Arquivos para: Março 2009

26-03-2009

Link permanente 18:43:11, por José Alberte Email , 98 palavras   Português (GZ)
Categorias: Outros, Ensaio

ATROCIDADES NAZI-SIONISTAS

Resistir.info

Uma t-shirt ostentando uma palestina grávida sob uma alça de mira e a inscrição "Um tiro duas mortes". Foi a imagem escolhida por snipers (atiradores de elite) da infantaria israelense. Outras t-shirts exibem bebés mortos, mães a chorarem sobre os túmulos dos seus filhos, armas apontadas a crianças e mesquitas bombardeadas. Há uma loja em Tel Aviv especializada em imprimir as ditas t-shirts e cada pelotão escolhe a imagem que vai usar. As atrocidades praticadas pela entidade nazi-sionista já não são escondidas – são mesmo exibidas.

Link permanente 18:42:04, por José Alberte Email , 133 palavras   Português (GZ)
Categorias: Outros, Dezires

O "TRAÇO HUMANO INATO" DO SR. WENNING

resistir.info

"A busca do lucro é um traço humano inato", afirmou o sr. Werner Wenning, presidente da Bayer, em entrevista à Der Spiegel . Quando o principal responsável de uma empresa farmacêutica gigante como a Bayer comete uma frase assim, podemos ter dúvidas quanto ao estado de lucidez dos altos responsáveis das transnacionais. A falta de cultura histórica do sr. Wenning conjuga-se com uma óptica de classe limitadíssima, pois considera os valores da sua classe social como se fossem universais. Quanto ao facto de este traço ser "inato", teríamos de admitir que desde tenra idade, quando ainda bebé ou criança, o sr. Wenning tenderia obsessivamente à "busca do lucro". Se isto fosse verdade, não haveria remédios da Bayer que pudessem curar uma tal patologia.

25-03-2009

Link permanente 15:53:33, por José Alberte Email , 196 palavras   Português (GZ)
Categorias: Dezires

Em EE.UU há mais de 800 campos de concentraçom

Bolpress

Nom é ciência ficçom. Em EE.UU construírom-se mais de 800 campos de concentraçom. Todos plenamente operativos e prontos para receber aos presos. Seguindo o mesmo caminho percorrido com anterioridade por Hitler, os diferentes governos de EE.UU, junto com a inestimável ajuda dos clans corporativos, têm construído mais de 800 campos de concentraçom (alguns deles equipados com instalaçons especiais para possíveis crematórios) ao longo e largo de EE.UU. e fora dele. Assim o transmite a multinacional encarregada de sua construçom, como nom, Halliburton, que se congratula em mostrar em seu lugar site os quantiosos ganhos obtidos pelo encarguinho. Os acampamentos têm instalaçons de caminho-de-ferro, bem como as estradas que conduzem para e desde os centros de detençom, muitos deles a aeroportos. Ao igual que Auschwitz, alguns dos acampamentos têm edifícios herméticos e fornos. A maioria dos campos da cada regiom podem albergar umha populaçom de 20.000 presos. Actualmente, a maior destas instalaçons está justo fora de Fairbanks, Alaska. A de Alaska é uma instalaçom em massa chamada saúde mental” e pode armazenar aproximadamente 2 milhons de pessoas.

20-03-2009

Link permanente 23:21:09, por José Alberte Email , 175 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

O plano de fuga dos oligarcas

por Michael Hudson

O jogo financeiro de "criação de riqueza" acabou. As economias saíram da II Guerra Mundial relativamente isentas de dívidas, mas os seus 60 anos de acumulação global chegaram ao fim da linha. O capitalismo financeiro está em estado de colapso e paliativos marginais não o ressuscitarão. A economia dos EUA não consegue "inflacionar o caminho para fora das dívidas", porque isso faria o dólar entrar em colapso e acabaria com os sonhos do império global forçando os outros países a seguirem o seu próprio caminho. Há manufacturas a menos para que a economia se torne mais "competitiva", dados os altos custos das casas, transportes, dívidas e impostos. Um quarto a um terço da propriedade imobiliária dos EUA caiu em Situação Líquida Negativa, a que nenhum banco emprestará. A economia esbarrou num muro de dívidas e está a cair em Situação Líquida Negativa, onde poderá ficar até que haja cancelamento de dívidas.

16-03-2009

Link permanente 18:49:35, por José Alberte Email , 2415 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

A Grande Depressão do século XXI: Colapso da economia real

por Michel Chossudovsky
resistir.info

A crise financeira aprofunda-se, com o risco de interromper seriamente o sistema de pagamentos internacional.

Esta crise é muito mais séria do que a Grande Depressão. Todos os sectores importantes da economia global são afectados. Relatórios recentes sugerem que o sistema de Cartas de Crédito bem como a navegação internacional, a qual constitui a linha vital do sistema de comércio internacional, estão potencialmente ameaçados.

O proposto salvamento bancário sob o chamado Troubled Asset Relief Program (TARP) não é uma "solução" para a crise e sim a "causa" de mais um colapso.

O salvamento contribui para um novo processo de desestabilização da arquitectura financeira. Ele transfere grandes quantias de dinheiro público, a expensas dos contribuintes, para as mãos de financeiros privados. Isto leva a uma espiral de dívida pública e a uma centralização do poder bancário sem precedentes. Além disso, o dinheiro do salvamento é utilizado pelos gigantes financeiros para obter aquisições corporativas tanto no sector financeiro como na economia real.

Esta concentração sem precedentes de poder financeiro conduz sectores inteiros da indústria e dos serviços, um por um, à bancarrota, o que leva ao despedimento de milhares de trabalhadores.

As esferas superiores da Wall Street pairam sobre a economia real. A acumulação de grandes quantias de riqueza monetária por um punhado de conglomerados da Wall Street e seu hedge funds associados é reinvestida na aquisição de activos reais.

