31-07-2015

Link permanente 12:15:30, por José Alberte Email , 4335 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: A situação na Grécia e o papel anti-povo do SYRIZA

A situação na Grécia e o papel anti-povo do SYRIZA
– As responsabilidades dos que o aplaudem

por Giorgos Marinos [*]

http://resistir.info/grecia/marinos_29jul15.html

Introdução

Na segunda-feira 13 de Julho, o governo SYRIZA-ANEL com o apoio de todos os partidos políticos burgueses acordaram na Cimeira da Eurozona com um pacote muito duro de medidas anti-povo, o terceiro memorando, o qual destruirá todos os direitos dos trabalhadores e do povo que ainda restam.

Na quarta-feira 15 de Julho, o "primeiro governo de esquerda" aprovou, com os votos dos partidos burgueses ND-PASOK-POTAMI, o acordo da Cimeira e o primeiro pacote de medidas a serem implementadas para a concretização do 3º memorando incluindo novas medidas selvagens de tributação e a abolição de direitos à pensão. O KKE votou contra isto e pediu uma votação nominal, durante a qual 32 quadros do SYRIZA votaram NÃO, 6 votaram "presente" [NR] e 1 absteve-se. Estes membros do SYRIZA disseram que "votamos contra o novo memorando, mas ... apoiamos de todo o coração o governo que está a por isto sobre a mesa".

A experiência dos cinco meses de governação SYRIZA demonstra que ele não quer nem foi capaz de preparar o povo para uma confrontação contra o memorando e os monopólios, tanto gregos como europeus, precisamente porque não tinha orientação para a resistência e o conflito. Ao contrário, enganou o povo [dizendo] que podia abrir o caminho a mudanças favoráveis ao povo mantendo-se no interior da aliança predatória da UE.

Estes desenvolvimentos são uma expressão muito clara do fracasso da chamada "esquerda renovada" ou "esquerda governamental", da teoria de que a UE pode mudar seu carácter monopolista e anti-povo.

A linha de luta do KKE e sua posição vigorosa e firme, que rejeitou a participação em tais governos "de esquerda" que na verdade são governos de gestão burguesa, foi confirmada.

Na base desta experiência específica e da ultrapassagem da ofensiva dos mass media burgueses, os trabalhadores da Europa e de todo o mundo devem tentar descobrir a verdade e utilizar os acontecimentos na Grécia de modo a retirar conclusões úteis.

Eles deveriam examinar e estudar a linha de luta do KKE, romper a muralha da desinformação das forças burguesas e oportunistas que se preocupam com a gestão da barbárie capitalista e trabalham sistematicamente a fim de manipular os trabalhadores.

QUAL É A SITUAÇÃO REAL NA GRÉCIA? QUAL É O PAPEL REAL DO SYRIZA? QUAIS SÃO AS RESPONSABILIDADES DOS QUE O APLAUDEM?


Primeiramente, durante a crise capitalista, com as consequências penosas que a linha política anti-povo do partido liberal ND e do partido social-democrata PASOK trouxeram à classe trabalhadora e aos estratos populares, começou uma reforma extensa do sistema político burguês.

Os partidos burgueses tradicionais estavam enfraquecidos e exaustos, e o SYRIZA e a organização criminosa nazi "Aurora Dourada" foram fortalecidos.

O SYRIZA, que era um pequeno partido oportunista, rapidamente aumentou sua votação nas eleições de Junho de 2012 e venceu as eleições de Janeiro de 2015, constituindo um governo com o partido da direita nacionalista ANEL.

Ao longo deste período o SYRIZA encurralou os trabalhadores no falso esquema "memorando – anti-memorando", ocultando o facto de que o memorando faz parte da estratégia mais geral do capital. Ele explorou o agravamento dos problemas do povo e fez promessas falsas de que aliviaria a situação dos trabalhadores e satisfaria suas reivindicações.

Neste quadro, o SYRIZA prometeu que aumentaria de imediato o salário mínimo, restauraria os acordos de negociação colectiva, aboliria o imposto sobre a propriedade, aumentaria o patamar de isenção fiscal, poria fim às privatizações, etc.

Apesar dos slogans que utilizou, na prática o SYRIZA construiu uma estratégia social-democrata e deixou claro desde o princípio que administraria o capitalismo e serviria a competitividade e lucratividade dos grupos monopolistas, implementando a estratégia da UE, à qual chamava de "nosso lar europeu comum".

Segundo. Após as eleições de 2015, o governo SYRIZA-ANEL continuou a linha política anti-povo dos governos anteriores. No dia 20 de Fevereiro assinou um acordo com a UE-BCE-FMI (Troika) e assumiu compromissos quanto ao reconhecimento e reembolso da dívida que não foi criada pelo povo, a "rejeição de acções unilaterais", a não implementação das suas promessas eleitorais e a promoção de "reestruturações capitalistas".

O governo SYRIZA-ANEL, durante as negociações que se seguiram em Bruxelas, apresentou uma série de propostas com duras medidas anti-povo, incluindo:

A manutenção do memorando e de todas as leis de aplicação do ND e do PASOK, a imposição de tributação adicional, a demolição de direitos de pensão, privatizações e outras medidas no valor de 8 mil milhões de euros a expensas do povo. Esta proposta era semelhante àquela da Troika, a qual continha medidas anti-povo no valor de 8,5 mil milhões de euros.

As confrontações nas negociações e a retirada do governo SYRIZA-ANEL numa certa fase não estão relacionadas com resistência para a defesa dos interesses do povo, como alguns no estrangeiro afirmaram sem qualquer base.

Eram os interesses dos monopólios que estavam na mesa das negociações e, sobre esta base, manifestavam-se contradições mais gerais relativas à fórmula para a gestão do capitalismo, o rumo da Eurozona e a posição da Grécia nela (incluindo a possibilidade de um Grexit), as contradições sobre hegemonia na Europa entre a Alemanha e a França, entre os EUA e a Eurozona e em particular a Alemanha.

Terceiro. Nestas condições, no sábado 27 de Junho o governo apresentou ao Parlamento uma proposta para um referendo, tentando armar uma cilada para o povo com um SIM ou NÃO ao pacote de medidas anti-povo da Troika, recusando-se a apresentar a sua própria proposta anti-povo a fim de ser julgada pelo povo.

O KKE (no parlamento) pediu que no referendo fosse colocado o seguinte:

A) A proposta da Troika.
B) A proposta do governo
C) A proposta do KKE para "DESLIGAMENTO DA UE, ABOLIÇÃO DO MEMORANDO E DE TODAS AS LEIS DE APLICAÇÃO ANTI-POVO".

O governo arbitrariamente recusou-se a colocar a proposta do KKE em votação. Seu objectivo era chantagear o povo e explorar a votação popular como aprovação à sua própria proposta que constituía um novo memorando.

O KKE resistiu, denunciou a chantagem e apresentou o seu próprio boletim de voto ao julgamento do povo:

"NÃO À PROPOSTA UE-BCE-FMI.
NÃO À PROPOSTA DO GOVERNO.
DESLIGAMENTO DA UE COM O POVO NO PODER".

Este boletim de voto foi distribuído nos lugares de trabalho, nos bairros populares, junto aos centros de votação no dia do referendo, e ao mesmo tempo o KKE conclamava o povo a resistir de todas as maneiras e exprimir sua oposição ao novo memorando.

Nas condições deste falso dilema e desta chantagem, o KKE explicou ao povo que tanto o SIM como o NÃO seriam utilizados para impor novas medidas anti-povo.

Esta decisão é uma grande herança deixada ao nosso povo para que possa continuar sua luta com base nos seus próprios interesses.

Uma secção significativa do nosso povo resistiu. Lançou na urna o boletim de voto do KKE, outros votaram em branco ou anularam o boletim de voto (mais de 350 mil, 6%). Uma secção do povo trabalhador seguiu o caminho da abstenção.

O KKE não estabeleceu um objectivo numérico para este referendo, sua postura foi uma posição de princípio, enviar uma mensagem política ao povo para não se submeter a toda chantagem, a dilemas, quer tivessem origem na troika ou no governo ou nos outros partidos políticos burgueses.

Quarto. Em 6 de Julho, um dia após o referendo, os desenvolvimentos confirmaram do modo mais característico as posições e a linha de luta do KKE e comprometeram os partidos no estrangeiro que celebraram em conjunto com o SYRIZA ou enviaram mensagens de apoio ao primeiro-ministro grego.

No dia seguinte ao referendo houve uma reunião dos líderes políticos por iniciativa do primeiro-ministro, Tsipras, com a participação do Presidente da República. Esta reunião tornou a situação ainda mais clara.

O SYRIZA, ANEL, ND, PASOK, POTAMI, isto é todo os partidos burgueses, assinaram uma declaração conjunta que entre outras coisas mencionava: "O veredicto recente do povo grego não inclui um mandato de ruptura, mas um mandato para continuar e fortalecer o esforço de alcançar um acordo socialmente justo e economicamente sustentável", confirmando que os partidos burgueses como um todo estavam prontos para assinar um acordo/novo memorando com a Troika contra o povo.

