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22-03-2011

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Categorias: Ensaio

CANTA O MELRO: Líbia: O maior empreendimento militar desde a invasão do Iraque

Líbia: O maior empreendimento militar desde a invasão do Iraque
– Rumo a uma operação militar prolongada
por Michel Chossudovsky

Mentiras rematadas dos media internacionais: Bombas e mísseis são apresentados como instrumentos de paz e de democratização.

Isto não é uma operação humanitária. O ataque à Líbia abre um novo teatro de guerra regional.

Há três diferentes teatros de guerra no Médio Oriente - região da Ásia Central: Palestina, Afeganistão e Iraque.

O que está a desdobrar-se é um quarto Teatro de Guerra EUA-NATO no Norte de África, com risco de escalada.

Estes quatro teatros de guerra estão funcionalmente relacionados, fazem parte de uma agenda militar integrada EUA-NATO

O bombardeamento da Líbia esteve no estirador do Pentágono durante vários anos, como confirmado pelo antigo comandante da NATO, general Wesley Clark.

A operação Odissey Dawn é reconhecida como a "maior intervenção militar ocidental no mundo árabe desde que começou a invasão do Iraque, há exactamente oito anos" ( Russia: Stop 'indiscriminate' bombing of Libya - Taiwan News Online , March 19, 2011).

Esta guerra faz parte da batalha pelo petróleo. A Líbia está entre as maiores economias petrolíferas do mundo, com aproximadamente 3,5% das reservas globais de petróleo – mais do dobro das dos EUA.

O objectivo subjacente é obter controle sobre as reservas de petróleo e gás da Líbia sob o disfarce de uma intervenção humanitária.

As implicações geopolíticas e económicas de uma intervenção militar conduzida pelos EUA-NATO contra a Líbia são de extremo alcance.

A Operação "Odyssey Dawn" faz parte de uma agenda militar mais vasta no Médio Oriente e na Ásia Central, a qual consiste em obter controle e propriedade corporativa sobre mais de 60 por cento das reservas mundiais de petróleo e gás natural, incluindo as rotas dos oleodutos e gasodutos.

Com 46,5 mil milhões de barris de reservas provadas (10 vezes as do Egipto), a Líbia é a maior economia petrolífera no continente africano seguida pela Nigéria e Argélia (Oil and Gas Journal). Em contraste, as reservas provadas dos EUA são da ordem dos 20,6 mil milhões de barris (Dezembro 2008) de acordo com a Energy Information Administration. U.S. Crude Oil, Natural Gas, and Natural Gas Liquids Reserves ).

O maior empreendimento militar desde a invasão do Iraque

Uma operação militar desta dimensão e magnitude, envolvendo a participação activa de vários membros da NATO e países parceiros, nunca é improvisada. A operação Odyssey Dawn estava em etapas avançadas de planeamento militar antes do movimento de protesto no Egipto e na Tunísia.

A opinião pública foi levada a acreditar que o movimento de protesto se propagou espontaneamente da Tunísia e do Egipto à Líbia.

A insurreição armada na Líbia Oriental é apoiada directamente por potências estrangeiras. As forças rebeldes em Bengazi imediatamente arvoraram a bandeira vermelha, negra e verde com o crescente e a estrela: a bandeira da monarquia do rei Idris, o qual simbolizava o domínio das antigas potências coloniais. (Ver Manlio Dinucci, Libya-When historical memory is erased , Global Research, February 28, 2011)

A insurreição também foi planeada em coordenada com o cronograma da operação militar. Ela foi cuidadosamente planeada meses antes do movimento de protesto, como parte de uma operação encoberta.

Forças especiais do estado-unidenses e britânicas foram descritas como estando no terreno a "ajudar a oposição" desde o princípio.

Do que estamos a tratar é de um roteiro militar, um cronograma de eventos militares e de inteligência cuidadosamente planeados.

Cumplicidade das Nações Unidas

Até agora, a campanha de bombardeamento resultou em incontáveis baixas civis, as quais são classificadas pelos media como "danos colaterais" ou atribuídas às forças armadas líbias.

Numa ironia amarga, a Resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU concede à NATO um mandato "para proteger civis".

