O passo por Ordes na fuga de Isaac Díaz Pardo aos falangistas

O passo por Ordes na fuga de Isaac Díaz Pardo aos falangistas

20-11-2009

[Após o translado do seu pai da cadeia de Compostela à de Arçua, e posterior ?desapariçom?, conta Isaac Díaz Pardo como ele, apenas um rapaz, e a sua família fogem de Compostela à Corunha para evitar possíveis represálias. De Ordes até Alvedro o caminho estava sementado de cadáveres.]

Asinha preparou-se a saída para a Corunha ao dia seguinte. Alguém sincronizou as cousas e disso decatei-me logo. Um táxi véu a buscar-nos mui cedo, ainda nom eram as 7 da manhá. Eu ia praticamente disfarçado com umha pucha e com uns óculos por imposiçom dos meus tios pois penso que eu já nom tinha medo e que já tanto me dava na desesperaçom de ver como nos mudavam as cousas, como nos mudava a vida. Minha mae ia mais morta que viva, e a minha irmá foi a que levou o peso dos acidentes da fugida, recolhendo roupa, levando e envolvendo, mais que vestindo, a minha mae.

Nesse intre vivíamos na rua de Carretas. O táxi ?chamavam-se entom coches de ponto? levou-nos por diante da cadeia, em cuja porta havia muitos militares armados, polo Inferninho de Abaixo, o Campo da Lenha, Porta Faxeiras, Senra, ao Castromil no que nos introduzimos de imediato. O tio Indalécio já tinha os bilhetes.

A partir de Ordes começárom a aparecer homens mortos entre a calçada e a cuneta. Via-se que nom se queria interromper a circulaçom com os mortos mas havia intençom em que se vissem bem. Até Alvedro contamos 14 mortos ?logo chamou-se-lhes ?passeados??. Coido ré-lembrar que estavam por parelhas quase todos e havia gente no seu entorno e algumhas cenas dramáticas de mulheres e nenos chorando sobre os corpos. Nalguns havia aglomeraçons de gente e o Castromil tivo que parar várias vezes para se abrir passo. Todos os passageiros íamos mudos ?eu fora instruído polos meus tios de que visse o que visse estivesse calado? só um comerciante fino de Santiago, cujo nome nom vem ao caso, comentava em outa voz que se nom se acabava com os cabecilhas pouco se ia conseguir. Já na Corunha ?o Castromil chegava à Rua Nova? minha mai e minha irmá fôrom-se com a tia Camila no tranvia de ?Puerta de Aires? e eu fum com meu tio Indalécio que morava, e ali morreu ele e a sua mulher, no 2.º piso direita do n.º 23 da Praça de Ponte Vedra. Ali passei meio ano agochado tragando saliva desesperado mais que pola minha sorte pola que estava padecendo e ainda ia padecer o povo.

DÍAZ PARDO, Isaac.?Unhas notas de Díaz Pardo xustificando algunhas das ilustración do texto e elas mesmas como ilustración?. pp.168-169. In: DÍAZ FERNÁNDEZ, Xerardo. 1982. Os que non morreron. Ediciós do Castro: Sada.

Escrito ?s 14:00:09 nas castegorias: ACTIVIDADES
por ordes   , 445 palavras, 654 visualizaçons     Chuza!

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