O secretário-geral do CC do KKE, cda. Dimitris Koutsoumpas discordou, tornou clara a sua posição diferente. Após a reunião dos líderes políticos declarou dentre outras coisas: "De nossa parte exprimimos claramente, mais uma vez, os pontos de vista do KKE quanto à avaliação do resultado do referendo e principalmente quanto aos enormes problemas que estão a ser experimentados pelo povo grego dentro da aliança predatória da UE, a qual tem uma linha política que agrava continuamente os impasses para o povo, o rendimento do povo, o curso do país e o curso do nosso povo como um todo.

Foi demonstrado, mais uma vez, que não pode haver negociações favoráveis ao povo e aos trabalhadores dentro dos muros da UE, dentro do caminho capitalista de desenvolvimento... Ninguém autorizou qualquer organismo a assinar novos memorandos, novas medidas para o nosso povo".

Quinto. Após o referendo o governo SYRIZA-ANEL enviou ao Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) um pedido para um programa de empréstimo por três anos no valor de cerca de 50 mil milhões de euros, com um novo acordo de empréstimo e um novo memorando.

Na sexta-feira 10 de Julho, o governo propôs à Troika (UE, BCE, FMI) um pacote provocador de duras medidas anti-povo com um 3º memorando no valor de mais de 12 mil milhões de euros! Isto quer dizer 4 a 5 mil milhões de euros a mais do que a proposta que estava a ser discutida antes do referendo.

No mesmo dia, na discussão no Parlamento, o governo pediu e recebeu o apoio e a autorização dos partidos burgueses, ND-PASOK-POTAMI, a fim de assinar o acordo anti-povo, o 3º memorando.

Enquanto isso, na madrugada de segunda-feira 13 de Julho, o primeiro-ministro Tsipras acordou na Cimeira da Eurozona um novo empréstimo no valor de 85 mil milhões de euros e um muito perigoso memorando anti-povo, o qual realmente esmagará qualquer coisa que tenha restado dos direitos do povo.


Aqui estão alguns exemplos característicos:

Manutenção do ENFIA, o imposto sobre a propriedade e outras duras medidas fiscais da ND e do PASOK que levaram milhões de famílias das camadas populares ao desespero e um aumento adicional das taxas de IVA, transferindo alimentos empacotados e outros ítens de consumo popular em massa para a taxa mais alta de 23%, abolição de isenções fiscais para agricultores, um aumento significativo do IVA para as ilhas, etc.

A propaganda do governo diz que aumentar impostos sobre grandes negócios e proprietários de navios não tem fundamento, que é uma gota no oceano. As isenções fiscais para os proprietários de navios e o grande capital como um todo estão a ser mantidas em vigor.

Manutenção das medidas anti-segurança social na sua totalidade, as quais reduzem pensões, aumentam a idade de reforma, isentam o patronato de contribuições para a segurança social e também a introdução de novas medidas que anulam o restante das reformas antecipadas estabelecendo uma única idade de reforma de 67 anos, abolindo os benefícios para pensionistas com pensões muitos baixas, aumentando as contribuições dos trabalhadores para a segurança social, fundindo fundos da segurança social com uma corrida para baixo em termos de direitos. Estão a ser examinadas duras medidas adicionais em nome da sustentabilidade do sistema de segurança social.

Manutenção das relações de trabalho "medievais" que prevalecem nos lugares de trabalho, congelamento de acordos colectivos, manutenção de salários reduzidos e também novas medidas adicionais anti-trabalhador em nome da adaptação às directivas da UE para a expansão de contratos individuais entre trabalhadores e patrões, reforço do trabalho em tempo parcial e temporário, relações de trabalho flexíveis.

Implementação da caixa de ferramentas da organização imperialista OCDE (a qual o governo considera ser um parceiro estratégico) que prevê a liberalização das profissões, a abolição dos feriados de domingo, etc.

Manutenção das privatizações que se efectuaram e a promoção de novas, nos portos, em 14 aeroportos regionais, nas ferrovias, na companhia que administra o gás natural, etc.

Criação de um mecanismo para hipotecar e vender a propriedade pública a fim de obter 50 mil milhões de Euros para reembolsar os empréstimos, etc.

Criação de excedentes primários de 1% em 2015, 2% em 2016, 3% em 2017, 3,5% em 2018 e a implementação de um mecanismo para automaticamente cortar salários, pensões, gastos sociais se houver divergência em relação aos objectivos orçamentais.

O governo SYRIZA-ANEL utilizou a chantagem e o dilema que a ND e o PASOK haviam utilizado a fim de convencer o povo a aceitar as medidas: um novo memorando mais duro ou a bancarrota do estado através de um grexit?

Ele repete o mesmo dilema que foi apresentado por ocasião do primeiro e segundo memorandos e todas as vezes em que uma prestação estava a ser desembolsada. Toda a vez que o povo tem de escolher o mal "menor", no fim este acaba por levar ao mal maior.

Mesmo agora, quando a linha política anti-povo do SYRIZA está completamente evidente, Tsipras ainda tenta promover falsas expectativas, afirmando que o acordo inclui um ajustamento da dívida (a qual aumentou devido ao novo empréstimo) e aos chamados "pacotes de desenvolvimento". Apesar do facto de ser bem sabido que em qualquer caso o povo pagará pela dívida e que os pacotes serão mais uma vez destinados a grandes grupos monopolistas, os quais colherão grandes lucros.

Sexto. A linha política anti-povo do SYRIZXA não se restringe apenas a estas questões mas exprime-se também na sua política externa.

O governo grego em cinco meses proporcionou apoio significativo à NATO, aos EUA, o eixo Euro-Atlântico.

Ele não só manteve como também assumiu compromissos para fortalecer as bases EUA-NATO em Suda, o centro de comando para intervenções e guerra imperialistas, Aktio (centro de radar) e também assumiu compromissos para fortalecer os centros de comando em Salónica, Larissa, etc.


O governo anunciou que em consulta com os EUA instalará uma nova base da NATO no Mar Egeu, na ilha de Carpatos.

O governo assumiu oficialmente um compromisso de disponibilizar suas forças armadas e bases militares para novas guerras imperialistas na região, a fim de enfrentar os jihadistas e "proteger as populações cristãs".

Ele participa em exercícios militares juntamente com os EUA e Israel e fortalece suas relações militares, políticas e económicas com o estado israelense que continua a ocupação e os tormentos do povo palestino.

A chamada "política multi-dimensional" com a Rússia e a China, com os BRICS, está a ser executada do ponto de vista do avanço dos interesses dos grupos monopolistas a fim de fortalecer suas posições no campo da energia, no quadro geral da competição imperialista, enredando nosso povo em novos perigos.

CONCLUSÕES IRREFUTÁVEIS

Os trabalhadores da Europa e de todo o mundo podem retirar importantes conclusões deste curso dos acontecimentos na Grécia a fim de denunciar as forças políticas que defendem o caminho de desenvolvimento capitalista e a União Europeia, a união imperialista inter-estatal.

Os homens e mulheres comunistas, os trabalhadores, devem examinar os desenvolvimentos na base dos dados reais.

Eles deveriam apreciar a posição de dúzias de Partidos Comunistas que tentam analisar os desenvolvimentos na Grécia com base em critérios de classe, mantiveram o princípio do internacionalismo proletário, contribuíram para apoiar luta do KKE, publicaram seus boletins de informação e entrevistas, escreveram seus próprios artigos e combateram contra a confusão semeada pelo SYRIZA e pelo Partido de Esquerda Europeu (PEE).

O KKE agradece às dúzias de partidos comunistas e organizações de juventude comunista de todo o mundo que exprimiram sua solidariedade de muitos modos diferentes e permaneceram ao lado da luta do nosso partido e da KNE (Juventude Comunista Grega).

Agradecemos aos trabalhadores e trabalhadoras, sindicalistas e outras organizações do movimento popular do estrangeiro que apoiam a luta do movimento com orientação de classe na Grécia.

Nosso partido continuará a travar lutas árduas e a honrar a vossa confiança.

Nas condições da forte pressão exercida pelo aparelho ideológico burguês e pela intervenção das forças oportunistas, a expressão em massa de solidariedade internacionalista é um elemento muito importante. Ela contribui para a nossa luta comum. Trata-se de uma experiência valiosa que frutificará no período seguinte.

Ao mesmo tempo, os comunistas e trabalhadores devem examinar cuidadosamente e denunciar as forças oportunistas e outras que durante todo este período ocultaram as posições do KKE e alinharam-se com o SYRIZA, embelezando a essência de classe anti-povo da sua linha política, seu carácter social-democrata.

O PEE desempenha um papel particularmente perigoso na manipulação dos trabalhadores. O Partido de Esquerda Europeu reconheceu a sua própria mutação estratégica rumo à gestão burguesa nas posições sociais-democratas do SYRIZA, as suas próprias posições favoráveis à assimilação dentro da UE.

Isto era expectável.

Este grave problema refere-se a certos PCs que reproduziram as posições do SYRIZA, apresentaram-no como força de resistência contra a UE, ocultando o facto de que este partido é um defensor da aliança predatória da UE e da NATO, um administrador da barbárie do sistema capitalista.

Estas forças saudaram o "NÃO" do referendo mas ocultaram o facto de que por trás disto estava o SIM do SYRIZA a um novo memorando, novas medidas que continuarão a sangrar o nosso povo.

Elas desinformaram – intencionalmente ou não intencionalmente – os trabalhadores nos seus países. Estas forças ligaram a posição do governo grego à defesa da "soberania popular", mas a realidade demonstra que o povo não pode ser soberano quando está sitiado pela chantagem das forças do capital, quando está faminto, desempregado, vítima do capitalismo e dos capitalistas que mantêm o poder e possuem os meios de produção e roubam a riqueza produzida pelos trabalhadores.

