanto às graves consequências da crise capitalista. Referimo-nos àqueles que, como se provou, criaram "canais de comunicação" políticos com esta formação fascista, prometendo inclusive postos no governo, enquanto fomentavam a inaceitável "teoria dos dois extremos".

Depois de tantos crimes, assassinatos de imigrantes, ataques assassinos contra sindicalistas do PAME, o assassinato de P. Fissas, podemos ver que o sistema segue uma política de "podar" o Amanhecer Dourado, mas não o confronta substancialmente. Isto não tem a ver apenas com o governo, mas, contudo, com outros partidos, como mostra a decisão do Conselho Municipal de Atenas sobre os processos eleitorais. Isto representa algo: que o sistema político burguês não possui o interesse de "erradicar", mas de embelezar esta organização e não descarta a possibilidade de utilizá-la no futuro contra o movimento operário e popular.

O KKE considera que sua tarefa imediata e imperativa é isolar o Amanhecer Dourado, inimigo jurado do povo e de suas lutas e pretende golpear o KKE e o movimento operário e popular. Não se pode confrontar o Amanhecer Dourado a partir do ponto de vista de defender supostamente a democracia burguesa, o sistema capitalista que a gera, mas pela Aliança Popular numa direção antimonopolista e anticapitalista, por um movimento popular que questionará e se oporá à estratégia dos monopólios.

Amigos e camaradas:

Tiramos lições e nos preparamos com um KKE que seja capaz de lutar sob todas as condições, sob todas as circunstâncias.

Os acontecimentos na região ampla (Oriente Médio, norte da África, Balcãs, Eurásia) são rápidos e é possível que nos próximos anos conduzam a novas guerras locais, regionais ou generalizadas. Em condições de preparação de guerras e, em geral, de intervenções imperialistas, a burguesia e seus governos tomam medidas contra o movimento trabalhador e, além disso, utilizam os partidos nacionalistas-fascistas. É possível que tentem impor medidas repressivas contra o movimento comunista e operário.

Por isso, o movimento operário, seus aliados e o Partido devem estar preparados a tempo, ser fortes, concentrados em elaborar e aplicar sua própria estratégia, que corresponderá à satisfação das necessidades trabalhistas e populares, através da ruptura do país com a UE e da OTAN, com todas as uniões imperialistas, com sua retirada dos planos imperialistas e da via de desenvolvimento capitalista.

Desta forma, a parada seguinte são as eleições locais e europeias.

Nestas eleições, deve-se condenar direta e claramente a UE, que apoiou os acontecimentos reacionários na Ucrânia. O apoio não foi acidental e nem por um descuido, mas com estimativas ruins ou devido a uma "correlação de forças negativa" ou por ser "submissa" aos EUA. O apoio foi dado porque é uma aliança a serviço dos monopólios europeus. Por sua natureza, é profundamente reacionária, já que tem como "pedra angular" a proteção dos lucros capitalistas. Pensa constantemente novos modos para explorar os trabalhadores, os trabalhadores autônomos, os aposentados, os jovens. Através do ataque contra os direitos trabalhistas e populares, os cortes de salários e pensões, a comercialização da Saúde e da Educação, através de formas de trabalho flexíveis, o desemprego, as privatizações, a PAC, etc. Esta natureza interna reacionária se reflete na política externa reacionária agressiva da UE. Por isto, por um lado, cria mecanismos de supervisão dos países, ou seja, memorandos permanentes e, por outro lado, forma o euro-exército e coopera estreitamente com a OTAN.

A conhecida "estabilidade" que invoca o governo de ND-PASOK não é nada mais que a continuidade desta política antipopular bárbara dentro e fora de suas fronteiras, num curso de estabilização e recuperação dos lucros da plutocracia. O povo não deve se deixar enganar. Qualquer que seja a recuperação dos lucros de uns poucos, isto não tem nenhuma relação com a maioria esmagadora de nosso povo.