A riqueza de papel é transformado em propriedade e controle de activos produtivos reais, incluindo indústria, serviços, recursos naturais, infraestrutura, etc.

Colapso da procura do consumidor

A economia real está em crise. O consequente aumento do desemprego causa um declínio dramático nos gastos do consumidor o que por sua vez faz retroceder os níveis de produção de bens e serviços.

Exacerbada pela política macroeconómica neoliberal, esta espiral descendente é cumulativa, conduzindo finalmente a uma super-oferta de mercadorias.

As empresas não podem vender os seus produtos, porque os trabalhadores foram despedidos. Os consumidores, nomeadamente os trabalhadores, foram privados do poder de compra necessário para alimentar o crescimento económico. Com os seus magros rendimentos, eles não podem permitir-se adquirir os bens produzidos.

A superprodução dispara uma cadeia de bancarrotas

Os stocks de bens não vendidos acumulam-se. Finalmente, a produção entra em colapso. A oferta de mercadorias declina devido ao encerramento de instalações produtivas, incluindo fábricas de montagem de manufacturas.

No processo de encerramento da fábrica, muitos trabalhadores tornam-se desempregados. Milhares de firmas em bancarrota são expulsas do cenário económico, o que leva a um afundamento da produção.

A pobreza em massa e um declínio à escala mundial nos padrões de vida é o resultado de baixos salários e desemprego em massa. Isto é o resultado de uma anterior economia global de trabalho barato, em grande parte caracterizada pelos baixos salários das fábricas montadoras nos países do Terceiro Mundo.

A crise actual estende os contornos geográficos da economia do trabalho barato, levando ao empobrecimento de grandes sectores da população nos chamados países em desenvolvimento (incluindo as classes médias).

Nos EUA, Canadá e Europa Ocidental, todo o sector industrial está potencialmente ameaçado.

Estamos a tratar de um processo de reestruturação económica e financeira a longo prazo. Na sua fase primitiva, principiada na década de 1980 durante a era Reagan-Thatcher, empresas de nível local e regional, quintas familiares e pequenos negócios foram deslocados e destruídos. Um após o outro, o boom de fusões e aquisições da década de 1990 levou à consolidação simultânea de grandes entidades corporativos tanto na economia real como na banca e nos serviços financeiros.

Nos desenvolvimentos recentes, entretanto, a concentração de poder da banca foi a expensas dos negócios em grande escala (big business).

O que distingue esta fase particular da crise é a capacidade dos gigantes financeiros (através do seu controle decisivo sobre o crédito) não só para causar destruição na produção de bens e serviços como também para minar e destruir grandes entidades corporativas da economia real.

Bancarrotas estão a verificar-se em todos os principais sectores de actividade: Manufactura, telecoms, cadeias de lojas de bens de consumo, centros comerciais, companhias de aviação, hotéis e turismo, sem mencionar o imobiliário e a indústria da construção, vítimas do colapso das hipotecas subprime.

A General Motors confirmou que "poderia ficar sem cash dentro de uns poucos meses, o que poderia impelir a um dos maiores processos de bancarrota da história dos EUA" ( USNews.com , 11/Novembro/2008). Por sua vez isto afectaria uma série de indústrias relacionadas. Estimativas de perdas de emprego na indústria automobilística dos EUA vão de 30 mil até 100 mil postos. (Ibid)

Colapso do preço das acções da General Motors

Nos EUA, companhias de retalho ao consumidor estão em dificuldade: os preços das acções das cadeias de lojas de departamentos JC Penney e Nordstrom entraram em colapso. A Circuit City Stores Inc. pediu a protecção da concordata (Chapter 11). As acções da Best Buy, a cadeia de electrónica a retalho, mergulharam.
O Vodafone Group PLC, a maior companhia do mundo de telemóveis, para não mencionar InterContinental Hotels PLC, ficaram em dificuldades a seguir ao colapso do valor das suas acções. (AP, 12/Novembro/2998). À escala mundial, mais de duas dúzias de companhias de aviação vieram abaixo em 2008, somando-se a uma cadeia de bancarrotas de companhias de aviação no decorrer dos últimos cinco anos. ( Aviation and Aerospace News , 30/Outubro/2008). A segunda companhia aérea da Dinamarca, a Stirling, declarou bancarrota. Nos EUA, uma lista crescente de companhias imobiliárias já entrou com pedido de bancarrota.

Nos últimos dois meses tem havido numerosos encerramentos de fábricas por toda a América, levando ao despedimento permanente de dezenas de milhares de trabalhadores. Estes encerramentos afectaram várias áreas chave da actividade económica incluindo as indústrias química e farmacêutica, a indústria automóvel e sectores relacionados, a economia de serviços, etc.

As encomendas às fábricas dos EUA declinaram dramaticamente. A firma de inquéritos Autodata relatou em Outubro que as "vendas de carros e camiões leves em Setembro declinaram 27 por cento em comparação com o ano anterior". ( Washington Post, 03/Outubro/2008)

Desemprego

Segundo o US Bureau of Labor Statistics, mais 240 mil empregos foram perdidos só no mês de Outubro:
"O emprego assalariado não agrícola caiu em 230 mil em Outubro, e a taxa de desemprego aumentou de 6,1 para 6,5 por cento, relatou hoje o Bureau of Labor Statistics do Departamento do Trabalho. A queda de Outubro no emprego assalariado seguiu-se a declínios de 127 mil em Agosto e 284 mil em Setembro, conforme revisão. O emprego caiu em 1,2 milhão nos primeiros 10 meses de 2008; mais da metade da diminuição verificou-se nos últimos três meses. Em Outubro, as perdas de emprego continuaram na manufactura, na construção e em várias firmas que fornecem serviços à indústria...