A postura destes partidos objectivamente foi contra a luta do KKE e a expensas do interesse da classe trabalhadora, das camadas populares na Grécia, em todo país, porque apoiar a nova social-democracia significa fortalecer o adversário dos trabalhadores, promove ilusões e confusão.

Não há desculpa. Eles arcam com sérias responsabilidades. Os partidos que ocultaram as posições do KKE, organizaram eventos para apoiar o SYRIZA e saudaram a social-democracia foram revelados.

Na realidade, as manifestações, como em Paris, Roma, Bruxelas, Nicósia, Lisboa e outras cidades, pouco importando quem as organizou e os slogans usados, foram utilizadas pelo SYRIZA como um álibi "de esquerda" para fortalecer a sua posição, para apresentar-se como um "salvador" e impor novas duras medidas anti-povo sobre os trabalhadores gregos.

Esta não é a primeira vez que falamos acerca destas questões. As consequências da influência oportunista nas fileiras do movimento comunista, consequências da contra-revolução, continuam a ser penosas.

Nosso partido, como é bem sabido, tem exprimido firmemente (durante muitos anos) sua solidariedade internacionalista com PCs que hoje se alinham com os seus oponentes políticos. O KKE segue uma posição de princípio e continuaremos a assim actuar.

Contudo, deve começar uma discussão no Movimento Comunista Europeu e Internacional acerca das escolhas de PCs que tomam o lado da social-democracia e dela devem ser retiradas conclusões.

Quem quer que perca a bússola revolucionária de classe será levado a administrar o capitalismo, mesmo que o nome comunista seja mantido, mesmo que haja referências formais ao socialismo.

A experiência histórica revela isto e este é o problema para certos partidos que usam a calúnia do "sectarismo" a fim de incriminar a luta revolucionária, esconder o seu próprio recuo dos princípios do marxismo-leninismo e a sua opção por administrar o sistema burguês.

Os desenvolvimentos recentes trouxeram à tona questões sérias que devem ser discutidas ainda mais.

Os partidos sociais-democratas da variedade SYRIZA e Podemos trabalham para manipular a classe trabalhadora, salvaguardar a gestão capitalista com falsos slogans de esquerda.

Na prática, o exemplo do SYRIZA demonstra mais uma vez que os chamados "governos de esquerda" são uma forma de gestão e reprodução da exploração capitalista, que eles cultivam ilusões, desarmam as forças populares e levam ao fortalecimento de forças conservadoras, para o retorno de governos de direita. Os exemplos de "governos de esquerda" em França, Itália, Chipre, Dinamarca e países da América Latina confirmam esta avaliação.

A posição que apresenta a substituição do Euro por uma divisa nacional, a exemplo do dracma na Grécia, como um desenvolvimento a favor do povo, uma posição apoiada por vários grupos de ultra-esquerda e quadros do SYRIZA que no parlamento votaram contra o 3º memorando, obscurece a situação real para os trabalhadores. A [mudança de] divisa não pode por si própria resolver favoravelmente qualquer dos problemas do povo. A exploração capitalista continuará a dominar, bem como o factor que determina o curso dos desenvolvimentos, isto é, qual classe social tem o poder e os meios de produção nas suas mãos.

A tentativa de interpretar os desenvolvimentos com posições que apresentam a Grécia como sendo uma "colónia" não tem uma base objectiva. Ela omite os objectivos e interesses da burguesia, não toma em conta o desenvolvimento capitalista desigual (uneven) e as relações desiguais (unequal) entre estados capitalistas.

A continuada participação na NATO e na UE é a posição dominante na classe burguesa e as concessões de direitos soberanos são uma escolha consciente que objectiva reforçar o capitalismo e servir os interesses dos monopólios no interior de alianças imperialistas.

Centrar toda a atenção sobre a postura da Alemanha, a tentativa de interpretar os desenvolvimentos através do prisma do "golpe de Schauble" oculta a essência da competição inter-imperialista, dos interesses que estão envolvidos no conflito.

A escolha de aliados do governo SYRIZA-ANEL, exemplo: os EUA e a França, nada tem a ver com os interesses do povo mas sim com os interesses dos grupos monopolistas, enredando nosso povo ainda mais na teia da competição imperialista.

As recentes declarações de um quadro do SYRIZA e vice-presidente do governo são características. Ele fez a seguinte referência: "Tenho de agradecer publicamente ao governo dos EUA e ao Sr. (Presidente Barack) Obama pois sem a sua ajuda e persistência em que o acordo tem de incluir a questão da dívida e o horizonte de desenvolvimento poderíamos não ter tido êxito".

A LUTA DO KKE

O KKE avançou em frente, tendo enriquecido sua estratégia na base das exigências contemporâneas da luta de classe, ultrapassando a teoria respeitante a "etapas intermediárias" na gestão do sistema explorador e as diferentes formas para a manutenção da democracia burguesa, defendendo as lei da revolução e construção socialista.

Nosso partido utilizou a linha de luta anti-capitalista – anti-monopolista, a linha para a concentração e preparação da classe trabalhadora e forças populares para o derrube do capitalismo, para o poder dos trabalhadores e do povo, o socialismo, rejeitando a cooperação com o partido social-democrata SYRIZA e qualquer participação em governos de gestão burguesa.

Ele deu uma resposta decisiva nas eleições de 2012, continuando em condições difíceis sua luta político-ideológica e de massa independentes, com as necessidades das famílias da classe trabalhadora e estratos populares como seu critério.

Ele travou a batalha das eleições em 2015, aumentou suas forças e utiliza seu grupo parlamentar de 15 membros para destacar os problemas do povo, apresentando importantes projectos e propostas de lei, como o projecto de lei para a abolição do memorando e das leis de aplicação as quais o governo desde há cinco meses tem-se recusado a discutir no Parlamento.

Ele utiliza o seu grupo parlamentar na UE ao lado dos trabalhadores, alcançando um novo nível nas suas intervenções políticas significativas após a sua retirada do GUE/NGL, o qual foi transformado num apêndice do PEE.

A orgulhosa posição do KKE no referendo recente é uma continuação desta luta política. Esta posição revelou a linha política anti-povo do governo SYRIZA-ANEL, da Troika e dos partidos políticos burgueses que apoiam a permanência na UE "a qualquer custo", apresentando sua própria proposta ao povo.

Nosso partido intervém decisivamente nos desenvolvimentos políticos, combate contra dificuldades e deficiências e trabalha incansavelmente nos lugares de trabalho, no interior do movimento trabalhista e popular, desempenha o papel principal nas lutas da classe trabalhadora, dos agricultores, dos estratos intermediários, da juventude. Ele continua sua actividade internacionalista, fortalece suas relações com dúzias de PCs de todo o mundo e tenta discutir sua experiência com os comunistas e as principais forças da classe trabalhadora no exterior.

Estes deveres são muito sérios. O KKE centra-se em organizar a resistência dos trabalhadores contra o acordo anti-povo do governo SYRIZA-ANEL, de modo a que o nível das exigências populares seja elevado e de que se desenvolva um movimento militante para exigir de um modo maciço a recuperação das perdas e a satisfação das necessidades contemporâneas.

O movimento com orientação de classe, PAME, e os demais agrupamentos militantes estão a escalar as mobilizações de massa, estão a fazer esforços para organizar um movimento de solidariedade para apoiar aqueles que estão a sofrer devido ao desemprego e à pobreza, para apoiar os pensionistas, os trabalhadores que estão de pé nas filas junto aos bancos para receberem uma pequena parte da sua pensão ou salário devido às restrições sobre transacções bancárias.

Através de comités de luta nos lugares de trabalho, fábricas, hospitais, supermercados, serviços, através da mobilização dos "comités populares" nos bairros.

Estas são ferramentas valiosas para o fortalecimento da luta popular.

Continuaremos neste caminho e apelamos à classe trabalhadora, aos estratos populares, a adoptarem em massa e de modo decisivo a proposta política do KKE para a melhor organização possível dos trabalhadores, para o reagrupamento do movimento trabalhista, para o fortalecimento da aliança popular da classe trabalhadora com os agricultores, os outros estratos populares a fim de intensificar a luta por mudanças radicais profundas. Para a socialização dos monopólios, com planeamento científico central da economia, desligamento da UE-NATO e o desenvolvimento de relações mutuamente benéficas com outros estados e povos, com o cancelamento unilateral da dívida, com a classe trabalhadora e o povo segurando as rédeas do poder.
[*] Membro da Comissão Política do Comité Central do KKE

[NR] A figura do voto "presente" é uma especificidade do Parlamento grego. O voto "não" significa uma oposição frontal e total. O voto "presente" significa que em princípio se está contra uma proposta (um projecto de lei, por exemplo) mas que se reconhece algumas ideias úteis na mesma. De certo modo o voto "presente" é quase o equivalente à abstenção, mas não exactamente a mesma coisa.

A versão em inglês encontra-se em inter.kke.gr/en/...

