Primeiros momentos do golpe militar fascista do 36 em Ordes. O comité de defesa da Frente Popular

Primeiros momentos do golpe militar fascista do 36 em Ordes. O comité de defesa da Frente Popular

15-09-2009

Na comarca e concelho de Ordes, a médio caminho entre a Corunha e Santiago, constitui-se no dia 19 um comité de defesa da República da que fam parte, ademais do presidente municipal Germám do Val Garcia, José García Fernández, Manuel do Rio Mandaio, Manuel do Rio Pampim, José Vasques Mandaio, Ángelo Caamanho Vila-Verde e outros cidadaos. A primeira medida que adopta este organismo é a formaçom de milícia da FP à fronte das quais se pom o doutor Alonso Ponte. Nesse mesmo dia, os milicianos prendem na sua passagem pola vila o general Aurelio Sánchez Ocaña quando se dirigia à cidade herculina para contactar com os seus colegas da sediçom.

Até ao 21, Ordes permanece em maos das forças republicanas sem se produzirem desordens, abusos nem maltrato de nengum tipo para com as pessoas desafeitadas. Os milicianos trabalham arreio na construçom de barricadas e trincheiras defensivas em prevençom de um ataque rebelde procedente de Santiago. Alguns mesmo se sumam à expediçom dos mineiros de Sam Fins que atravessam a vila caminho da Corunha. Entre eles figura o futuro dirigente guerrilheiro Manuel Ponte, na altura um novo e corajoso militante socialista. Ao seu regresso da capital, onde nada pudérom fazer, um feixe de mineiros resolvem ficar em Ordes para colaborarem na sua defesa. Colocam dinamita e situam-se nos telhados das casas para melhor albiscar e hostilizar os possíveis atacantes. Também incendiam o Julgado de Primeira Instáncia, único incidente digno de mençom a ter lugar nesses dias.

Contodo a desorganizaçom é grande. Os paisanos mal armados apenas sabem fazer uso de pistolas e espingardas, produzindo-se alguns auto-feridos por pura inexperiência. Tampouco os labores de vigiláncia e seguimento dos movimentos do inimigo funcionam bem: contrariamente ao esperado as tropas insurgentes fam irrupçom da banda da Corunha e nom da de Santiago, engrossadas polos fascistas locais a aguardá-las em Merelhe, um quilómetro mais arriba. A sua entrada provoca a desbandada geral e o concelho é tomado sem disparar um só tiro.

Três dias mais tarde, no 24, toma possessom como delegado local de Ordem Pública o tenente da Guarda Civil retirado Policarpo Galán. Com ele há colaborar estreitamente nas actividades repressivas, nos meses a seguir, o guarda civil Pe Pérez além dos omnipresentes falangistas. Em Setembro será nomeado presidente da cámara municipal um outro militar: o tenente-coronel do Exército Arturo Pérez Loureiro.

Como de costume, as detençons começam asinha. Nom faltam os republicanos conhecidos que, confiados, permanecem nas suas casas à espera dos seus captores. Nom foi tam ingénuo o presidente do Val, prudentemente agachado por bem anos. Outros pagárom-no com a vida sendo ?passeados?, como o moço socialista Manuel do Rio Mandaio. Entre os presos conta-se boa parte dos membros do comité de defesa, posteriormente processados, além do vice-presidente municipal do próximo concelho de Messia (e presidente do comité de defesa de aquela localidade) Ricardo Sanches Ribas, quem mais tarde logrará fugar-se exilando-se na Argentina. Também vam para o cárcere Manuel Ponte, entregado voluntariamente à Guarda Civil em troca de nom ser fusilado, e Ángelo Vila-Verde Velho (a) Monteiro, escapado inicialmente mas apanhado em Vigo ao tentar sair para América do Sul.

Quem sim conseguiu safar foi o doutor Alonso Ponte, cruzando a fronteira portuguesa e embarcando depois para México.

No 22 de Dezembro de 1936 tivo lugar em Santiago o conselho de guerra contra os membros do comité de defesa de Ordes e mais participantes na resistência ao ?glorioso Exército?. Resultárom condenados a morte Manuel do Rio Pampim, José García Fernández (mestre), Ángelo Jesus Caamanho Vila-Verde (mestre) [noutros lugares figura o seu segundo apelido como Vilasenim], José do Rio Pampim, José Peres Sam-Martinho, Paulino Pérez García, José Vasques Mandaio, Bieito Vilarinho Liste, Manuel Moure Rei, André Nogareda e José da Igreja Vilarinho. Condenados a cadeia perpétua, pola sua parte, Joám Rios Garcia, Tomás Igrejas, Salvador Grela Beiras, Manuel Ponte Pedreira, Pedro do Rio Caramelo, Jesus Calvo Martins, Francisco Comesanha Rendo e Manuel Rego Rios. E condenado a onze anos, Manuel do Rio Pampim.

À parte disto, e para cúmulo de surrealismo, os réus anteditos quedavam obrigados a satisfazer ao Estado mancomunada e solidariamente, pola via de responsabilidade civil, a cantidade de quinhentas mil pesetas em conceito de prejuízos causados pola ?revoluçom?.

Os sentenciados a morte seriam fusilados em Fevereiro do 37 em Boisaca, com a excepçom de Francisco Comesanha Rendo que pudo livrar graças a ter nascido em Cuba e conservar a nacionalidade daquele país. Comesanha, médico de origem tudense, fora incluído na mesma causa dos frente-populistas de Ordes pese a ser militante da JSU em Compostela. Trás cumprir prisom na Corunha exilou-se a México.

Tocante aos restantes condenados, sairiam da cadeia a princípios dos anos 40. Ponte e do Rio Botana morreriam luitando na guerrilha.

Assim e todo, os fusilados em resultas deste processo nom fôrom os únicos filhos de Ordes a entregarem as suas vidas pola causa da liberdade, a democracia e o progresso social. Também o figérom ?supom-se que ?passeados? ou mortos em circunstáncias igualmente irregulares? José Mosqueira Rodrigues e Manuel Moar Cao, além do já citado Manuel do Rio Mandaio.

Outros vizinhos do concelho padeceriam depuraçom, como o inspector de Polícia Rafael Astrai Mato, malheiras, cortes de cabelo ao rape e mais vexaçons consabidas. Destacou-se no auxílio à repressom o pároco da vila Ramom Mosteiro, indivíduo de talante autoritário e intemperante conhecido popularmente polo seu nome deformado Mamom Bosteiro.

Para além do mais, as terras do município servírom de cenário para numerosos ?passeios? de gente das Marinhas, Cúrtis, Bergantinhos e outras muitas latitudes.

Entrados os anos 40, a comarca de Ordes seria assim mesmo um dos teatros de operaçons da IV Agrupaçom do Exército Guerrilheiro de Galiza. A cousa terminou em 1952 com a queda em Visantonha do grupo dirigido por Joám Couto Sam-Jurjo. O mítico Manuel Ponte, chefe da dita Agrupaçom em 1946-47, cairá em Abril deste último ano no Fontao, freguesia de Abelhá (Frades), mui cerca do seu lugar de nascimento.

Fragmento de: VELASCO SOUTO, Carlos F. 1936. Represión e alzamento militar en Galiza. Vigo, A nosa terra, 2006, pp. 234-236.

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