Entre os desempregados, o número de pessoas que perderam o seu emprego não esperam ser recontratadas aumentou de 615 mil para 4,4 milhões em Outubro. Ao longo dos últimos 12 meses, a dimensão deste grupo aumentou em 1,7 milhão". ( Bureau of Labor Statistics , Novembro, 2008)

Os números oficiais não descrevem a seriedade da crise e o seu impacto devastador sobre o mercado de trabalho, uma vez que muitas das perdas de emprego não são relatadas.

A situação na União Europeia é igualmente perturbante. Um recente relatório britânico destaca o problema potencial do desemprego em massa no Nordeste da Inglaterra. Na Alemanha, um relatório publicado em Outubro sugere que 10-15% de todos os empregos automotivos na Alemanha poderia ser perdidos.

Cortes de empregos também foram anunciados nas fábricas da General Motors e da Nissan-Renault em Espanha. As vendas de carros na Espanha afundaram 40 por cento em Outubro, em relação às vendas no mesmo mês do ano anterior.

Bancarrota e arrestos:
Uma operação de circulação de dinheiro para os gigantes financeiros

Entre as companhias à beira da bancarrota há algumas altamente lucrativas. A pergunta importante: quem assume a propriedade das corporações industriais gigantes em bancarrota?

Bancarrotas e arrestos são uma operações de circulação de dinheiro. Com o colapso dos valores nos mercados de acções, as companhias ali listas experimentam um grande colapso do preço da sua acção, o que imediatamente afecta a sua credibilidade e a sua capacidade para tomar emprestado e/ou renegociar dívidas (as quais estão baseadas no valor cotado dos seus activos).

Os especuladores institucionais, os hedge funds et alii, aproveitam-se deste saqueio inesperado.

Eles disparam o colapso de companhias listas em bolsa através da venda à descoberto (short selling) e outras operações especulativas. Elas podem assim embolsar os seus ganhos especulativos em grande escala.

Segundo um relato no Financial Times, há prova de que o afundamento da indústria automobilística dos EUA foi em parte o resultado de manipulação. "A General Motors e a Ford perderam 31 por cento para US$3,01 e 10,9 por cento para US$1,80 apesar da esperança de que Washington pudesse salvar a indústria à beira do colapso. A queda verificou-se depois de o Deutsche Bank estabelecer um objectivo de preço zero para a GM ". ( FT, 14/Novembro/2008, ênfase acrescentada)

Os financeiros estão num passeio de compras. Os 400 multimilionários Forbes da América estão à espera na expectativa.

Depois de eles terem consolidado a sua posição na indústria bancária, os gigantes financeiros incluindo a JP Morgan Chase, Bank of America e outros utilizarão os seus ganhos inesperados de dinheiro e o dinheiro do salvamento proporcionado pelo TARP para uma extensão ulterior do seu controle sobre a economia real.

O passo seguinte consiste em transformar activos líquidos, nomeadamente riqueza monetária em papel, com a aquisição de activos da economia real.

Nesse aspecto, a Berkshire Hathaway Inc., de Warren Buffett, é um grande accionista da General Motors. Mais recentemente, a seguir ao colapso do valor das acções em Outubro e Novembro, Buffett aumentou a sua participação no produtor de petróleo ConocoPhillips, sem mencionar a Eaton Corp., cujo preço na Bolsa de Valores de Nova York afundou 62% em relação à cotação de Dezembro de 2008 (Bloomberg).

O alvo destas aquisições são as numerosas companhias industriais e de serviços altamente produtivas, as quais estão à beira da bancarrota e/ou cujas acções entraram em colapso.

Os administradores de dinheiro estão a escolher as peças.

Propriedade da economia real

Em resultado destes desenvolvimentos, os quais estão directamente relacionados com o colapso financeiro, toda a estrutura de propriedade dos activos da economia real está em perturbação.

A riqueza de papel acumulada através do comércio de iniciados e da manipulação do mercado de acções é utilizada para adquirir o controle sobre activos económicos reais, deslocando estruturas de propriedade pré existentes.

O que estamos a tratar é de um repugnante relacionamento entre a economia real e o sector financeiro. Os conglomerados financeiros não produzem mercadorias. Eles no essencial fazem dinheiro através da condução de transacções financeiras. Utilizam o dinheiro destas transacções para tomar o comando sobre corporações da economia real que produzem bens e serviços para consumo familiar.

Numa amarga distorção, os novos possuidores da indústria são os especuladores institucionais e os manipuladores financeiros. Eles estão a tornar-se os novos capitães da indústria, a deslocar não só estruturas de propriedade já existentes como também a instalar seus comparsas nas poltronas da administração corporativa.

Não é possível qualquer reforma sob o Consenso Washington-Wall Street

A Cimeira Financeira do G-20 de 15 de Novembro, em Washington, apoia o consenso Washington-Wall Street.

Apesar de formalmente apresentar um projecto para restaurar a estabilidade financeira, na prática a hegemonia da Wall Street permanece incólume. A tendência é para um sistema monetário unipolar dominado pelos Estados Unidos e apoiado pela sua superioridade militar.

Aos arquitectos do desastre financeiro, sob a lei de 1999 Gramm-Leach-Bliley (Financial Services Modernization Act, FSMA), foi confiada a tarefa de mitigar a crise — a qual foi criado por eles próprios. Eles são a causa do colapso financeiro.

A Cimeira Financeira do G-20 não questiona a legitimidade dos hedge funds e dos vários instrumentos de comércio derivativo. O comunicado final inclui um impreciso e opaco compromisso "para melhor regular os hedge funds e criar mais transparência em títulos relacionados com hipotecas como uma proposta para travar o deslizamento económico global".

