A droga, o melhor gendarme

28-05-2006

  15:45:11, por Corral   , 632 palavras  
Categorias: Outros, Dezires

A droga, o melhor gendarme

Nos anos setenta e oitenta foi a heroína, nos inícios do século XXI, é a cocaína e as drogas de desenho.

Nos anos setenta e inícios dos oitenta pudemos conhecer como gentes vencelhadas ao próprio Aparelho do Estado, introduziram a heroína em ambientes juvenis daquelas zonas do Estado Espanhol com um maior nível de luta e de organizaçom: Bairros operários de Madrid, e outras cidades castelhanas, Vallecas foi um dramático exemplo; bairros de Euzkadi, bairros do chamado cinto vermelho de Barcelona; bairros operários das duas cidades industriais mais importantes de Galiza que atravessavam uma importante crise como foi Ferrol e Vigo, bem como Santiago com um forte movimento de luta estudantil.

O sistema utilizou a heroína como um arma mais para combater o movimento juvenil de resistência daqueles anos. Desde logo preferem toxicómanos, drogotas, que rebeldes. Não foi uma casualidade a extensão do consumo de heroína, foi uma operaçom calculada polo Poder, como uma peça mais para assegurar o processo de transiçom do franquismo ao actual regimem monarquia parlamentar.

O mapa epidemiológico do Sida nos anos noventa, doença que contraíram por via parenteral uma grande parte dos consumidores de heroina do Estado Espanhol e que lhes levou finalmente à morte, mostra mui claramente de manifesto o que neste artigo estamos a descrever.

Por que agora repetem a operaçom? e por que o fazem com cocaína?.

A heroina está mui desacreditada, precisamente pela visualizaçom de seus tremendos riscos. A cocaína no entanto tem ante sectores amplos da opinião pública, especialmente entre a juventude, uma aureola de que é uma droga cujo consumo não supõe grandes riscos, nem desde o ponto de vista da dependência, nem desde o ponto de vista de seus efeitos secundários. Ambas considerações são totalmente erróneas. A cocaína tem uma grande potência destruidora do sistema nervoso central e tem uma grande capacidade de vício psicossocial.

O bloco dominante espanhol e seu entravado social atravessam de novo uma situaçom crítica, como na época da primeira transiçom, de novo precisam levar adiante uma série de reformas políticas que relegitimem ao sistema e simultaneamente precisam abordar um conjunto de mudanças sócio trabalhistas para ser competitivos no marco da União Europeia, e que levassem consigo uma tremenda precarizaçom das condições de vida dos trabalhadores e trabalhadoras: reforma fiscal, reforma trabalhista, reforma das pensões... É neste contexto no que resulta muito conveniente ter narcotizada à juventude dos Povos do Estado Espanhol.

Juventude que demonstrou em reiteradas ocasiões sua capacidade de luta e de resistência. A venda de cocaína é por outra parte hoje um dos componentes fundamentais do narcotráfico, e o narcotráfico é a sua vez um dos pilares básicos da economia negra no Estado, que representa entre um 25 e um 30% do PIB espanhol.

Isto é estamos a falar de um grande negócio económico, livre de impostos, que alimenta todo o entravado da especulaçom imobiliária e urbanística bem como a extensa e profunda rede de corrupçom que atinge a todas as instituições do estado, incluindo por suposto à coroa.

É evidente que quantos mais consumidores, mais negócio, não nos tem de estranhar então que o Estado Espanhol este à cabeça do consumo de cocaína no mundo por adiante dos Estados Unidos, segundo consumidor, ou de Colômbia. Quase duzentos mil jovens menores de 18 anos consomem cocaína com certa regularidade. Querem narcotizar à juventude, querem destruí-la como sujeitos autónomos com capacidade de luta e de resistência.

O nosso compromisso tem que ser lutar contra isso.

1 comentário

Comentário de: sabela [Visitante]
sabela

Com certeza.

28-05-2006 @ 16:34
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