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
31/Jul/15

27-07-2015

Link permanente 09:38:33, por José Alberte Email , 114 palavras   Português (GZ)
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CANTA O MERLO: Estamos numa depressão global, não numa recessão

ESTAMOS NUMA DEPRESSÃO GLOBAL, NÃO NUMA RECESSÃO
http://resistir.info/

A vendas mundiais da Caterpillar estão há 31 meses em declínio consecutivo. Esta transnacional das máquinas pesadas está presente em todos os continentes e as suas vendas constituem um bom indicador do estado da economia mundial. Por ocasião do colapso de 2008 a Caterpillar experimentou um declínio consecutivo de "apenas" 18 meses. Se agora já vai nos 31 meses, será que ainda se pode falar em "recessão conjuntural"? Esta notícia na verdade mostra uma depressão na plena acepção da palavra, longa e prolongada. Contudo, o jornalismo económico português não publica notícias ou análises como esta – só aquelas que promovam a "confiança dos mercados". Chama-se a isto desinformação por omissão.

19-07-2015

Link permanente 11:03:10, por José Alberte Email , 954 palavras   Português (GZ)
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CANTA O MERLO: As simulaçons ideológicas de Francisco I, monarca vaticano

As simulaçons ideológicas do papa Francisco

Maciek Wisniewski*

http://www.jornada.unam.mx/2014/11/07/opinion/030a2pol

Aposto que nem os spin-doctors do Vaticano imaginavam-se que o seu re-branding ia ser tam bem sucedido. Que em pouco tempo converteriam a Jorge Mário Bergondo, conservador próximo dos sectores mais reaccionários da Igreja argentina durante a dictadura, que punha paus na roda do progressismo kirchnerista, num líder mundial de esquerda.

Mas iam de vento em popa. Qualquer conservador sensível "como Bergoglio", em comparaçom com os ultraconservadores-trogloditas que dominam na Igreja post wojtyliana, parece um progressista.

Num mundo onde o centro da política moveu-se (muito) à direita, qualquer que diga algo sobre a pobreza e a injustiça já é marxista e/ou comunista (o mesmo passa com as desigualdades e o seu combate: vende-se-nos como umha demanda revolucionária; em realidade é muito conservadora).

Num mundo onde a crítica escasseia, qualquer que critique ao capitalismo tem hipótese de parecer messias de esquerda.

O truque da operaçom Francisco é que em muita parte o trabalho fazia-se só.

Isso nom quer dizer que Bergoglio nom pusesse a sua parte: despregou e manejou (quase) à perfeiçom todo o arsenal de gestos e mensagens "adrede" ambígüos; coqueteou e seduziu a círculos progressistas dentro e fora da Igreja.

Mas, se um punha atençom, em cada escintileo das suas simulaçons ideológicas viam-se, como umha sombra, o seu passado e presente conservador, e igualmente conservadores princípios reitores do seu papado:

a) Disciplina,
b) Hegemonia,
c) Cooptaçom
d) Neutralizaçom.

Velaquí alguns dos momentos "e assuntos" mais sintomáticos:

" Francisco rejeita as acusaçons da direita estadunidense de ser um marxista trás a sua crítica ligeira ao capitalismo em Evangelli Gaudium (os mesmos círculos que dizem que o debate sobre as desigualdades é comunista, enquanto é... procapitalista): A ideologia marxista está equivocada, mas conhecim a muitos marxistas boas pessoas e nom me ofendo (Página/12, 16/12/13).

Nom? Ok. Entom deveriam se ofender os marxistas.

Mas o mais problemático desta chiscadela à esquerda "fora da sua opiniom que o marxismo está equivocado (nom será um retrocesso a respeito de Joám Paulo II, que em Laborem execens dizia que este é perigoso, mas contém grao de verdade")" é a ligeireza com que Bergoglio joga "hoje" com este termo.

E “ontem" Estivo perto das hierarquias que temiam que se fracassava a ditadura vinha o marxismo (sic). Castigava aos curas “villeros” que o punham em prática. Aos cregos Yorio e Jalics tachou-nos de esquerdistas, entregando aos militares (digam digam-no hoje os embelecedores da sua biografia). Seguro nom se ofendêrom, mas quase perdêrom a vida.

Horacio Verbitsky: “Hoje estes som assuntos teóricos opináveis, como o debate sobre marxismo ou a teologia da libertaçom que Bergoglio reavivou. Mas naqueles anos era questom de vida ou morte” (Página/12, 16/3/14).

" O tema da reabilitaçom da teologia da libertaçom por Francisco merece análise aparte; aqui, só dous pontos:

" Se há umha pedra de toque do sucesso das suas simulaçons é a existência de quem hoje acham que ele sempre estivo influenciado por ela, só se escondia; por outra parte, se por influência percebe-se que se lhe opunha ferozmente (vinde: o seu “preito” com Pedro Arrupe), pois sim, estivo muito influenciado.

1. " Segue actual a análise histórica de Michael Löwy que o localizava nas antípodas desta corrente (Lê Monde, 30/3/13); os últimos meses confirmárom-no: contrariamente à teologia da libertaçom, ele opta nom polo empoderamiento dos pobres, senom o seu tutelagem ignora os seus predicamentos mais radicais, coopta o seu potencial e neutraliza o mais subversivo.

" O Papa contesta a quem o acusam de ser um Papa comunista e/ou falar como Lenine (sic!): Eu só digo que os comunistas nos roubárom a bandeira da pobreza (A Jornada, 30/6/14).

É algo que diria um colega em armas, ou um rival político de esquerda que luta pola hegemonia entre os pobres" nom será este a cerna do bonapartismo neofranciscano"

1. " O Papa durante o encontro com os movimentos populares (Vaticano, 27-29/10/14), parafraseando a Hélder Câmara: Se pedo ajudar aos pobres, dizem que som comunista (Telesur, 28/10/14).

Löwy também lembrava aquela passagem canónico (Se dou pam a um pobre, dim-me que som um santo; quando pergunto por que a gente é pobre, chamam-me comunista), mas para salientar que Bergoglio ajuda e nom fai perguntas incómodas (até a sua paráfrasis ficou curta...).

No seu enfoque nom há classe oprimida e classe opressora (algo que sim identifica a teologia da libertaçom); para ele, isso nom importa: só há que trabalhar juntos polo bem de todos.

Neste sentido é excessivo o entusiasmo de Ignacio Ramonet, que trás o encontro "ao que assistiu Evo Morais como líder cocalero" aplaudia o grande valor do Papa e o seu novo rol histórico como embandeirado solidário das luitas dos pobres do mundo (Rebelión, 30/10/14).

E mais se lembramos a análise de Rubem Dri, ex-cura terceiro-mundista: Para Bergoglio o verdadeiro rival som os governos progressistas. Mas ele sabe que nom pode chocar frontalmente com eles. Tem que actuar de maneira inteligente, desde abaixo, entre os movimentos populares (Krytyka Polityczna, 1/2/14).

Assim, aquele encontro concreta-se mais bem como a mais grande, até agora, simulaçom de Francisco. O seu acostumam é cooptar, nom cooperar; neutralizar, nom impulsar; disciplinar e meter os movimentos e governos progressistas ao seu curro.
Estes nom devem ignorar as mudanças no Vaticano, mas também nom querer subir ao papa-móvil.

Nem deixar-lhe a Bergoglio a tam almejada bandeira da pobreza (e se alguém sente confusom, que lembre a sua história).

Quando estalou a crise, Reinhard Marx, bispo de... Tréveris, aproveitando o apelido tirou um livro intitulado, claro, Das Kapital (2008) "ao que parece Piketty nom foi primeiro...", com um vago chamado a reformas.

Foi um sucesso mediático. nom de casualidade, continuando a simulaçom, o Papa incorporou-o ao seu grupo de cardeais e conselho de economia.

Confundir a Francisco com a esquerda é como confundir a Reinhard com Karl Marx.

* Jornalista polonês

14-07-2015

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CANTA O MERLO: Grécia: O acordo repugnante com o IV Reich

O ACORDO REPUGNANTE COM A UE
http://resistir.info/

O acordo alcançado in extremis na madrugada de 13 de Julho é uma demonstração flagrante de que a UE nada mais tem a oferecer aos povos europeus. Ele assinala o começo do fim do euro, que arrastará a prazo o da UE. O acordo é de cumprimento impossivel, como assinalou o ex-ministro Varoufakis. Ele nem sequer contempla o problema fundamental da Grécia, a sua dívida externa impagável adquirida em condições odiosas. Ao aceitá-lo o governo SYRIZA-ANEL submeteu-se a condições mais extorsivas e humilhantes do que se o país tivesse sido derrotado numa guerra militar. As exigências do Eurogrupo fôrom inimagináveis, feitas aparentemente para serem recusadas – mas o governo do sr. Tsipras aceitou. Um tal governo já perdeu toda e qualquer legitimidade – terá de ser derrubado pelo povo grego.O texto (integral?) deste acordo infame pode ser visto aqui .

http://www.infogrecia.net/wp-content/uploads/2015/07/acordo12julho.pdf

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CANTA O MERLO: Os comunistas portugueses pedem um referendo para tirar ao país do euro e nacionalizar a banca

Os comunistas portugueses pedem um referendo para tirar ao país do euro e nacionalizar a banca

http://www.elespiadigital.com/

Os cartazes que reclamam umha hipotética saída do euro podem verse nas ruas de Lisboa e O Porto desde há semanas, mas é agora quando o Partido Comunista de Portugal aproveita a conjuntura gerada polo desafio grego para incluir semelhante proposta no seu programa eleitoral para as eleições gerais de Outubro.