Uma solução para esta crise só pode ser alcançada através de um processo de "desarmamento financeiro", tal como inicialmente formulado por John Maynard Keynes, o qual forçosamente desafia a hegemonia das instituições financeiras da Wall Street incluindo o seu controle sobre a política monetária. O "desarmamento financeiro" também exigiria o congelamento dos instrumentos de comércio especulativo e o desmantelamento dos hedge funds.

Obama endossa a desregulamentação financeira

Barack Obama abraçou o consenso Washington-Wall Street. Numa amarga meia volta, o antigo congressista Jim Leach, um republicano que patrocinou o FSMA de 1999 na Câmara dos Deputados, está agora a aconselhar Obama acerca da formulação de uma solução atempada para a crise.

Jim Leach, Madeleine Albright e o antigo secretário do Tesouro Larry Summers, que também tiveram um papel chave na promoção da legislação FSMA, compareceram à Cimeira Financeira do G-20, em 15 de Novembro, como parte da equipe de aconselhamento de Barack Obama:

"O presidente Barack Obama e o vice-presidente Joe Biden anunciaram que a antiga secretária de Estado Madeleine Albrith e o antigo congressista republicano Jim Leach estariam disponíveis para encontrarem-se com delegações na cimeira do G-20 em seu nome. Leach e Albright estão a manter reuniões não oficiais à procura de contribuições das delegações visitantes em nome do presidente eleito e do vice-presidente eleito. ( 15/Novembro/2008)

15-03-2009

Link permanente 22:17:29, por José Alberte Email , 771 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

Para que serve a OTAN?

por Serge Halimi

Le Monde Diplomatique

Nicolas Sarkozy queria que a sua presidência fosse uma ruptura com o «modelo social francês» que a falência do capitalismo financeiro à moda americana veio agora avivar. Terá ele então decidido acabar com uma outra tradição francesa, a da independência nacional? Embora durante a campanha eleitoral nunca tenha aludido a uma tal «ruptura», e que depois tenha feito depender o regresso da França ao comando integrado da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) de um reforço da defesa europeia, Sarkozy fez saber, no entanto, que a decisão do general De Gaulle tinha passado à história.

Ora, há quarenta e três anos, o fundador da V República retirou a França do comando integrado da OTAN numa altura em que a União Soviética mantinha sob a sua autoridade vários países da Europa. Podemos pois perguntar-nos por que motivo – ou na perspectiva de que guerras – deverá a França fazer marcha-atrás, hoje que o Pacto de Varsóvia deixou de existir e que muitos dos seus antigos membros (Polónia, Hungria, Roménia, etc.) aderiram à União Europeia e à Aliança Atlântica.

Será para dar emprego a oitocentos oficiais franceses em Norfolk, na Virgínia, no quartel-general da OTAN? Para agradar a industriais do armamento, amigos de Sarkozy, prevendo estes que o regresso da França às fileiras atlantistas lhes permitirá vender mais equipamentos militares? Para convencer os norte-americanos de que, deixando Paris de ficar fora da OTAN, poderiam autorizar Sarkozy a tornar-se um dos prescritores do seu círculo de influência? De forma mais verosímil, o Eliseu espera tirar partido da simpatia que o novo presidente dos Estados Unidos inspira, para acabar com a imperdoável excepção francesa. Essa que, na altura da guerra do Iraque, levou Paris a erguer-se contra todos os doutores Strangelove do «choque das civilizações». Coisa que provocou grande despeito em muitos dos actuais seguidores de Sarkozy – entre os quais Bernard Kouchner, seu ministro dos Negócios Estrangeiros.

A maior parte dos Estados membros da Organização das Nações Unidas (ONU) não pertence à OTAN nem à União Europeia. Seis dos países membros da União também não fazem parte da OTAN (Áustria, Chipre, Finlândia, Irlanda, Malta e Suécia). Apesar disso, tende a criar-se uma certa confusão entre estas três estruturas, visando alargar o perímetro geográfico da organização militar e atribuir-lhe missões de «estabilização» que estão muito para lá dos seus talentos e da sua jurisdição.

Uma pequena maioria de deputados europeus (293 votos contra 283), invocando a transformação do planeta numa «terra sem fronteiras», reclamou assim recentemente, no dia 19 de Fevereiro, que seja criada, em «âmbitos como o terrorismo internacional, (…) a criminalidade organizada, as ciber-ameacas, a degradação do ambiente, as catástrofes naturais e outras» [1], uma «parceria ainda mais estreita» entre a União Europeia e a OTAN. Recorrendo a uma elegante metáfora, a exposição dos motivos determina que «sem dimensão militar, a União não passa de cão que ladra mas não morde».

Decididamente desejosos de não nos pouparem a nenhum dos cordelinhos, os deputados apoiam a sua declaração num lembrete das «horas sombrias da nossa história», de Hitler, de Munique, sem sequer se esquecerem de acrescentar umas linhas sobre «Elie Wiesel, sobrevivente do Holocausto». «Não gostaríamos nós que alguém viesse socorrer-nos quando choramos?», defendem eles. Secar as lágrimas dos civis nunca foi o talento principal dos oficiais norte‑americanos. Nem durante a guerra do Kosovo nem durante a do Iraque, levadas a cabo em violação da Carta das Nações Unidas. Mas segundo os deputados europeus em questão, muitos Estados membros da ONU enganam-se quando se referem à «doutrina do não-alinhamento, herança da Guerra Fria, [o que] fragiliza a aliança das democracias»…

Já deu pois para perceber que a «futura defesa colectiva da Europa» a que aderiu o chefe de Estado francês se irá organizar unicamente no quadro da Aliança Atlântica. Misturando missões civis e militares, essa defesa não hesitará em mobilizar-se muito para lá da antiga «cortina de ferro», até aos confins do Paquistão. No próprio partido de Sarkozy, dois antigos primeiros-ministros, Alain Juppé e Dominique de Villepin, já começaram a alarmar-se com semelhante orientação. O que bem mostra o perigo da viragem que esta orientação apresenta.

sexta-feira 13 de Março de 2009

14-03-2009

Link permanente 23:21:34, por José Alberte Email , 2415 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

A Grande Depressão do século XXI: Colapso da economia real

por Michel Chossudovsky
resistir.info

A crise financeira aprofunda-se, com o risco de interromper seriamente o sistema de pagamentos internacional.

