CANTA O MERLO: As potências decidem a intervençom militar em Líbia

19-03-2011

  17:11:42, por Corral   , 1390 palavras  
Categorias: Outros, Ensaio

CANTA O MERLO: As potências decidem a intervençom militar em Líbia

Operaçons mediáticas e acçons da CIA para justificar o assalto final a Líbia

(IAR Notícias) 19-Março-2011

Depois do anúncio de alto o fogo "humanitário" por parte do regime de Muamar Kadafi, duas operaçons complementares pusérom-se em marcha para contra-arrestar a estratégia do líder líbio (orientada a atrasar o planificado ataque militar imperial a Líbia). Em duas linhas convergentes, a estrutura mediática internacional e os grupos "rebeldes" controlados pola CIA (rodeados e derrotados polas tropas governamentais) lançarom umha campanha destinada a demonstrar que o regime líbio está "a violar o alto o fogo" declarado polo seu chefe. Este argumento, instalado a nível mundial, está a servir como justificativo para lançar a intervençom militar em longa escala por parte dos chefes de Estado imperiais que hoje se reúnem numha cimeira em Paris.

Por Manuel Freytas (*)
manuelfreytas@iarnoticias.com
IAR Notícias/

As operaçons da CIA e das forças especiais USA-britânicas em Líbia (que dirigem em forma encoberta às bandas "rebeldes" desde os territórios tomados) seguiram até agora dous passos concretos:

Fase 1) A "revolta popular" (desenhada como a que derrocou a Mubarak no Egipto) que foi esmagada a sangue e fogo polas tropas do regime.
Fase 2) A "rebeliom armada" que partiu do Leste, na fronteira com Egipto, e se foi estendendo com a tomada de cidades, até que o aparelho militar de Kadafi a foi liquidando gradualmente deixando aos grupos da CIA atrincheirados em Bengasi.

Fase 3) A derrota da manobra interna para derrocar e/ou matar a Kadafi precipitou um Plano C com o planejamento de umha intervençom militar internacional para derrocá-lo que (polas divisons imperantes na OTAN e as contradiçons polo petróleo líbio existentes entre EEUU e a UE), ainda nom pode ser executada em terreno.
A resoluçom da ONU autorizando acçons militares em Líbia, e a decisom do eixo USA-Grã-Bretanha-França de lançar operaçons militares unilaterais imediatas contra Kadafi, determinou à sua vez umha mudança do quadro de situaçom.
Salvo a Itália e Turquia, o resto das potências europeias (conquanto nom querem participar dos ataques) vam prestar abrangência e logística militar para as operaçons.
O que nos leva a umha conclusom: A operaçom militar poderia ser "legitimada" com a estrutura da NATO, mas os ataques aos alvos em Líbia vam ser executados em massa polo Pentágono acompanhado de unidades britânicas e francesas.
Como já o tínhamos projectado, seguramente se vai repetir o que passou com a invasom do Iraque no 2003.
De acordo com o resolvido polo Conselho de Segurança (com a abstençom delimitada da Rússia e da China) a nova invasom imperial a um país petroleiro vai realizar-se sob o argumento de "deter a morte de civis" e restabelecer os "direitos humanos" violados polo regime de Kadafi (no Iraque fizérom-no baixo o argumento de terminar com os arsenais de "armas de destruiçom em massa" que depois se comprovou que nunca existiram).Nom vem mau clarificar que as potências imperiais (com EEUU à cabeça) que vam impedir a "morte de civis" e a restabelecer os "direitos humanos" em Líbia som as mesmas que no Iraque, Afeganistám, e nas regions petroleiras da Ásia, Médio Oriente e África bombardeiam sem piedade, durante as 24 horas, a populaçons civis, assassinando em massa a seres humanos indefesos em nome da "guerra contra o terrorismo".

O argumento da invasom, acordou a astúcia de Kadafi quem imediatamente (e a modo de táctica de distracçom e de retardamento do ataque imperial) ordenou umha "cessaçom o fogo" sob o argumento da protecçom de vida de civis e restauraçom plena dos direitos humanos, que paralisou e confundiu por uns instantes aos comandos imperiais em Washington e em Bruxelas.

A movida tinha umha matriz clara: As tropas governamentais praticamente terminava com a "sediçom", e o que ficava permanecia rodeada e sem possibilidades em Bengazi. Portanto, o "alto o fogo" foi lançado desde umha posiçom de controlo dominante polo regime líbio.

Operaçons CIA-mediáticas

A estratégia de Kadafi (orientada a atrasar o ataque imperial e aprofundar a divisom entre as potências) tivo umha imediata contra-réplica nas operaçons mediáticas primeiro, e no campo das operaçons dos grupos "rebeldes", depois.