O secretário geral do PCP, Jerónimo de Sousa, pretende encabeçar um movimento de contestaçom à política actual do Governo de Passos Coelho reclamando um referendo no país vizinho para decidir o retorno à moeda anterior, o escudo.

Na sua opiniom, a Uniom Europeia, o IV Reich, impede o desenvolvimento de Portugal com as suas estritas receitas financeiras, ainda que nom se necessitou um segundo resgate e os prazos de devoluçom de interesses ao Fundo Monetário Internacional estám a se cumprir.

De Sousa considera que a UE é um bloco sem coesom, senom que a maioria dos membros (especialmente, os do sul do continente) limita-se a obedecer a Berlim e Bruxelas.

«O povo português tem direito a sortear esses obstáculos e condicionantes para disociar a questom do euro da integraçom. De momento, estas políticas só nos levam ao empobrecimento, assim que talvez chegou a hora de escutar aos cidadaos», manifestou a cabeça visível do PCP trás a sua reeleiçom como secretário geral o passado fim-de-semana.

O seu objectivo nom é outro que «estudar e preparar a libertaçom de Portugal da submissom ao euro porque representa a degradaçom do aparelho produtivo».

Em qualquer caso, o eventual abandono da moeda única deve basear-se em «o a respeito da vontade popular e umha cuidadosa preparaçom:, ademais da defesa dos salários e das poupanças, dos níveis de vida e dos direitos dos trabalhadores».

Como novas medidas, os comunistas solicitam o regresso ao controlo público da banca e, a partir de 2016, elevar o salário mínimo de 505 a 600 euros.

Amparam na situaçom da Grécia para proclamar que a sua posiçom é «absolutamente justa» e para assegurar de forma categórica: «O euro está vigente em Portugal desde o 1 de Janeiro de 2002 e, desde entom, ficou claro que esta adesom só pode qualificar-se como um grande erro político e financeiro».

08-07-2015

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CANTA O MERLO: Grécia debaixo de sítio

GRÉCIA DEBAIXO DE SÍTIO

http://resistir.info/

Em tempos medievais, quando um exército pretendia conquistar uma cidade bem amuralhada punha-a debaixo de cerco. Na impossibilidade ou dificuldade de um assalto frontal às suas muralhas, tentava assim vencê-la pela fome. É de suspeitar que as tentativas do governo grego de negociar deparem-se com essa táctica – as delongas pós referendo do Eurogrupo sugerem isso. A Grécia está a míngua. As suas caixas multibanco já pouco dinheiro têm devido à sabotagem deliberada do BCE. Os recursos para importações são escassos. Assim, tudo indica que começou o cerco. O empréstimo imediato solicitado pelo governo está no vamos ver. Quanto à reestruturação da dívida, a Troika nem quer falar nisso. Trata-se, no fundo, de uma tentativa hipócrita de por a Grécia para fora da Eurozona sem o dizer explicitamente. Assim se vê a democracia deles. Por que quer a todo o custo o governo SYRIZA-ANEL manter-se na UE?

07-07-2015

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CANTA O MERLO: Rússia e China esperam a Grécia com os braços abertos

RÚSSIA E CHINA ESPERAM A GRÉCIA COM OS BRAÇOS ABERTOS

Por Manuel Freytas

O recente nom dos gregos a seguir suportando a USURA FINANCEIRA das potências centrais Europeias com Alemanha à frente precipitou umha situaçom de CRISE SEM PRECEDENTES da Uniom Europeia em diferentes frentes. E o triunfo do nom no referendo deste domingo detonou umha nova desvalorizaçom do euro e umha ALERTA VERMELHA dos mercados internacionais com umha baixa generalizada das bolsas a nível mundial.

O nom rotundo dos gregos (que triunfou por um 64 %) apontoa a posiçom da Grécia de nom PAGAR a sua dívida aos credores USURARIOS encabeçados por Alemanha e o FMI. E como efeito emergente o triunfo do nom pom a Grécia ao bordo de abandonar o euro e SAIR DA Uniom Europeia.

Também poderia declarar umha gigantesca falta de pagamento da sua dívida nas próximas semanas. De concretizar-se esta decisom, o bloco imperial EEUU-Uniom Europeia-NATO .poderia enfrentar a sua pior CRISE HISTÓRICA em directo benefício do eixo estratégico Rússia-China ao qual se INTEGRARIA a GRÉCIA se rompe com a UE. "umha Grécia despedaçada poderia voltar-se para Rússia em busca de apoio. A mudança, os helenos poderiam vetar a próxima enxurrada de sançons da UE contra Moscovo, ou mesmo oferecer-lhe as instalaçons navais que no seu dia empregaram os EEUU", assinala a agência Reuters.

No seu PIOR cenário, a possível saída da Grécia do euro e da Uniom Europeia pode potenciar três EFEITOS simultâneos:
A) Desintegraçom e dissoluçom política, económica e financeira da Uniom Europeia,
B) EFEITO CONTÁGIO a outros países, principalmente as ex naçons soviéticas do Europa do Leste, as vítimas mais vulneráveis da espoliaçom capitalista das potências centrais Europeias,
C) EFEITO DE Dissoluçom geopolítico e militar sobre a aliança EEUU-Uniom Europeia com a possível saída da NATO de países ex soviéticos que sigam o exemplo da Grécia.

Este quadro de situaçom poderia gerar umha CRISE MORTAL da estratégia geopolítica e militar da aliança USA NATO na Europa do Leste. E há umha razom de fundo que o explica. Todo o poderio do CERCO MILITAR NUCLEAR que o eixo USA NATO traçou por volta da Rússia, está em bases despregadas em ex repúblicas soviéticas que integram o dispositivo da Aliança imperial.

Por sua vez, e como resultante do nom deste domingo, umha possível aliança da Grécia com Rússia e China em procura de AJUDA ECONÓMICA E FINANCEIRA, poderia precipitar umha CRISE SEM RETORNO da aliança EEUU-Uniom Europeia-NATO. E dar um emborco impensado nas relaçons de força da GUERRA INTERCAPITALISTA. E este quadro de situaçom fai com que hoje Rússia e China ESPEREM A GRÉCIA com os braços abertos.

06-07-2015

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CANTA O MERLO: Grécia: Acerca do referendo-relâmpago

Acerca do referendo-relâmpago
por Dimitris Koutsoumbas [*]

Saudamos as milhares de pessoas que seguiram o apelo do KKE a não ceder à chantagem. Saudamos em particular as eleitoras e eleitores que inseriram o boletim do KKE com a sua proposta de formulação da pergunta para o referendo feita no Parlamento mas bloqueada pelo governo. Com isso, o povo foi privado do direito de votar sobre esta proposta, foi-lhe retirada a possibilidade de poder escolher entre várias propostas.

Face à pergunta parcelar e contraditória do referendo-relâmpago, parte da população conseguiu evitar a confusão, dar uma primeira resposta com boletins nulos ou brancos, ao passo que um grande número de pessoas ficaram à margem deste voto, quanto mais não fosse por causa de dificuldades financeiras e dos custos demasiado elevados dos transportes para se deslocaram aos locais de votação.

Desde a decisão tomada de organizar o referendo, constatámos, com razão, que independentemente da questão do voto, não pode haver soluções alternativas, verdadeiramente positivas para o povo, no quadro da UE, das vias capitalistas, do reconhecimento das dívidas. Todas as outras forças políticas, tanto no campo do NÃO como no do SIM apresentam soluções incluídas neste quadro. Elas encontram-se todas a defender a necessidade de se conformar às regras da UE, a defender os interesses das partes do capital que elas representam respectivamente.

Dirigimo-nos particularmente às eleitoras e eleitores que hoje votaram pelo NÃO e acreditaram que poderiam assim ser posto um fim à política de austeridade, que poderiam resistir eficazmente às medidas mais duras e ao memorando. Apelamos a todos aqueles que hoje se sentem reforçados pela vitória do NÃO a não permanecerem passivos e a não validar a tentativa do governo de transformar este NÃO num SIM para novos acordos anti-populares. Nós lhes estendemos a mão para os combates que hão de vir contra o agravamento das suas condições de vida.

Paralelamente, dirigimo-nos também às eleitoras e aos eleitores que votaram SIM sob a pressão do seu empregador, sob o medo do encerramento dos bancos, com a ideia de proteger seu salário, pensão e algumas economias. Apelamos a que reflicta de novo no seu voto, a resistir a partir de hoje às chantagens, a não deslizar para direcções conservadoras e reaccionárias, a não trazer água ao moinho dos partidos anteriormente no governo.

O governo de coligação SYRIZA-ANEL não deve poder ousar utilizar o resultado do referendo para infligir ao nosso povo novos e pesados sacrifícios, novos memorandos válidos duradouros. Os acordos que o Sr. Tsipras prometeu assinar, na base da sua proposta de três dias atrás às "três instituições", ou seja, à Troika, conduzem, com uma precisão matemática, a um novo memorando ainda pior. Ele legitima assim os memorandos anteriores, inclusive as leis que os puseram em aplicação e, ainda mais grave: não hesita em conduzir o povo para uma verdadeira falência. A outra alternativa possível, de que a Troika falou, ou seja um caminho de saída do euro, representa igualmente uma opção que atingiria somente a classe operária e as outras camadas populares.

