O Petróleo, o único interesse dos Grigolandia na África

10-02-2006

  21:07:31, por Corral   , 1116 palavras  
Categorias: Outros, Ensaio

O Petróleo, o único interesse dos Grigolandia na África

Joaquín Oromas

A descoberta do petróleo na África parece ter começado a reinserir o continente na dinâmica do comércio mundial e isto, logicamente, chama a atenção do governo dos Estados Unidos. No outono de 2002, a revista britânica The Economist publicou uma acusação nesse sentido, reiterada por funcionários e pesquisadores.
Em uma entrevista para a publicação Asia Times Online, publicada no outono de 2003, o analista de segurança dos Estados Unidos, Michael Klare, autor de Resources Wars (Os recursos da guerra), advertia acerca de um envolvimento potencial de Washington no continente africano.
Quando lhe perguntaram onde poderia surgir o próximo conflito, por causa do petróleo, depois do Iraque, Klare respondeu: «Acho que na África, a situação lá está se tornando quente».
Para demonstrar o fundamento destas declarações, um relatório do vice-presidente Dick Cheney sobre Política Nacional de Energia dos Estados Unidos, tornado público em 2001, afirmava que a África seria «uma das fontes de petróleo e gás para os EUA de mais rápido crescimento». Em 1º de fevereiro de 2002, o ajudante do secretário de Estado para assuntos da África, Walter Kansteiner, declarou: «O petróleo da África virou estratégia nacional atraente».

Em um relatório de dezembro de 2001, do Conselho Nacional de Inteligência dos Estados Unidos, intitulado «Tendências Globais para 2015», prevê-se que, para esse ano, a quarta parte das importações de petróleo dos Estados Unidos viriam da África.
Durante o passado mês de fevereiro, um pequeno grupo de generais importantes dos Estados Unidos visitou esse continente em diferentes viagens. O grupo incluía o comandante dos EUA na Europa, general de fuzileiros James L. Jones e seu ajudante, o general das forças aéreas Charles Wald. À exceção da região conhecida como o Corno africano, o comando europeu dos Estados Unidos supervisiona todas as questões onde os EUA estão presentes, nas restantes regiões da África.
O pano de fundo destas viagens foram as pressões, amplamente difundidas, da indústria e dos grupos políticos conservadores dos Estados Unidos para garantir fontes energéticas fora do Oriente próximo. Nos últimos meses, a potência do Norte tem estado enviando tropas das forças especiais aos países da região: Mauritânia, Chade, Mali e Nigéria. Este esforço faz parte dum programa denominado Iniciativa Pansaheliana, desenhado para treinamento antiterrorista. Outros consideram-no um programa para treinar exércitos regionais a seu serviço.
As forças especiais dos Estados Unidos operam a partir da Alemanha, sob o pretexto de cooperar com aqueles que precisarem. Mas, afirma-se que a pequena ilha de São Tomé, no oeste africano, poderia ser o lugar eleito para uma base naval estadunidense. A posição estratégica no Golfo da Guiné, onde recentemente foi descoberto petróleo, foi a razão do encontro entre Bush e o então presidente de São Tomé, Fradique de Menezes, em 2002.
Os aliados dos Estados Unidos na zona não têm forças navais consideráveis e São Tomé e a Nigéria se encontram numa área onde há, aproximadamente, 11 bilhões de barris de petróleo. Muitas das outras reservas descobertas recentemente estão situadas perto da costa. Atualmente, a Nigéria satisfaz 10% das necessidades petroleiras norte-americanas.
Durante o período colonial, a Europa organizou economicamente a África, de forma tal que cada um dos territórios se especializava na produção dum produto particular, destinado a satisfazer as necessidades de matéria-prima das metrópoles. Depois da descolonização e em conseqüência da herança colonial, as economias dos países africanos dependem exclusivamente da produção agrícola e da exploração de certos minérios como ouro e diamantes. Dentro do total do comércio mundial, a participação da África desceu de 4 para 2%, durante a década de 1990 e atualmente, se excluirmos a África do Sul, o Egito e a Nigéria, esta participação é de 0%.
A produção de petróleo nos países do Golfo da Guiné (Nigéria, Congo, Gabão, Camarões e Guiné Equatorial) ultrapassa os 4,5 milhões de barris diários e supera a produção do Irã, Arábia Saudita ou Venezuela. Atualmente, os Estados Unidos importam perto de 15% de seu petróleo da região e as previsões apontam que essa cifra aumentará até chegar a 25% do total, em 2005. Por seu lado, em 2000, a União Européia importava 22% de seu petróleo dos países do Golfo da Guiné. Muitos desses países estão entre os mais pobres do planeta. Então, aonde vão parar os lucros dessas vendas de petróleo?
Desde a descoberta do petróleo na Nigéria, na década de 60 do século passado, este país virou primeiro exportador do recurso da África subsaariana.
Atualmente, o país exporta aproximadamente 2,2 milhões de barris diários e tem uma capacidade instalada para exportar 4 milhões cada dia, tornando-se no sétimo produtor mundial de petróleo e quarto em exportações para os Estados Unidos.
Com a alta do preço do petróleo e as modernas tecnologias, entidades multinacionais perfuram centenas de poços de petróleo em países subsaarianos consumidos pela pobreza e as doenças.
Os interesses ocidentais são conseguir o controle total das riquezas apelando a pressões diretas, operações falsas ou promessas com supostas expectativas como é o moderno Plano Marshall, anunciado por Tony Blair, que propõe duplicar a cooperação do Reino Unido para o desenvolvimento da África, com ênfase no comércio (com a Grã-Bretanha e os EUA) como condição para a ajuda.
Condições parecidas com as de Bush em sua estratégia para 17 países, oito deles da África subsaariana. Como parte do plano o presidente dos EUA recebe na Casa Branca líderes de países africanos cuja existência não conhecia, mas sim os serviços de inteligência dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, Washington incentiva a penetração das multinacionais norte-americanas Exxon Mobil, Chevron, Maraton Oil, Amerada Hess e Ocean Energy no Golfo da Guiné, que virou prioridade para os EUA. Não por razões humanitárias, mas sim pelas reservas de hidrocarbonetos e de gás.
Calcula-se que o subsolo africano tem cerca de 9% das reservas petroleiras do mundo, 100 bilhões de barris. E embora o custo de extração seja mais alto do que no Oriente Médio, porque as jazidas estão no mar, a qualidade é ótima e com pouco teor de enxofre.

1 comentário

Comentário de: John Harriott [Visitante]
John Harriott

Hmm I love the idea behind this website, very unique.

20-07-2006 @ 04:09
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