Por outro lado, o dilema das eleições promovido pelo principal partido da oposição, "SYRIZA ou Merkel?", insinuando que sem afetar a UE e o capital, ou seja, sem afetar o caminho de desenvolvimento que nos trouxe até aqui, um governo do SYRIZA supostamente trará a "salvação", tem uma clara intenção de prender os trabalhadores dentro da UE, no marco reacionário de uma sociedade que se apoia no Minotauro dos lucros.

Estas falsas ilusões de que pode existir um capitalismo melhor, uma UE melhor, vêm sendo experimentadas pelos trabalhadores há anos e foram desmentidas plenamente. A UE não pode mudar para melhor. Está intrinsecamente ligada à decadência capitalista que não pode ser escondida pela "maquiagem" que o SYRIZA planeja fazer. Não se trata de um assunto de mudança de correlação em seu interior. A UE não se pode converter na Europa de paz, de solidariedade e de cooperação dos povos.

O SYRIZA semeou tais ilusões outra vez há dois anos, quando saudava a eleição de Hollande e a formação da chamada "frente do Sul", do "vento do Sul". Hoje em dia, o que dizia há dois anos sobre Hollande parece uma piada. Respectivamente, hoje a candidatura para o posto de chefe da Comissão Europeia, ou seja, do núcleo mais duro desta construção reacionária, supostamente mudará toda a construção. Estes "contos de fadas" dos representantes do SYRIZA defendem que se conseguirem o voto popular nas eleições iminentes, uma nova UE será construída, um capitalismo melhor será construído, não têm nenhuma base, são extremamente arbitrárias e perigosas para os interesses populares.

A UE é e se converterá num "inferno" ainda maior e mais cruel para os povos, quer o SYRIZA ocupe o primeiro ou o segundo lugar nas eleições. O único caminho é o fortalecimento da luta contra a UE, pelo desligamento desta, com o cancelamento unilateral da dívida, a socialização da riqueza, com o poder operário e popular.

Um passo nesta direção é a condenação decisiva da UE nas próximas eleições junto com a condenação do capitalismo, que gera o fascismo e a guerra imperialista. E isto só pode ser feito através do fortalecimento decisivo do KKE nas eleições europeias, através do fortalecimento do "Agrupamento Popular" nas eleições municipais e regionais.

É por isso que, a partir desta mesa redonda, dirigimos um chamamento de luta comum, de união de forças e de fortalecimento do KKE, que é a única garantia para que o povo seja forte e para poder determinar seu presente e futuro.

09/Maio/2014

23-11-2014

Link permanente 20:34:53, por José Alberte Email , 270 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: O fim do Muro da Paz e o que se seguiu

O FIM DO MURO DA PAZ E O QUE SE SEGUIU

http://resistir.info/

Hoje, com o pretexto do Muro de Berlim, a reacção festeja em triunfo e com fanfarras a derrota do socialismo.
Há que dizer que:

1) Hoje o mundo está muito pior do que há 25 anos atras, com guerras incessantes e a ameaça de uma guerra termonuclear;

2) Que a anexação da antiga República Democrática Alemã não beneficiou o seu povo, que hoje lamenta as benesses perdidas com a derrota do socialismo;

3) Que os trabalhadores do ocidente foram prejudicados com o fim do mundo socialista, pois agora os capitalistas consideram-se mais livres para explorá-los;

4) Que o imperialismo adquiriu uma nova agressividade após o desaparecimento do mundo socialista;

5) Que de 1961 a 1989 o Muro de Berlim, ou Muro da Paz, garantiu a tranquilidade na Europa, assim como a defesa da RDA contra a guerra implacável que sempre lhe foi movida com constante sabotagem económica, financeira, tecnológica, militar e psicológica;

6) Que esses clamores triunfantes da reacção fazem todos os possíveis por esquecer os tristes muros que hoje dividem o mundo, como as muralhas que retalham o estado nazi-sionista e encerram o povo palestino em guetos; a muralha mortal, física e electrónica, que assassina mexicanos pobres na fronteira com os EUA; o muro que o regime neo-nazi de Kiev agora está a construir nas fronteiras ucranianas, apesar da ruína económica em que está afundado;

7) Os palradores que hoje peroram na TV acerca do Muro de Berlim deveriam meditar, se fossem capazes disso, na desgraçada situação económica, financeira, social, política, ecológica e energética em que está hoje o mundo capitalista – o seu triunfalismo seria arrefecido.