É mais urgente e necessário que o movimento e o povo retomem maciçamente a proposta do KKE de saída da crise. As condições prévias: a socialização dos monopólios, o desligamento da UE, a denúncia unilateral da dívida, o estabelecimento de uma planificação central científica para o desenvolvimento da sociedade, para o povo, com o povo realmente no poder. O KKE estará na primeira fila de todos os combates do nosso povo no período que está para vir. Continuaremos a reforçar o carácter anti-monopolista e anti-capitalista da luta, sua junção com o KKE.

Organizemos e preparemos a resistência, a disposição para resistir na eventualidade de novos desenvolvimentos negativos. Apoiemos os mais fracos, os desprezados. Organizemos iniciativas para ajudar as famílias das camadas populares a sobreviver, com comités de acção nos lugares de trabalho, nas empresas, nos hospitais, nos supermercados, nos escritórios, com comités populares nos bairros, com grupos de solidariedade e de entre-ajuda, com grupos e comités de controle.

Nossa resposta à tentativa de polarização e divisão do povo reside na unidade da classe operária, na difusão das posições de classe no movimento, no reforço da força popular. A proposta do KKE reúne a maioria do povo no presente e para o futuro, contra o verdadeiro inimigo, a UE, o capital e sua dominação.

Atenas, 5 de Julho de 2015
Resultados finais do referendo :
NÃO: 61,31% dos votos válidos
SIM: 38,69% dos votos válidos
Nulos: 5,046%
Brancos: 0,75%
taxa de participação: 62,5%

[*] Secretário-geral do CC do KKE.

A versão em francês encontra-se em www.solidarite-internationale-pcf.fr/...

Esta declaração encontra-se em http://resistir.info/ .
06/Jul/15

05-07-2015

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Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: Grécia: Ganhar a batalha, continuar a guerra

http://elterritoriodellince.blogspot.com.es/

Ganhar a batalha, continuar a guerra

Hoje é o dia. Hoje Grécia vota e comentei que apoio o "nom". Ocasional e consciente das circunstâncias. Há que lembrar a Protágoras quando dixo que "o homem é a medida de todas as cousas". Grécia está a optar entre o dilema de se o homem é sob medida de todas as cousas ou o é o dinheiro.

Syriza já nom tem ilusons, a gente já nom tem ilusons. Syriza é social-democrata e comportou-se como tal, aceitando todas e cada umha das propostas de "as instituiçons", antes chamadas Troika, ainda que com muito suaves matizaçons. Syriza nunca esteve disposta a jogar as duas grandes baças que tem, a saída do euro e a saída da NATO. A Troika sempre foi consciente disso, polo que actuou em conseqüência. O referendo nom é mais que a tentativa de legitimar "democraticamente" o acordo menos mau: optar entre a morte e a amputaçom. Syriza nom é que seja débil, que o é; é que elegeu ser débil, polo que agravou as dúvidas da populaçom grega.

O voto "nom" fai parte da batalha, umha batalha na que ocasionalmente há que estar junto a Syriza. Mas até aí. Se se ganha a batalha, de imediato há que continuar a guerra. Incluindo a Syriza.

Syriza poda que considere que se ganha o "nom" conta com o apoio incondicional do povo e fazer como quando um barco muda de rumo: aparentemente avança mas o que fai é traçar um círculo para voltar ao mesmo ponto onde decidiu mudar de rumo. Isso é o referendo. Syriza pode considerar, se ganha o "nom", que está legitimada para voltar onde estava quando decidiu aceitar todas e cada umha das propostas da Troika, ainda que matizando ligeiramente algumhas. Isso é o que há que impedir. Se se ganha a batalha, há que continuar para ganhar a guerra. E isso inclui combater contra Syriza e o que representa com mais coragem que até agora porque já se produziu umha derrota da Troika.

A UE tentou silenciar o relatório do FMI que reconhece que a dívida grega é impagável, que há que ir a umha tira que Syriza estabelece em 30%. É dizer, que é a própria Syriza a que estabelece o que há que pagar e o que nom, descarregando do peso da decisom a "as instituiçons". Syriza nom quer aproveitar um relatório demolidor "e haverá que analisar por que EEUU pressionou para que se conhecesse precisamente agora, antes do referendo, em contra do que pretendia a UE- para desacreditar ao FMI, ao Banco Central Europeu e à Comissom Europeia. Trás este relatório som entidades sem credibilidade algumha, se é que tinham algumha. Mas Syriza sai no seu defesa estabelecendo um tope para tira-a, a terceira parte. Só a terceira parte.

Mas é que, ademais, este relatório é determinante para Espanha, para Portugal, para a Irlanda porque pom de manifesto que todo o que se fixo, a destruiçom dos sistemas públicos de saúde, educaçom, trabalhos era perfeitamente evitável. Ao nom insistir na falta de pagamento da dívida, Syriza é corresponsável de todo isso.

Nom há outra saída que abandonar o euro. A teimosia de Syriza em seguir no euro é suicida. É garantir o desastre financeiro e económico a curto, meio e longo prazo baixo a aparência do pam para hoje ainda que seja fame para manhá. Syriza nom só é social-democrata, senom euro-fanática. Dentro da Europa há muitos países que mantem a sua moeda e nom passa nada. Nom se derrubárom nem estám na bancarrota. Inclusive Grécia poderia aprender do seu inimigo Turquia, que nom está na UE, mantém a sua moeda e cresce economicamente (nom vou entrar noutros parâmetros políticos ou económicos, senom que só menciono o mesmo que outros fam com o euro, que sem o euro seria a quebra o que nom é real em absoluto). Por exemplo, Dinamarca mantém a sua moeda, a coroa, e nom passa nada. Por exemplo, Roménia mantém a sua moeda, o leu, e nom passa nada. É mais, segundo os parâmetros capitalistas inclusive Roménia cresceu o dobro desde que está na UE enquanto que Grécia já vemos onde está com o euro. nom caíram as suas exportaçons, ao contrário.

Na zona euro só há um ganhador: Alemanha. Que os avôs e avós gregos nom podam cobrar as suas pensons deve-se unicamente a que os bancos alemáns foram salvados das perdas porque se descarregárom estas perdas nos gregos, por exemplo. Por isso Grécia deve abandonar o euro. E o mesmo vale para outros países como Espanha ou Portugal.

O Lince

03-07-2015

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Categorias: Dezires

CANTA O MERLO: Grécia: Saída da UE, com o povo no poder

Grécia: Saída da UE, com o povo no poder

por Kostas Papadakis [*]
entrevistado por a odiario.info

1. Qual é a posição do KKE sobre o referendo?

Como é bem sabido, o governo do partido "de esquerda" – e na essência social-democrata – SYRIZA e do partido de direita nacionalista ANEL, num esforço para gerir a quebra total dos seus compromissos eleitorais, anunciou um referendo para 5 de Julho de 2015, com a única pergunta se os cidadãos estão ou não de acordo com a proposta de acordo apresentada pela UE, o FMI e o BCE e que se refere à continuação das medidas antipopulares, pela saída da crise capitalista com a Grécia no euro.

Funcionários do governo de coligação estão a apelar ao povo a que diga "Não" e deixam claro que este "Não" ao referendo será interpretado pelo governo grego como uma aprovação da sua própria proposta de acordo com a UE, o FMI, o BCE, cujas 47+8 páginas contêm igualmente medidas antipopulares e anti-operárias duras, com o fim de aumentar a rentabilidade do capital, o "crescimento" capitalista e a permanência do país no euro.

O governo SYRIZA-ANEL, que nem por um momento deixou de elogiar a UE, "a nossa casa europeia comum", o "acervo europeu", reconhece que a sua proposta é 90% idêntica à proposta da UE, do FMI, do BCE e tem muito pouco a ver com o que SYRIZA tinha prometido antes das eleições.
Juntamente com os partidos do governo de coligação (SYRIZA-ANEL) e a favor do "Não" posicionou-se o Aurora Dourada fascista, que apoiou abertamente o retorno à moeda nacional.

Por outro lado, a oposição de direita da ND e o PASOK social-democrata, que estiveram no governo até Janeiro de 2015, juntamente com o partido TO POTAMI (nominalmente de "centro" mas na essência reaccionário) posicionaram-se a favor do "Sim" às bárbaras medidas da Troika e afirmam que isto será interpretado como consentimento e "permanência na UE a qualquer custo"

Na realidade ambas as respostas levam a um "Sim" à União Europeia e à barbárie capitalista.

Durante a sessão no parlamento, em 27 de Junho, a maioria governamental de SYRIZA-ANEL rejeitou a proposta do KKE de colocar perante o julgamento do povo grego as seguintes propostas:

Não às propostas de acordo da UE, do FMI, do BCE e do governo grego
Saída da UE – Abolição dos memorandos e de todas as leis da sua aplicação

Com a sua postura o governo mostrou que quer chantagear o povo para que este aprove a sua proposta à Troika, que é a outra face da mesma moeda. Está a pedir ao povo que aceite os seus planos antipopulares e responsabilizá-lo pelas suas novas opções antipopulares, seja através de um acordo supostamente "melhorado" com os organismos imperialistas, ou por meio de uma saída do euro e o retorno à moeda nacional, que o povo será chamado a pagar de novo.

Nestas condições, o KKE está a apelar ao povo para que utilize o referendo como uma oportunidade para reforçar a oposição à UE, para que se reforce a luta pela única saída realista da actual barbárie capitalista, que tem apenas um conteúdo: Ruptura – Saída da UE, cancelamento unilateral da dívida, socialização dos monopólios, poder operário e popular.