Esta crise é muito mais séria do que a Grande Depressão. Todos os sectores importantes da economia global são afectados. Relatórios recentes sugerem que o sistema de Cartas de Crédito bem como a navegação internacional, a qual constitui a linha vital do sistema de comércio internacional, estão potencialmente ameaçados.

O proposto salvamento bancário sob o chamado Troubled Asset Relief Program (TARP) não é uma "solução" para a crise e sim a "causa" de mais um colapso.

O salvamento contribui para um novo processo de desestabilização da arquitectura financeira. Ele transfere grandes quantias de dinheiro público, a expensas dos contribuintes, para as mãos de financeiros privados. Isto leva a uma espiral de dívida pública e a uma centralização do poder bancário sem precedentes. Além disso, o dinheiro do salvamento é utilizado pelos gigantes financeiros para obter aquisições corporativas tanto no sector financeiro como na economia real.

Esta concentração sem precedentes de poder financeiro conduz sectores inteiros da indústria e dos serviços, um por um, à bancarrota, o que leva ao despedimento de milhares de trabalhadores.

As esferas superiores da Wall Street pairam sobre a economia real. A acumulação de grandes quantias de riqueza monetária por um punhado de conglomerados da Wall Street e seu hedge funds associados é reinvestida na aquisição de activos reais.

A riqueza de papel é transformado em propriedade e controle de activos produtivos reais, incluindo indústria, serviços, recursos naturais, infraestrutura, etc.

Colapso da procura do consumidor

A economia real está em crise. O consequente aumento do desemprego causa um declínio dramático nos gastos do consumidor o que por sua vez faz retroceder os níveis de produção de bens e serviços.

Exacerbada pela política macroeconómica neoliberal, esta espiral descendente é cumulativa, conduzindo finalmente a uma super-oferta de mercadorias.

As empresas não podem vender os seus produtos, porque os trabalhadores foram despedidos. Os consumidores, nomeadamente os trabalhadores, foram privados do poder de compra necessário para alimentar o crescimento económico. Com os seus magros rendimentos, eles não podem permitir-se adquirir os bens produzidos.

A superprodução dispara uma cadeia de bancarrotas

Os stocks de bens não vendidos acumulam-se. Finalmente, a produção entra em colapso. A oferta de mercadorias declina devido ao encerramento de instalações produtivas, incluindo fábricas de montagem de manufacturas.

No processo de encerramento da fábrica, muitos trabalhadores tornam-se desempregados. Milhares de firmas em bancarrota são expulsas do cenário económico, o que leva a um afundamento da produção.

A pobreza em massa e um declínio à escala mundial nos padrões de vida é o resultado de baixos salários e desemprego em massa. Isto é o resultado de uma anterior economia global de trabalho barato, em grande parte caracterizada pelos baixos salários das fábricas montadoras nos países do Terceiro Mundo.

A crise actual estende os contornos geográficos da economia do trabalho barato, levando ao empobrecimento de grandes sectores da população nos chamados países em desenvolvimento (incluindo as classes médias).

Nos EUA, Canadá e Europa Ocidental, todo o sector industrial está potencialmente ameaçado.

Estamos a tratar de um processo de reestruturação económica e financeira a longo prazo. Na sua fase primitiva, principiada na década de 1980 durante a era Reagan-Thatcher, empresas de nível local e regional, quintas familiares e pequenos negócios foram deslocados e destruídos. Um após o outro, o boom de fusões e aquisições da década de 1990 levou à consolidação simultânea de grandes entidades corporativos tanto na economia real como na banca e nos serviços financeiros.

Nos desenvolvimentos recentes, entretanto, a concentração de poder da banca foi a expensas dos negócios em grande escala (big business).

O que distingue esta fase particular da crise é a capacidade dos gigantes financeiros (através do seu controle decisivo sobre o crédito) não só para causar destruição na produção de bens e serviços como também para minar e destruir grandes entidades corporativas da economia real.

Bancarrotas estão a verificar-se em todos os principais sectores de actividade: Manufactura, telecoms, cadeias de lojas de bens de consumo, centros comerciais, companhias de aviação, hotéis e turismo, sem mencionar o imobiliário e a indústria da construção, vítimas do colapso das hipotecas subprime.

A General Motors confirmou que "poderia ficar sem cash dentro de uns poucos meses, o que poderia impelir a um dos maiores processos de bancarrota da história dos EUA" ( USNews.com , 11/Novembro/2008). Por sua vez isto afectaria uma série de indústrias relacionadas. Estimativas de perdas de emprego na indústria automobilística dos EUA vão de 30 mil até 100 mil postos. (Ibid)

Colapso do preço das acções da General Motors

Nos EUA, companhias de retalho ao consumidor estão em dificuldade: os preços das acções das cadeias de lojas de departamentos JC Penney e Nordstrom entraram em colapso. A Circuit City Stores Inc. pediu a protecção da concordata (Chapter 11). As acções da Best Buy, a cadeia de electrónica a retalho, mergulharam.
O Vodafone Group PLC, a maior companhia do mundo de telemóveis, para não mencionar InterContinental Hotels PLC, ficaram em dificuldades a seguir ao colapso do valor das suas acções. (AP, 12/Novembro/2998). À escala mundial, mais de duas dúzias de companhias de aviação vieram abaixo em 2008, somando-se a uma cadeia de bancarrotas de companhias de aviação no decorrer dos últimos cinco anos. ( Aviation and Aerospace News , 30/Outubro/2008). A segunda companhia aérea da Dinamarca, a Stirling, declarou bancarrota. Nos EUA, uma lista crescente de companhias imobiliárias já entrou com pedido de bancarrota.