Protecção de civis

3. Autoriza Estados membros que notificaram o secretário-geral, a actuarem nacionalmente ou através de organizações regionais ou acordos, e a actuarem em cooperação com o secretário-geral, a tomarem todas as medidas necessárias , não obstante o parágrafo 9 da resolução 1970 (2011), para proteger civis e áreas populadas por civis sob ameaça de ataque na Jamahiriya Árabe Líbia, incluindo Bengazi, enquanto excluindo uma forças de ocupação estrangeira de qualquer forma sobre qualquer parte do território líbio , e requer os Estados membros relacionados a informarem imediatamente o secretário-geral das medias que tomaram de acordo com a autorização conferida por este parágrafo a qual será imediatamente informada ao Conselho de Segurança. ( UN Security Council Resolution on Libya: No Fly Zone and Other Measures , March 18, 2011)

A resolução da ONU garante às forças da coligação carta branca para empenharem-se numa guerra total contra um país soberano em desrespeito do direito internacional e em violação da Carta das Nações Unidas. Ela também serve a interesses financeiros dominantes: não só permite à coligação militar bombardear um país soberano como também permite o congelamento de activos, podo assim em perigo o sistema financeiro da Líbia.

Congelamento de activos

19. Decide que o congelamento de activos imposto pelo parágrafo 17, 19, 20 e 21 da resolução 1970 (2011) será aplicados a todos os fundos, outros activos financeiros e recursos económicos que estão no seu território, os quais são possuídos ou controlado, directa ou indirectamente, pelas autoridades líbias, ...

Em parte alguma da resolução do CSONU é mencionada a questão da mudança de regime. Mas é entendido que forças da oposição receberão parte do dinheiro confiscado sob o artigo 19 de resolução 1973. Discussões com líderes da oposição para esse facto de facto já tiveram lugar. Isso se chama desvio do texto e fraude financeira.

20. Afirma a sua determinação de assegurar que activos congelados de acordo com o parágrafo 17 da resolução 1979 (2011) deverão, numa etapa posterior, tão logo quanto possível serem disponibilizados para e em benefício do povo da Jamahiriya Árabe Líbia;

Em relação à "Imposição do embargo de armas" sob o parágrafo 13 da resolução, as forças da coligação comprometer-se-ão sem excepção a impor um embargo de armas à Líbia. Mas desde o princípio eles violaram o Artigo 13, ao fornecerem armas às forças de oposição em Bengazi.

Operação militar prolongada?

Os conceitos são invertidos. Numa lógica absolutamente enviesada, paz, segurança e protecção do povo líbio devem ser alcançados através de ataques de mísseis e bombardeamentos aéreos.

O objectivo da operação militar não é a protecção de civis mas a mudança de regime e a ruptura do país, como na Jugoslávia, nomeadamente a partição da Líbia em países separados. A formação de um Estado separado na área produtora de petróleo da Líbia Oriental foi contemplada por Washington durante muitos anos.

Cerca de uma semana antes do ataque com bombardeamentos, o director da inteligência nacional James Clapper enfatizou num testemunho ao Comité de Serviços Armados do Senado dos EUA que a Líbia tem capacidades de defesa aérea significativas e que uma abordagem zona de interdição de voo poderia potencialmente resultar numa prolongada operação militar.

A política de Obama tem o "objectivo de afastar Kadafi", reiterou o conselheiro de segurança nacional.

Mas o testemunho de Clapper revela quão difícil isso poderia ser.

Ele disse ao comité do Senado pensar que "Kadafi está nisto por muito tempo" e que não pensa ter Kadafi "qualquer intenção ... de abandonar".

Finalmente, enumerando as razões porque acredita que Kadafi prevalecrá, Clapper disse que o regime tem mais stocks militares e pode contar com um exército bem treinado, unidades "robustamente equipadas", incluindo a 32ª Brigada, a qual é comandada pelo filho de Kadafi, Khamis, e a 9ª Brigada.

O grosso do seu hardware inclui defesas aéreas de fabricação russa, artilharia, tanques e outros veículos, "e eles parecem mais disciplinados quanto ao modo como tratam e reparam esse equipamento", continuou Clapper.

Clapper contestou afirmações de que uma zona de interdição de voo poderia ser imposta à Líbia rápida e facilmente, dizendo que Kadafi comanda o segundo maior sistema de defesa aérea do Médio Oriente, logo após o do Egipto.

"Eles têm um bocado de equipamento russo e há uma certa qualidade nos números. Algum do equipamento caiu nas mãos dos oposicionistas", continuou.

O sistema compreende cerca de 32 sítios de mísseis terra-ar e um complexo de radar que "está centrado na protecção da linha costeira (mediterrânea) onde está 80 ou 85 por cento da população", disse Clapper. As forças de Kadafi também têm "um número muito grande" de mísseis anti-avião disparados do ombro (shoulder-fired anti-aircraft missiles).