O povo, com a sua acção e a sua escolha deve responder ao engano da falsa pergunta que o governo coloca e rejeitar tanto a proposta da UE, do FMI, do BCE como a proposta do governo SYRIZA-ANEL. Ambas as propostas contêm medidas antipopulares bárbaras que se acrescentarão aos memorandos e às leis da sua aplicação dos governos anteriores, da ND-PASOK. Ambas servem os interesses do capital os lucros capitalistas.

O KKE sublinha que o povo não deve escolher entre Esquila e Caribdis mas sim expressar no referendo, por todos os meios e formas, a sua oposição à UE e aos memorandos permanentes. Deve "cancelar" este dilema ao votar pela proposta do KKE.

Não à proposta da UE, FMI, e BCE
Não à proposta do governo
Saída da UE, com o povo no poder

2. Como avalia os resultados das negociações do governo grego com a Comissão Europeia?

O governo do Syriza-ANEL está há quatro meses a negociar com a troika, as "instituições", ou seja a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu (BCE) e o FMI, mas não a favor dos interesses do povo. Trata-se de uma negociação com os credores, que é a priori antipopular, com a qual o governo está a tratar de assegurar os interesses da burguesia grega no quadro do antagonismo geral que se desenvolve entre os Estados Unidos e a Alemanha, assim como entre os países da zona euro, sobre a fórmula da gestão capitalista. Esta negociação reflecte a confrontação geral em que a burguesia grega tem como objectivo, entre outros, assegurar um superavit baixo para os próximos anos, passando capitais destinados à amortização de empréstimos para o financiamento estatal dos grupos empresarias. Com estes capitais como ferramenta tentam recuperar da crise capitalista. Portanto, os grupos empresariais e as associações (Federação de Industrias etc.) apoiam o governo que se apressou a servir os seus interesses. O acordo antipopular de 20 de Fevereiro já previa que se mantivessem as leis antipopulares do memorando aprovadas pelo ND e pelo PASOK, enquanto se preparam novas medidas antipopulares no sistema tributário, privatizações, abolição de direitos de segurança social, etc. As negociações estão a levar a um novo acordo-memorando, seja qual for o seu nome.

Portanto os interesses do povo grego não são servidos se alinharem por planos antipopulares, que aliás implicam medidas anti-laborais bárbaras; pelo contrário, é necessário lutar contra eles de modo combativo e sem passividade. O povo não é responsável pela dívida da plutocracia; nem a criou nem tem de a pagar. Contra a lógica de uma renegociação antipopular, cujo resultado o povo já pagou e estão a chamá-lo para pagar de novo, o KKE pede ao povo que exija a abolição das leis antipopulares e a recuperação das perdas dos anos anteriores, abrir caminho para o cancelamento unilateral da dívida e, ao mesmo tempo, sair da UE, com o povo no poder.

Cada trabalhador deve pensar que o SYRIZA se tinha comprometido a romper com os memorandos mas agora traz outro e mantém vigentes todas as leis do memorando. O KKE, pelo contrário, apresentou de novo em Fevereiro no Parlamento um projecto de lei para o cancelamento dos memorandos e das leis antipopulares pertinentes. Além disso, apresentou uma proposta para o restabelecimento do 13º salário e do 14.o, aplicação imediata do salário mínimo de 751€ como base para aumentos — que haviam sido abolidos pelo governo da ND e do PASOK — aplicação obrigatória dos convénios colectivos sectoriais, etc.

3. Como estão a reagir os que votaram com o SYRIZA sobre os retrocessos perante as exigências da Comissão Europeia que invalidam as promessas feitas durante e período eleitoral? E a classe operária?

As "promessas" eleitorais do SYRIZA, o chamado programa de Tessalónica, eram migalhas que de qualquer modo não tirariam as famílias da pobreza e da miséria. Tratava-se de medidas que reciclariam a pobreza mais extrema, mesmo sob a consigna: "contra a crise humanitária", exonerando o próprio sistema capitalista, dando a entender que se trata de uma ocasião excepcional e não da própria natureza de um sistema explorador que está a apodrecer. Constituiriam mesmo os primeiros projectos de lei do governo que iam ser aprovados independentemente do resultado da negociação. Mas logo depois das eleições "o programa de Tessalónica" transformou-se de um programa de 100 dias num programa de quatro anos. Assim as promessas de restabelecer o salário mínimo passaram para um futuro longínquo e dependem do "apetite" dos próprios empregadores. Enquanto o imposto sobre bens imóveis (ENFIA) mantém-se no período próximo. Assim, os impostos existentes estão a aumentar e o povo vai pagar muito caro o aumento das taxas de IVA. Ao mesmo tempo, o 13º mês (pelo Natal) foi adiado, mesmo para os mais fracos economicamente.

O aumento do limiar de entradas isentas de tributação foi também adiado para os finais de 2016. Em contrapartida, estão a promover as privatizações de portos, aeroportos, bloquearam as reservas disponíveis dos municípios, de organismos estatais e os fundos de segurança destinados a cobrir as necessidades populares básicas. Enquanto se está a planificar o corte das pensões antecipadas e entre elas as profissões pesadas e insalubres, das mulheres trabalhadoras com filhos menores de idade, etc. Perante essa política governamental profundamente antipopular, os trabalhadores e outros sectores populares pobres que acreditaram nas esperanças que fomentaram as forças da nova social-democracia do SYRIZA, não devem ficar decepcionados mas sim tirar as conclusões políticas necessárias. Ou seja, que não existem "soluções fáceis favoráveis ao povo" quando o povo concede a responsabilidade a um governo que opera no quadro da UE e na senda do desenvolvimento capitalista. Portanto, o povo é soberano só quando possui os meios de produção, livre da UE, e pode satisfazer as suas necessidades com uma planificação científica central.

4. Como interpreta o enfraquecimento relativo da reacção popular nos últimos meses? Quais são as perspectivas para a luta de massas no futuro próximo?

Para lá da repressão e das provocações utilizadas pelos governos da ND e do PASOK nos anos da crise, um factor determinante que foi usado para enfraquecer o movimento operário e impedir o desenvolvimento da sua união e da sua orientação de classe, foi que a classe burguesa e o seu pessoal proporcionaram a ideia de que outro governo de gestão burguesa se encarregará de resolver os problemas populares e dos trabalhadores. A intenção de apresentar o governo com o SYRIZA no seu núcleo como salvador do povo provocou uma contenção grave do movimento operário. Fomentou a passividade e falsas ilusões, do que resultou que exista mesmo agora um retrocesso na luta operária e popular. Nos primeiros dias depois das eleições o novo governo tratou de por o povo a aplaudir activamente os objectivos da burguesia nas negociações antipopulares. Poucos meses depois, cada vez mais gente compartilha as advertências do KKE sobre o carácter e a missão deste governo. Uma série de mobilizações de trabalhadores não remunerados, grevistas, contratadores nos centros de trabalho são um fenómeno diário. A greve dos trabalhadores no sector da saúde, a 20 de Maio, foi um passo importante porque a situação nos hospitais estatais é explosiva dado que nem sequer têm gaze e os pacientes não só pagam caro por tudo, como ainda trazem os medicamentos de casa, materiais, etc. As mobilizações que o PAME está a organizar a 11 de Junho reclamando que não se aplique o novo acordo antipopular podem significar uma mudança na força, na combatividade do movimento operário, podem marcar um novo ponto de partida para o confronto da ofensiva do governo, da UE e do capital contra o povo, para a recuperação das perdas. A organização do seu contra-ataque para a criação de uma aliança popular forte contra os monopólios e o capitalismo.

5. As divergências no movimento comunista internacional actualmente são óbvias. A que se atribuem? Qual é a posição do KKE?

Sim, efectivamente há desacordos e divergências em assuntos-chave de importância estratégica. Mas o crucial é determinar qual é a base sólida e os critérios para os examinar. Os alicerces estão na cosmovisão marxista-leninista, nos princípios da luta de classes, na estratégia revolucionária. Só nesta base é possível fortalecer o verdadeiro carácter comunista dos partidos comunistas, conquistar a unidade da classe operária e a sua aliança com as demais camadas populares pobres, conseguir agrupar e preparar as forças trabalhadoras e populares para o derrubamento da barbárie capitalista, pelo socialismo-comunismo. De outro modo, os partidos comunistas ficam expostos ao efeito corrosivo das forças burguesas e oportunistas, ao parlamentarismo, à incorporação na gestão burguesa, às alianças sem princípios, à participação em governos de gestão burguesa sob o título de "esquerdas" "progressistas", à opção e à alienação por detrás das uniões imperialistas, a convergência com forças e formações oportunistas, como o chamado Partido da Esquerda Europeia ou a sua expressão política, GUE-NGL. A base de tudo isso é a lógica daninha de etapas entre o capitalismo e o socialismo. O etapismo, que historicamente não se confirmou em caso algum, está a embelezar o capitalismo, está a criar ilusões de que se pode humaniza-lo através da gestão burguesa, com a participação dos partidos comunistas. Este caminho levou à mutação e dissolução de partidos comunistas, por exemplo, em França, Itália, Espanha, etc. Esta percepção de "etapas", que se baseia em elaborações obsoletas do movimento comunista internacional, acalma o derrubamento do poder capitalista, o próprio socialismo, a "segunda vinda" e fragiliza a preparação da classe trabalhadora e dos seus aliados para esta tarefa monumental. Na pergunta crucial "revolução ou transformação", o etapismo opta pela transformação. O KKE quer um debate aberto e essencial entre os partidos comunistas sem etiquetas e sem aforismos sobre assuntos chave de importância estratégica para que se elabore uma estratégia revolucionária contemporânea. Cada partido é responsável por responder e justificar a sua opinião e postura.