Nos últimos dois meses tem havido numerosos encerramentos de fábricas por toda a América, levando ao despedimento permanente de dezenas de milhares de trabalhadores. Estes encerramentos afectaram várias áreas chave da actividade económica incluindo as indústrias química e farmacêutica, a indústria automóvel e sectores relacionados, a economia de serviços, etc.

As encomendas às fábricas dos EUA declinaram dramaticamente. A firma de inquéritos Autodata relatou em Outubro que as "vendas de carros e camiões leves em Setembro declinaram 27 por cento em comparação com o ano anterior". ( Washington Post, 03/Outubro/2008)

Desemprego

Segundo o US Bureau of Labor Statistics, mais 240 mil empregos foram perdidos só no mês de Outubro:
"O emprego assalariado não agrícola caiu em 230 mil em Outubro, e a taxa de desemprego aumentou de 6,1 para 6,5 por cento, relatou hoje o Bureau of Labor Statistics do Departamento do Trabalho. A queda de Outubro no emprego assalariado seguiu-se a declínios de 127 mil em Agosto e 284 mil em Setembro, conforme revisão. O emprego caiu em 1,2 milhão nos primeiros 10 meses de 2008; mais da metade da diminuição verificou-se nos últimos três meses. Em Outubro, as perdas de emprego continuaram na manufactura, na construção e em várias firmas que fornecem serviços à indústria...

Entre os desempregados, o número de pessoas que perderam o seu emprego não esperam ser recontratadas aumentou de 615 mil para 4,4 milhões em Outubro. Ao longo dos últimos 12 meses, a dimensão deste grupo aumentou em 1,7 milhão". ( Bureau of Labor Statistics , Novembro, 2008)

Os números oficiais não descrevem a seriedade da crise e o seu impacto devastador sobre o mercado de trabalho, uma vez que muitas das perdas de emprego não são relatadas.

A situação na União Europeia é igualmente perturbante. Um recente relatório britânico destaca o problema potencial do desemprego em massa no Nordeste da Inglaterra. Na Alemanha, um relatório publicado em Outubro sugere que 10-15% de todos os empregos automotivos na Alemanha poderia ser perdidos.

Cortes de empregos também foram anunciados nas fábricas da General Motors e da Nissan-Renault em Espanha. As vendas de carros na Espanha afundaram 40 por cento em Outubro, em relação às vendas no mesmo mês do ano anterior.

Bancarrota e arrestos:
Uma operação de circulação de dinheiro para os gigantes financeiros

Entre as companhias à beira da bancarrota há algumas altamente lucrativas. A pergunta importante: quem assume a propriedade das corporações industriais gigantes em bancarrota?

Bancarrotas e arrestos são uma operações de circulação de dinheiro. Com o colapso dos valores nos mercados de acções, as companhias ali listas experimentam um grande colapso do preço da sua acção, o que imediatamente afecta a sua credibilidade e a sua capacidade para tomar emprestado e/ou renegociar dívidas (as quais estão baseadas no valor cotado dos seus activos).

Os especuladores institucionais, os hedge funds et alii, aproveitam-se deste saqueio inesperado.

Eles disparam o colapso de companhias listas em bolsa através da venda à descoberto (short selling) e outras operações especulativas. Elas podem assim embolsar os seus ganhos especulativos em grande escala.

Segundo um relato no Financial Times, há prova de que o afundamento da indústria automobilística dos EUA foi em parte o resultado de manipulação. "A General Motors e a Ford perderam 31 por cento para US$3,01 e 10,9 por cento para US$1,80 apesar da esperança de que Washington pudesse salvar a indústria à beira do colapso. A queda verificou-se depois de o Deutsche Bank estabelecer um objectivo de preço zero para a GM ". ( FT, 14/Novembro/2008, ênfase acrescentada)

Os financeiros estão num passeio de compras. Os 400 multimilionários Forbes da América estão à espera na expectativa.

Depois de eles terem consolidado a sua posição na indústria bancária, os gigantes financeiros incluindo a JP Morgan Chase, Bank of America e outros utilizarão os seus ganhos inesperados de dinheiro e o dinheiro do salvamento proporcionado pelo TARP para uma extensão ulterior do seu controle sobre a economia real.

O passo seguinte consiste em transformar activos líquidos, nomeadamente riqueza monetária em papel, com a aquisição de activos da economia real.

Nesse aspecto, a Berkshire Hathaway Inc., de Warren Buffett, é um grande accionista da General Motors. Mais recentemente, a seguir ao colapso do valor das acções em Outubro e Novembro, Buffett aumentou a sua participação no produtor de petróleo ConocoPhillips, sem mencionar a Eaton Corp., cujo preço na Bolsa de Valores de Nova York afundou 62% em relação à cotação de Dezembro de 2008 (Bloomberg).

O alvo destas aquisições são as numerosas companhias industriais e de serviços altamente produtivas, as quais estão à beira da bancarrota e/ou cujas acções entraram em colapso.

Os administradores de dinheiro estão a escolher as peças.

Propriedade da economia real

Em resultado destes desenvolvimentos, os quais estão directamente relacionados com o colapso financeiro, toda a estrutura de propriedade dos activos da economia real está em perturbação.

A riqueza de papel acumulada através do comércio de iniciados e da manipulação do mercado de acções é utilizada para adquirir o controle sobre activos económicos reais, deslocando estruturas de propriedade pré existentes.