Depois da decisom anunciada polo líder líbio, numha campanha sincronizada, a nível em massa e escala global, as agências e grandes correntes mediáticas do sistema foram instalando mediante titulares a "violaçom do alto o fogo" por parte de Kadafi.

Paralelamente, o gerente negro imperial, Barack Obama, lançou um ultimato desde Washington advertindo a Kadafi que a única maneira de deter umha acçom militar contra Líbia era um alto o fogo com a devoluçom aos "rebeldes" das cidades que as tropas governamentais recuperava.

Nas últimas horas da sexta-feira e nas primeiras do sábado (e pese a que o regime pediu verificadores da ONU para comprovar o cumprimento do alto o fogo) os meios internacionais do sistema começaram a "informar" sobre a restauraçom dos ataques terrestres e os bombardeios a Bengazi por parte do aparelho militar de Kadafi.

Contradizendo esta informaçom, a agência de notícias oficial do regime de Muamar Kadafi comunicou neste sábado que "bandas" rebeldes estám a atacar às suas tropas cerca de Bengazi as obrigando a responder, e justificar dessa maneira a informaçom internacional que fala de confrontos armados.

O vice-ministro de Exteriores líbio, Jaled Kaim, assegura que se deu ordem a todos os avions de combate "para que cessem as operaçons" de acordo com o alto o fogo unilateral declarado na sexta-feira polo regime ante a resoluçom aprovada na sexta-feira por Naçons Unidas, e que dá luz verde à intervençom internacional Líbia.

Nom obstante, agora as agências internacionais, que só citam fontes rebeldes, assinalam que as forças de Kadafi já recuperaria a cidade de Bengazi, a segunda de Líbia, onde se iniciou a rebeliom sediciosa.

Umha mudança de estratégia do líder líbio ante um possível ataque em horas por parte de EEUU, Grã-Bretanha e França?

"As forças do líder líbio Muamar Kadafi entrarom no sábado na cidade de Bengazi, controlada polos rebeldes, e forçarom-lhes a retirar-se, desafiando a ameaça de acçom militar das potências mundiais", afirma a agência Reuters.

"O avanço na segunda cidade de Líbia, habitada por umhas 670.000 pessoas, parecia ser umha tentativa de enfrentar umha possível intervençom militar de Occidente, que segundo diplomatas produzir-se-ia só após umha reuniom em Paris do sábado", acrescenta.

Reuters cita a umha fonte "rebelde" dizendo: "Europa e Estados Unidos venderom-nos. Temos estado escutando bombardeios toda a noite, e nom estám fazendo nada".

Este depoimento mostra às claras a orientaçom e os objectivos da chamada "revoluçom Líbia" lançada para derrocar a Kadafi e controlar a terceira reserva petroleira de Africa.

O assalto final

As fontes líbias sustentam que estas operaçons de provocaçom dos grupos "rebeldes" (orientadas a mostrar que Kadafi violou o alto o fogo) estivérom desenhadas para apressar a decisom dos chefes de Estado imperiais que neste sábado participam em Paris de umha reuniom internacional para resolver a modalidade de um ataque militar a Líbia.

As operaçons para demonstrar que Kadafi "violou o alto o fogo" estariam orientadas a solidificar um argumento para lançar as operaçons militares contra Líbia numha Fase 3 do plano do roubo do petróleo líbio disfarçado no argumento de "protecçom da vida dos civis".

A "cimeira" parisina para decidir a intervençom militar inclui a representantes de Liga Árabe e da Uniom Africana, fantoches servis associadas à estratégia do bloco USA-UE nas regions petroleiras.

França pediu à "comunidade internacional" (assim se denominam a si mesmos) que actue com "rapidez" ante a violaçom do alto o fogo que as tropas de Kadafi estariam a desenvolver agora mesmo sobre Bengazi, último bastiom assediado do "Governo" rebelde.

A secretária de Estado de EEUU, Hillary Clinton, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, os impulsores centrais do ataque militar, iam manter umha reuniom privada dantes de reunir na cimeira para planear a intervençom militar respaldada polas Naçons Unidas, assinalaram agências internacionais.

Entre os líderes europeus presentes em Paris estám o chanceler alemá, Angela Merkel, que se mostra como nom partidária de nengumha acçom, e o presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, que ofereceu meios aéreos e navais a umha eventual operaçom militar.

Desta maneira, após o falhanço das fases 1 e 2, as potências imperiais (lideradas por EEUU) tentarám o golpe de pouta final para pôr baixo o seu controlo a Líbia e ao seu petróleo.

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(*) Manuel Freytas é jornalista, pesquisador, analista de estruturas do poder, especialista em inteligência e comunicaçom estratégica. É um dos autores mais difundidos e referidos no Site.

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