Link permanente 20:24:02, por José Alberte Email , 1646 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: Guerra total na Ucrânia: "Ofensiva final" da NATO

Guerra total na Ucrânia: "Ofensiva final" da NATO

por James Petras

http://resistir.info/petras/petras_ucrania_21nov14.html

Há sinais claros de que uma grande guerra está prestes a estalar na Ucrânia. Uma guerra promovida activamente pelos regimes NATO e apoiada pelos seus aliados e clientes na Ásia (Japão) e no Médio Oriente (Arábia Saudita). A guerra na Ucrânia basicamente será executada no sentido de uma ofensiva militar em plena escala contra a região Sudeste do Donbass, tomando como alvo os russos étnicos da Ucrânia nas Repúblicas de Donetsk e Lugansk, com a intenção de depor os governos eleitos democraticamente, desarmar as milícias populares, matar os partisans da guerrilha de resistência e sua base de massa, desmantelar as organizações representativas populares e ocupar-se com a limpeza étnica de milhões de cidadãos bilingues ucranianos-russos. O ataque militar da NATO que está para vir na região do Donbass é uma continuação e extensão do seu violento putsch original em Kiev, o qual derrubou um governo ucraniano eleito em Fevereiro de 2014.

A junta de Kiev e seus governantes-clientes recém eleitos, bem como os seus patrocinadores da NATO, têm a intenção de efectuar um grande expurgo a fim de consolidar o domínio ditatorial do fantoche Poroshenko. As recentes eleições patrocinadas pela NATO excluíram vários grandes partidos políticos que tradicionalmente eram apoiados pelas grandes minorias étnicas do país, além de terem sido boicotadas na região do Donbass. Esta impostura eleitoral em Kiev marcou o tom para o movimento seguinte da NATO destinado a converter a Ucrânia numa gigantesca base militar multi-propósito dos EUA, abastecer Berlim com cereais e matérias-primas e ao mesmo tempo servir como um mercado cativo para bens manufacturados alemães.

Uma intensificação da febre da guerra está a varrer o ocidente; as consequências desta loucura parecem mais graves a cada hora que passa.

Sinais de guerra: A campanha de propaganda e sanções, a cimeira do G20 e a acumulação de equipamento militar

Os tambores da guerra oficiais a rufarem em prol de uma expansão do conflito na Ucrânia, encabeçados pela junta de Kiev e suas milícias fascistas, reflectem-se em todos os mass media ocidentais, todos os dias. Importantes meios de propaganda de massa e "porta-vozes" públicos governamentais publicam ou anunciam novos relatos inventados do crescimento de ameaças militares russas aos seus vizinhos e invasões transfronteiriças da Ucrânia. Novas incursões russas são "informadas" desde as fronteiras nórdicas e dos estados bálticos até o Cáucaso. O regime sueco atingiu um novo nível de histeria quanto um misterioso submarino "russo" ao largo da costa de Estocolmo, o qual nunca foi identificado ou localizado – e muito menos confirmado o "avistamento". A Estónia e a Letónia afirmam que aviões de guerra russos violaram seu espaço aéreo, sem confirmação. A Polónia expulsa "espiões" russos sem prova ou testemunhos. Exercícios militares conjuntos em plena escala de estados clientes da NATO estão a ter lugar ao longo das fronteiras da Rússia nos Estados Bálticos, na Polónia, na Roménia e na Ucrânia.