O general do Exército Ronald Burgess, director da Defense Intelligence Agency, endossou a avaliação de Clapper, dizendo que o momento estava a mudar em favor das forças de Kadafi depois de estar inicialmente com a oposição.

"Se mudou ou não plenamente para o lado de Kadafi neste momento dentro do país penso que não está claro", disse Burgess. "Mas agora atingimos um estado de equilíbrio onde ... a iniciativa, se quiser, pode estar do lado do regime".

Horas depois de Clapper ter falado, Thomas Donilon, conselheiro de segurança nacional de Obama, apresentou uma avaliação diferente, o que sugere pontos de vista agudamente divergentes entre a Casa Branca e a comunidade de inteligência dos EUA.

Ele disse que a análise dos chefes de inteligência eram "estáticas" e "unidimensionais", com base no equilíbrio de força militar, e deixava de levar em conta tanto o crescente isolamento de Kadafi como acções internacionais para promover seus oponentes. ( White House, intel chief split on Libya assessment | McClatchy , March 11, 2011)

A declaração anterior sugere que a Operação Odyssey Dawn podia levar a uma guerra prolongada e persistente resultando em perdas significativas para a NATO-EUA.

As dificuldades militares da NATO foram relatadas por fontes líbias desde o princípio da campanha aérea.

Horas após o começo dos bombardeamentos, fontes líbias (ainda a serem confirmadas) destacaram o derrube de três jactos franceses. (Ver Mahdi Darius Nazemroaya, Breaking News: Libyan Hospitals Attacked. Libyan Source: Three French Jets Downed , Global Research, March 19, 2011).

A rede nacional de TV da Líbia anunciou que um caça francês havia sido derrubado próximo de Tripoli. O exército francês negou estes relatos:

"Rejeitamos a informação de que um caça francês tenha sido derrubado na Líbia. Todos os aviões que enviámos hoje em missões retornaram à base", disse o porta-voz do Exército francês, coronel Thierry Burkhard, citado por Le Figaro ". (Libya: A french fighter plane was shot down! The French Army denies this information, xiannet.net March 20, 2011)

Fontes internas líbias (a serem confirmadas) também relataram no domingo o derrube de dois jactos militares do Qatar. Segundo relatos líbios, ainda a serem confirmados, um total de cinco jactos franceses foi derrubado. Três destes jactos atacantes franceses foram, segundo os relatos, derrubados em Tripoli. Os outros dois jactos franceses foram derrubados enquanto atacavam Sirt (Surt/Sirte). (Mahdi Darius Nazemroaya, Libyan Sources Report Italian POWs Captured. Additional Coalition Jets Downed, Global Research, March 20, 2011)

O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=23815

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

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Categorias: Ensaio

CANTA O MERLO: Líbia-Imperialistas na ratoeira

A liçom de Líbia: A um zombie só o pode matar outro zombie

(IAR Notícias) 22-Março-2011

Em Líbia o sistema tocou fundo. A decadência e a irracionalidade das potências dominantes mostra-se em todo o seu esplendor. Ao vivo e ao vivo. A variável de ajuste é o petróleo. A lógica funcional é o assassinato em massa. O espectáculo põem-no as bombas e mísseis de última geraçom, a morte e o sofrimento corre por conta do povo líbio. A CIA divide, o Pentágono extermina, A ONU santifica. As potências centrais acompanham. Mas só acompanham ao ganhador. Um dado finque para entender o que vem.

Por Manuel Freytas (*)
manuelfreytas@iarnoticias.com
IAR Notícias/

O ataque militar a Líbia prova algo indiscutível: O sistema imperial capitalista centralizado no eixo USA-UE-Israel é impune. E está só. Nom tem inimigo estratégico. Pode invadir, matar ou perdoar, ao seu arbítrio.

O aparelho da imprensa mundial e os seus analistas mercenários pertence-lhes e está ao seu inteiro serviço, as 24 horas do dia.

A sociedade mundial, nos seus diferentes níveis sociais, está alienada e só repete slogans mediáticos manipuladores.

Os governos mundiais (salvo uns poucos como Venezuela e Cuba) som meras sucursais gerênciais das potências centrais e das suas corporaçons transnacionais que converteram ao planeta num grande mercado sem fronteiras.

A esquerda converteu-se num mosaico incoerente de fundamentalistas ideologizados e sem capacidade de análise estratégico que só recitam consignas da "guerra de esquerda contra direita", integrados ao sistema.

EEUU e as potências (como fica umha vez mais demonstrado com Líbia) pode massacrar populaçom civil desde o ar e apagar um país inteiro a míssilazos, sem que a ninguém se lhe mova um cabelo.