O que estamos a tratar é de um repugnante relacionamento entre a economia real e o sector financeiro. Os conglomerados financeiros não produzem mercadorias. Eles no essencial fazem dinheiro através da condução de transacções financeiras. Utilizam o dinheiro destas transacções para tomar o comando sobre corporações da economia real que produzem bens e serviços para consumo familiar.

Numa amarga distorção, os novos possuidores da indústria são os especuladores institucionais e os manipuladores financeiros. Eles estão a tornar-se os novos capitães da indústria, a deslocar não só estruturas de propriedade já existentes como também a instalar seus comparsas nas poltronas da administração corporativa.

Não é possível qualquer reforma sob o Consenso Washington-Wall Street

A Cimeira Financeira do G-20 de 15 de Novembro, em Washington, apoia o consenso Washington-Wall Street.

Apesar de formalmente apresentar um projecto para restaurar a estabilidade financeira, na prática a hegemonia da Wall Street permanece incólume. A tendência é para um sistema monetário unipolar dominado pelos Estados Unidos e apoiado pela sua superioridade militar.

Aos arquitectos do desastre financeiro, sob a lei de 1999 Gramm-Leach-Bliley (Financial Services Modernization Act, FSMA), foi confiada a tarefa de mitigar a crise — a qual foi criado por eles próprios. Eles são a causa do colapso financeiro.

A Cimeira Financeira do G-20 não questiona a legitimidade dos hedge funds e dos vários instrumentos de comércio derivativo. O comunicado final inclui um impreciso e opaco compromisso "para melhor regular os hedge funds e criar mais transparência em títulos relacionados com hipotecas como uma proposta para travar o deslizamento económico global".

Uma solução para esta crise só pode ser alcançada através de um processo de "desarmamento financeiro", tal como inicialmente formulado por John Maynard Keynes, o qual forçosamente desafia a hegemonia das instituições financeiras da Wall Street incluindo o seu controle sobre a política monetária. O "desarmamento financeiro" também exigiria o congelamento dos instrumentos de comércio especulativo e o desmantelamento dos hedge funds.

Obama endossa a desregulamentação financeira

Barack Obama abraçou o consenso Washington-Wall Street. Numa amarga meia volta, o antigo congressista Jim Leach, um republicano que patrocinou o FSMA de 1999 na Câmara dos Deputados, está agora a aconselhar Obama acerca da formulação de uma solução atempada para a crise.

Jim Leach, Madeleine Albright e o antigo secretário do Tesouro Larry Summers, que também tiveram um papel chave na promoção da legislação FSMA, compareceram à Cimeira Financeira do G-20, em 15 de Novembro, como parte da equipe de aconselhamento de Barack Obama:

"O presidente Barack Obama e o vice-presidente Joe Biden anunciaram que a antiga secretária de Estado Madeleine Albrith e o antigo congressista republicano Jim Leach estariam disponíveis para encontrarem-se com delegações na cimeira do G-20 em seu nome. Leach e Albright estão a manter reuniões não oficiais à procura de contribuições das delegações visitantes em nome do presidente eleito e do vice-presidente eleito. ( 15/Novembro/2008)

Link permanente 13:09:09, por José Alberte Email , 1510 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ensaio

PODE OCORRER UM CONFLICTO INTERNACIONAL EM 2009? ANTECEDENTES HISTÓRICOS ( V)

Frederic F. Clairmont
Global Research

O índice do Big Mac

Para compreender, a meu julgamento, por que nom pode ter umha soluçom amigável da guerra comercial e a rivalidade chinês estadunidense, convém dizer umhas poucas palavras sobre a natureza dos mercados de mudança de divisas estrangeiras. É onde se compra e vende dinheiro e é objecto de umha feroz especulaçom nos mercados internacionais. Nom devemos esquecer que o dinheiro é a mercadoria das mercadorias. É o Rei dos produtos básicos. O mercado no que se realizam essas transacçons monetárias é o mercado Forex.

Em umha linguagem muito esclarecedora, mas nom técnico, percebemos que o índice de The Economist se baseia na ideia da paridade e de poder de compra (PPP por suas siglas em inglês). Diz que as divisas deveriam ser comercializadas a umha taxa que faz que o preço dos bens seja o mesmo em todos os países. O Big Mac [hambúrguer] que custa 3,54 dólares em EE.UU. converte-se no parâmetro para medir se outra moeda está infra ou sobre valorizada.

Na China, o preço do Big Mac é de 1,83 dólares. É um mais 40% barato. Em Suíça (usamos tipos de mudança prevalecentes em umha data determinada) custa 5,75 dólares, isto é um mais 60%. É a prova elementar de sobrevaloraçom ou infravaloraçom. Daí a conclusom que sacamos – (e repito que nom só é a base de comparaçom para medir disparidades de mudança de divisas estrangeiras, senom que é certamente a mais simples e a mais engenhosa) é que o renminbi ou yuan da China é um mais 40% elevado que o dólar, o que lhe outorga supostamente umha vantagem no comércio de exportaçom segundo o cálculo do Tesouro de EE.UU. O governo de EE.UU. já tem imposto impostos a China, e a acusa de manipulaçom cambial. Umha acusaçom que escutamos com cautela já que o governo de EE.UU. e todas suas actividades nunca têm sido custódios da moralidade.

O problema da vantagem competitiva da China vai, claro está, bem mais lá dos tipos de mudança. As taxas de salário dos operários nom som menos importantes. A taxa de salário na China para a manufactura é um 10% da de EE.UU. Mas nom nos encontramos só ante umha disparidade nos custos trabalhistas. Há que agregar que a productividade industrial da China tem sido notável.