A NATO está a enviar vastos carregamentos de armas para a junta de Kiev, juntamente com conselheiros de "Forças Especiais" e peritos em contra-insurgência em antecipação a um ataque em plena escala contra os rebeldes no Donbass.

O regime de Kiev nunca cumpriu o cessar-fogo de Minsk. Segundo o gabinete de Direitos Humanos da ONU, uma média de 13 pessoas – principalmente civis – tem sido morta a cada dia desde o cessar-fogo de Setembro. Em oito semanas, a ONU informa que 957 pessoas foram mortas – esmagadoramente por parte das forças armadas de Kiev.

O regime de Kiev, por sua vez, cortou todos os serviços sociais e públicos básicos para as Repúblicas Populares, incluindo electricidade, combustível, salários de serviços civis, pensões, abastecimentos médicos, salários de professores e trabalhadores médicos, salários de trabalhadores municipais; a banca e os transportes foram bloqueados.

A estratégia é estrangular a economia, destruir a infraestrutura, forçar um ainda maior êxodo de refugiados desamparados das cidades densamente povoadas através da fronteira para dentro da Rússia e então lançar assaltos maciços pelo ar, com mísseis, com artilharia e no terreno a centros urbanos bem como a bases rebeldes.

A junta de Kiev lançou uma mobilização militar total nas regiões ocidentais, acompanhada por raivosas campanhas de doutrinação anti-russas e anti-ortodoxos do Leste destinadas a atrair os mais violentos brutamontes da extrema direita chauvinista e incorporá-los às brigadas militares estilo nazi para actuarem como tropas de choque na linha de fronteira. A utilização cínica de milícias fascistas irregulares "libertará" a NATO e a Alemanha de qualquer responsabilidade pelo terror e atrocidades inevitáveis na sua campanha. Este sistema de "negação plausível" reflecte as tácticas dos nazis alemães cujas hordas de fascistas ucranianos e ustachi croatas foram notórias na sua época de limpeza étnica.

G20 + NATO: Apoio ao blitz de Kiev

Para isolar e enfraquecer a resistência no Donbass e garantir a vitória do blitz iminente de Kiev, a UE e os EUA estão a intensificar sua pressão económica, militar e diplomática sobre a Rússia para abandonar as nascentes democracias populares na região Sudeste da Ucrânia, seu principal aliado.

Toda escalada de sanções económicas contra a Rússia destina-se a enfraquecer a capacidade dos combatentes da resistência no Donbass para defenderem seus lares e cidades. Todo despacho russo de abastecimento médico e alimentar essencial para as populações sitiadas incita a um novo acesso ainda mais histérico – porque contraria a estratégia Kiev-NATO de esfaimar os partisans e sua base de massa ou provocar a sua fuga para a segurança através da fronteira russa.

Depois de sofrer uma série de derrotas, o regime de Kiev e seus estrategas da NATO decidiram assinar um "protocolo de paz", o chamado acordo de Minsk, para interromper o avanço da resistência do Donbass à regiões do Sul e proteger seus soldados de Kiev e milícias encravadas em bolsões isolados no Leste. O acordo de Minsk destinava-se a permitir à junta de Kiev reagrupar seus militares, reorganizar seu comando e incorporar as diferentes milícias nazis dentro das suas forças militares na preparação para uma "ofensiva final". A acumulação militar de Kiev no plano interno e a escalada de sanções da NATO contra a Rússia no plano externo seriam os dois lados da mesma estratégia: o êxito de um ataque frontal à resistência democrática da bacia do Donbass depende de minimizar o apoio militar russo através de sanções internacionais.

A virulenta hostilidade da NATO ao presidente russo, Putin, foi plenamente exibida na reunião do G20 na Austrália: presidentes ligados à NATO e primeiros-ministros, especialmente Merkel, Obama, Cameron, Abbott e as ameaças políticas de Harper e insultos pessoais abertos correram em paralelo com o crescente bloqueio de Kiev para esfaimar rebeldes e centros populacionais no Sudeste. Tanto as ameaças económicas do G20 contra a Rússia como o isolamento diplomático de Putin e o bloqueio económico de Kiev são prelúdios à Solução Final da NATO – o aniquilamento físico de todos os vestígios de resistência no Donbass, de democracia popular e de laços culturais-económicos com a Rússia.