A indiferença e a alienaçom colectiva é o maior triunfo do sistema.

Fagamos um minuto de silêncio polos mortos. polos que estám a morrer em Líbia, e polos que vam seguir morrendo, em massa, por fame ou por mísseis, para seguir alimentado rentabilidade capitalista irracional e assassina a escala mundial.

Fagamos um minuto de silêncio polo planeta, por nossa fraterniza natureza, e pola inteligência humana que também foi destruída a míssilazos de ecrám televisiva. Humanidade kaput.

O capitalismo converteu ao ser humano vivo num terminal robotizado da sociedade de consumo capitalista.

O sistema caminha só, como um zombei, e mata por inércia. E os vivos que ainda resistem som isolados, demonizados, e executados, a míssilazos ou a cuspitazos televisivos, sob o cargo de pertencer ao "eixo do mau". . E a humanidade, convertida num microchip falante do sistema imperial, aplaude gozosa as "rebelions" da CIA e a queda dos "ditadores" nos países atestados de petróleo por conquistar.

Já nom há lógica nem sentido comum. Todo perdeu legitimidade e razom de ser. Enquanto o império assassina em massa em Líbia, Iraque, Afeganistám, ou ali onde tenha mercados e petróleo por conquistar, a sociedade mundial alienada consome produtos, diversom, ídolos “teatreiros” e presidentes de Estados capitalistas fabricados e clonados como a ovelha Dolly. .

E parece que a um zombei só o pode matar outro zombei.

Ao sistema capitalista só o podem matar as suas próprias contradiçons. As suas próprias divisons e guerras internas polo controlo do poder e dos recursos estratégicos essenciais que se extinguem num planeta destruído e depredado pola voracidade da rentabilidade bancária e comercial.

Em Líbia o sistema tocou fundo. A decadência e a irracionalidade das potências dominantes mostra-se em todo o seu esplendor. Ao vivo e ao vivo. A variável de ajuste é o petróleo. O show põem-no as bombas e mísseis de última geraçom, a morte e o sofrimento corre por conta do povo líbio.

A CIA divide, o Pentágono extermina, A ONU santifica. As potências centrais acompanham. Mas só acompanham ao ganhador.

Um cenário que se repete até o cansaço nos povos pobres que nadam em petróleo e em riquezas naturais. Na Ásia, África e Médio Oriente, a "soluçom final" sempre é a conquista de mercados com assassinato em massa de populaçom sobrante.

Os zombies morrem matando. E morrem matando a seres que estavam vivos. E quando as bombas nom surtem efeito, como em Líbia, começa a diáspora e os confrontos internos para se combinar com algum pedaço do objectivo dantes de que desparezca.

EEUU encontrou-se só com os seus dous sócios sionistas na conquista do petróleo líbio.

Passárom 72 horas do início do ataque e Kadafi segue em pé. A sociedade imperial começa a rachar-se. Os interesses de sector primam sobre a unidade. Membros da OTAN olham para um lado, e o Pentágono para outro. Nom há acordos sobre a táctica, a estratégia e a linha de comando a seguir.

A morte em massa do povo líbio começa a converter-se em rotina, num statu quo dramático, e os reproches e as diferenças internas no bloco imperial semeiam de dúvidas e de incerteza aos "cenários possíveis" que se avizinham como o resultante.

E a imprensa internacional intitula: Os ataques em Líbia poderiam reduzir-se; teme-se um ponto morto, di Reuters. Persistem dúvidas a respeito de quem deve comandar a operaçom em Líbia, assinala a BBC. A OTAN nom consegue superar as suas divisons internas sobre Líbia, concretiza a AFP. Fendas nos aliados sobre a operaçom; Obama reclama o comando da OTAN, resume O Mundo de Espanha.

E o nosso próprio título sintetiza o quadro de situaçom: Bombardeios em massa: Agora o tempo e os mortos jogam para Kadafi.

Adiantamos-lo, e assim está a acontecer. Os mortos e o tempo já estám a jogar pára Kadafi. Os zombies, começam de devorar-se entre si. Mais cadavéricos, que os próprios cadáveres de homens, mulheres e meninhos inocentes que vam semeando os seus mísseis em Líbia.

E daí vai passar? Como segue o massacre petroleiro disfarçada de "missom humanitária?

A resposta é singela: Os zombies vam polo petróleo. As alternativas som várias, e Deus proverá a próxima movida.

E nós, como sempre, contaremos-la dantes de que aconteça.

Manuel Freytas é jornalista, pesquisador, analista de estruturas do poder, especialista em inteligência e comunicaçom estratégica

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