6. Como encara o KKE a ofensiva actual do imperialismo em múltiplas frentes: Ucrânia, Médio Oriente, América Latina, China, Rússia?

Os Estados Unidos, tal como a União Europeia, a NATO e os seus governos, estão a levar a cabo planos perigosos contra os povos. O fortalecimento da articulação da UE com a NATO, assim como as intervenções imperialistas independentes da UE com a formação de um euro-exercito regular e o fortalecimento das forças militares para executar guerras e missões imperialistas pelos interesses dos monopólios, confirmam a agudização dos antagonismos pelo controlo dos mercados, das fontes e das rotas de transporte de energia. A corrida armamentista com os estandartes da NATO, os programas avançados de armamento dos chamados países emergentes como a China e a Rússia e de países do Médio Oriente, são reveladores e constituem um prelúdio perigoso da forma e dos métodos com que o sistema capitalista procura recuperar da sua crise profunda. São pura hipocrisia as alianças das potências que estão "dispostas" a actuar contra os jihadistas, que foram apoiados pela NATO, Estados Unidos e a UE, os traficantes de pessoas nos países onde a UE e seus aliados entraram a ferro e fogo em intervenções imperialistas causando enormes vagas de imigrantes.

O governo grego que subscreveu tudo isso, anunciou que vai criar uma nova base da NATO no Egeu para as necessidades da UE e da NATO e dos planos imperialistas e que disponibilizará forças armadas e bases ao serviço da NATO. Subscreveu todos os comunicados militares da UE nas cimeiras e dos ministros de assuntos exteriores e de defesa da UE, enquanto fortalece as relações políticas, económicas e militares com Israel que ataca o povo palestino. É esse o governo das "esquerdas" do SYRZA-ANEL e queremos sublinhar que as forças que se apressaram a celebrá-lo, ficaram irremediavelmente expostas.

Os povos devem intensificar a sua luta para frustrar os planos imperialistas, pelo que é necessário estar em vigilância militante. O KKE desempenha um papel essencial na luta contra a implicação da Grécia nos planos imperialistas, exige que regressem as forças militares gregas das missões euro-atlânticas ao estrangeiro, que sejam encerradas as bases dos Estados Unidos e da NATO. O KKE luta pelo afastamento da NATO e da UE, sendo o povo dono do seu destino.

7. Como vê a nova estratégia de Barack Obama sobre as relações dos Estados Unidos com Cuba?

É particularmente importante que a longa luta do povo cubano em condições muito difíceis e a mobilização mundial de solidariedade contra o bloqueio inaceitável dos Estados Unidos tenham exercido pressão sobre o governo dos Estados Unidos para discutir o seu levantamento. O mesmo acontece com a UE com a chamada Posição Comum e as sanções que impõe há anos contra Cuba. Esta pressão e este movimento mundial de solidariedade que se tem desenvolvido impulsionaram a libertação dos cinco patriotas cubanos.

Mas, não há qualquer complacência ou ilusão já que o imperialismo não deixa de utilizar tanto o engodo como o chicote com o fim de incorporar e subjugar os povos sob a sua estratégia. Por isso é necessário que a solidariedade internacional revele os ajustes da táctica do adversário para que se não apliquem os planos que o imperialismo internacional está a preparar e que se implementem através de sanções, chantagem, e ameaças ou negociações.

8. Qual a opinião do KKE sobre o chamado Socialismo do século 21 e o papel dos intelectuais de esquerda da América Latina a esse respeito? Mesmo hoje em dia, consideram como modelo os chamados governos progressistas, de esquerda, da América Latina?

Ainda hoje os chamados governos progressistas, de esquerda, da América Latina que constroem o "socialismo do séc.21" são considerados como modelo. Esta fabricação ideológica opõe-se à própria experiência popular daqueles países que estão a experimentar a política antipopular, a pobreza, a exploração enquanto os monopólios estão a enriquecer. A fabricação ideológica do "socialismo do séc. 21" reúne as diversas correntes social-democratas e oportunistas, académicos latino-americanos que garantem que falam em nome do marxismo mas distorcem-no, porque o "socialismo do séc. 21" no seu conjunto caracteriza-se pela agressividade contra o marxismo-leninismo e o movimento comunista internacional, promovendo como solução as reformas burguesas que não afectam o poder do capital. É a expressão de certas secções da burguesia, sobretudo na América Latina, que aspiram a uma melhoria do financiamento estatal para a criação de infra-estruturas, mão-de-obra especializada necessária para os monopólios – que não estão dispostos a financiá-los – a fim de aumentar a sua rendibilidade. Uma orientação semelhante existiu também nas décadas anteriores nos países da Europa Ocidental. Trata-se das necessidades das classes burguesas desses países para que se reforça a sua posição no antagonismo internacional. O "socialismo do séc. 21" é uma fonte de distorção do conceito do socialismo científico já que não afecta o poder burguês. É apenas uma fórmula de gestão do sistema capitalista a expensas da classe operária e das demais amadas populares de cada país.

9. Quais as razões – em contradição com a posição de Marx sobre a extinção gradual do Estado – para que o Estado em vez de enfraquecer estava continuamente a agigantar-se (URSS, Cuba, China)?

O estudo da experiência da construção socialista é o assunto de que o nosso partido se tem ocupado nos últimos 20 anos. Tirámos conclusões sobre os princípios da construção do socialismo através de um estudo a fundo, de um debate colectivo sobretudo da experiência da URSS, principalmente das decisões tomadas no âmbito da economia. Hoje em dia, este debate é necessário para cada partido comunista. Porque, por exemplo, é um problema e uma expressão da situação difícil do movimento comunista internacional o facto de que hoje em dia existem partidos comunistas que negam os princípios, as leis científicas da construção socialista, o poder operário, a socialização dos meios de produção, a planificação e o controlo operário e popular.

O KKE defende a necessidade da revolução socialista e os princípios da nova sociedade e, desse ponto de vista, participa no debate que está em curso no movimento comunista. Nesta perspectiva examinamos, por exemplo, os acontecimentos na China onde, segundo os dados, prevalecem as relações capitalistas de produção.

Para chegar ao ponto de falar da extinção do Estado uma pré-condição necessária é o fortalecimento das relações de produção comunistas, não o seu enfraquecimento. A experiência histórica da contra-revolução, que ainda não acabou, mostra que a tarefa de desenvolver relações comunistas de produção e distribuição requer o desenvolvimento da teoria do comunismo científico pelo partido comunista através do estudo das leis da construção socialista. A experiência mostrou que os partidos no poder, na URSS e noutros Estados socialistas, não só não tiveram êxito nessa tarefa como também sofreram a erosão do oportunismo e se transformaram em veículos da contra-revolução e da restauração do capitalismo.

10. O homem realizou conquistas destacadas no âmbito da ciência e da técnica, mas mudou muito pouco desde a Grécia e Roma, como mostram as guerras, cada vez mais cruéis, e a escalada de crimes do imperialismo. A velocidade com que o "homem velho" reapareceu para milhões na Rússia e na China, e está a aparecer em Cuba, parece mostrar que a transição do socialismo para o comunismo será muito mais lenta do que o previsto por Marx e Engels. A história desmentiu o mito do "homem novo"? Que pensam disto?

Não concordamos com essa ideia. Tudo o que afirmaram Marx e Engels, assim como Lénine, se confirmou e confirma de modo absoluto hoje em dia. A resposta à pergunta surge no próprio carácter da época inaugurada pela Grande Revolução Socialista, que é a época da transição do capitalismo para o socialismo. O capitalismo está na sua última fase imperialista. As condições materiais para a construção do socialismo estão já a amadurecer. O partido comunista deve pois ser capaz de responder com a sua estratégia e táctica para o desenvolvimento da luta de classes, ajudar a classe operária a estar consciente da sua missão histórica, a prepará-la para o confronto com o verdadeiro inimigo, ou seja a UE, os monopólios e o seu poder. A elaboração da estratégia revolucionária é a tarefa dos partidos comunistas independentemente da correlação de forças.

O objectivo é que os partidos comunistas que crêem na luta de classes e seus princípios, na necessidade histórica do derrubamento do poder burguês e na construção do socialismo-comunismo elaborem uma estratégia que cumpra com a própria razão da existência de um partido comunista: reunir forças para o confronto com o poder dos monopólios e não para a gestão e perpetuação da barbárie capitalista. O capitalismo é um sistema apodrecido e obsoleto e nenhum modo de gestão pode dar-lhe rosto humano. A luta pelo socialismo, portanto, não é uma declaração para um futuro longínquo mas um tema chave que determina todos os outros. A questão chave é como trabalha dia após dia um partido comunista para alcançar esse objectivo.
30/Junho/2015

[*] Membro do CC e eurodeputado do KKE.

O original encontra-se em http://www.odiario.info/?p=3692 . Tradução de Manuela Antunes.

Esta entrevista encontra-se em http://resistir.info/ .

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