Kiev depende dos seus mentores da NATO para impor uma nova rodada de sanções severas contra a Rússia, especialmente se a sua planeada invasão deparar-se com uma resistência bem armada e robusta reforçada pelo apoio russo. A NATO está a contar com a restaurada e reabastecida capacidade militar de Kiev para efectivamente destruir os centros da resistência no Sudeste.

A NATO decidiu uma "campanha tudo-ou-nada": tomar toda a Ucrânia ou, se isto fracassar, destruir o Sudeste incontrolável, destruir sua população e capacidade produtiva e empenhar-se numa guerra económica total (e possivelmente com tiros) com a Rússia. A chanceler Angela Merkel embarcou neste plano apesar das queixas de industriais alemães sobre suas enormes perdas de exportações para a Rússia. O presidente Hollande, da França, descartou as queixas de sindicalistas sobre a perda de milhares de empregos franceses nos estaleiros navais. O primeiro-ministro David Cameron está ansioso por uma guerra económica contra Moscovo, sugerindo aos banqueiros da City de Londres que encontrem novos canais para lavar os ganhos ilícitos de oligarcas russos.


A resposta russa

Os diplomatas russos estão desesperados para encontrar um compromisso, o qual permitiria à população de etnia russa no Sudeste da Ucrânia reter alguma autonomia sob um plano federativo e recuperar influência dentro da "nova" Ucrânia pós-golpe. Estrategas militares russos têm proporcionado ajuda logística e militar à resistência a fim de evitar uma repetição do massacre de Odessa, no qual russos étnicos foram massacrados pelos fascistas ucranianos. Acima de tudo, a Rússia não pode permitir-se ter bases militares NATO-Nazis-Kiev ao longo do seu Sul "vulnerável", impondo um bloqueio da Crimeia e forçando um êxodo em massa dos russos étnicos do Donbass. Sob Putin, o governo russo tem tentado propor compromissos permitindo a supremacia económica do ocidente sobre a Ucrânia mas sem expansão militar da NATO e a absorção por Kiev.

Essa política conciliatória fracassou repetidamente.

O "regime de compromisso" democraticamente eleito em Kiev foi derrubado em Fevereiro de 2014 num golpe violento, o qual instalou uma junta pró NATO.

Kiev violou o acordo de Minsk com impunidade e o encorajamento das potências da NATO e da Alemanha.

A recente reunião do G20 na Austrália exibiu um coro demagógico contra o presidente Putin. A crucial reunião privada de quatro horas entre Putin e Merkel foi um fracasso quando a Alemanha imitou o coro da NATO.

Putin finalmente respondeu ao expandir a preparação das tropas russas de ar e terra ao longo das suas fronteiras enquanto acelerava o eixo económico de Moscovo na Ásia.

O mais importante: o presidente Putin anunciou que a Rússia não pode permanecer passiva e permitir o massacre de todo um povo na região do Donbas.

Será que a próxima blitz de Poroshenko contra o povo do Sudeste da Ucrânia se destina a provocar uma resposta russa – à crise humanitária? Será que a Rússia confrontará a ofensiva de Kiev dirigida pela NATO e se arriscará a uma ruptura total com o ocidente?
21/Novembro/2014

O original encontra-se em www.globalresearch.ca/all-out-war-in-ukraine-natos-final-offensive/5415354

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 ... 113 >>

Janeiro 2015
Seg Ter Qua Qui Sex Sab Dom
 << <   > >>
      1 2 3 4
5 6 7 8 9 10 11
12 13 14 15 16 17 18
19 20 21 22 23 24 25
26 27 28 29 30 31  

Busca

Feeds XML

Ferramentas do usuário

powered by b2evolution