China, como sabeis, está presente a todos os mercados mundiais e seu comércio exterior e investimento directo se dispararam na última década de um modo impressionante em Latinoamérica e África, na Austrália e em todos os mercados asiáticos, para nom falar da Rússia. Um sozinho exemplo confirma o que estou a dizer. O fundo de desenvolvimento económico chinês/venezuelano duplicar-se-á de 6.000 milhões de dólares a 12.000 milhões em só pouco mais de um ano. O papel da USCO, a UE e Japom, som de importância periférica em Venezuela. A conquista de mercados mundiais e de quota de mercado continua a velocidades incontidas. Os dez países capitalistas dominantes já estám em recessom. Que nom exista ambiguidade ao respeito. O objectivo dos planificadores políticos da China e seus capitalistas é o engrandecimento do mercado.


Dinâmica da sobreproduçom

Umha das características da actual deflaçom/estancamento, e nom exagero quando o digo, significa que há demasiados bens à procura de demasiados poucos compradores; demasiado dinheiro à procura de poucos investimentos lucrativos; demasiados operários a procura-a de poucos postos de trabalho; demasiados bancos a procura-a de poucos poupadores e depositantes empobrecidos, etc. É nom vale só para a actual queda cíclica do capitalismo senom se aplica a todas as facetas da crise. A essência da crise do capitalismo é a sobreproduçom. Ou a sobre-acumulaçom.

Que é a sobreproduçom? Quais som suas propriedades? Em que etapa do ciclo de acumulaçom do capital emerge? Qual é sua duraçom cíclica? Qual é seu papel no ciclo económico do capitalismo?
Milton Friedman, um dos principais propagandistas do fundamentalismo de livre mercado e um vulgar apólogo do capitalismo, o disse de modo sucinto quando jogou a um lado a panaceia da responsabilidade social por parte do capitalista: “a única responsabilidade de umha companhia é aumentar os benefícios para os accionistas.” O capitalismo define a relaçom entre a classe possuidora/explotadora cujos rendimentos som ganhos, dividendos e rendas, e umha classe explotada sem propriedades cujos rendimentos som os salários.

Define a relaçom entre o opressor e o oprimido. Daí que o objectivo supremo do capitalismo, a sua alfa e sua omega, e a dos donos do capital, nom seja o fornecemento de bens e serviços aos trabalhadores que expolia. É um fenómeno superficial. É um fetichismo. O objectivo da acumulaçom de capital é expandir e assegurar umha massa de benefícios em contínuo aumento para umha classe de proprietários adinheirados. O objectivo supremo é o benefício e a maximizaçom dos benefícios. A sobreproduçom nom é portanto umha aberraçom do sistema senom é inerente ao seu jeito de operar. E isto data de começos da primeira Grande Depressom do capitalismo de 1873, como o assinalam os Comissionados Reais em seu relatório final em palavras que som grandemente relevantes ao crac de 1929 e a nosso desabamento actual:
“Pensamos que… a sobreproduçom tem sido umha das características mais destacadas do desenvolvimento do comércio durante os últimos anos; e que a depressom baixo a qual sofremos actualmente pode ser explicada parcialmente por este facto… A característica notável da situaçom actual, e a que a nosso julgamento a distingue de todos os anteriores períodos de depressom, é a quantidade de tempo que tem durado esta sobreproduçom… Estamos convencidos de que nos últimos anos, e mais particularmente nos anos durante os quais tem prevalecido a depressom do comércio, a produçom de bens em general, e a acumulaçom de capital neste país, têm estado ocorrendo a um ritmo mais rápida que o aumento de populaçom.”
A lucidez destas conclusons sublinha nom só a natureza, génesis e base lógica do ciclo económico que exploraremos em conferências subsequentes, senom seu relevância e afinidade com outras grandes depressons que têm devastado o capitalismo mundial como ser a Grande Depressom de 1929 e a actual depressom económica. É importante que se recordem as consequências dessa grande depressom que durou, com suas altas e baixas, até o começo dos anos noventa do Século XIX.

A emergência do monopólio e seus envolvimentos

O capitalismo e seu governo de classe som um sistema impulsionado pola concorrência. Vale para todas as fases de seu crescimento. O período de 1873 a 1914 que trouxe consigo as grandes matanças e presencio as mudanças estruturais do capitalismo desde sua fase competitiva à monopolista. A concorrência mata à concorrência. Ou, como o tem falado Marx, um capitalista mata a outro capitalista. A Grande depressom impulsionou a concentraçom e centralizaçom do capital que Marx tinha analisado com tanta penetraçom. Viu a ascensom dos trust e dos cartéis. Os nomes de Rockefeller, Buchanan – o rei do fumo, Krupp, Vanderbilt, Morgan, Carnegie encarnárom a cara do capital.
Nom eram simplesmente os que o presidente Theodore Roosevelt qualificou de “delinqüentes da Grande Riqueza.” Tratava-se da nova fase do capitalismo monopolista originado na concorrência acelerada dentro e entre Naçons-Estado, e a queda da taxa de benefício. Mais e mais concorrência conduziu ao excesso de capacidade e seu corolário de preços destructivos, umha queda nos preços por atacado e menor, descritiva da etapa deflacionaria. Isto abriu a procura beligerante de esferas privilegiadas de investimento e comércio exterior. O capitalismo monopolista alimentou o impulso para o imperialismo.
Esse período abriu as esclusas para o que George Bernard Shaw chamou, nos dias da Guerra Bóer, a era de “Os comerciantes da morte.” Recordareis o que o presidente Eisenhower qualificou em seu discurso de despedida de Complexo Militar/Industrial e que gerou umha quantidade enorme de literatura. As fórmulas eram inovadoras mas nom sua substância. A realidade desse fenómeno esteve vigorosamente presente a sua forma concentrada nas décadas anteriores à Grande Guerra. Fabricantes de armas como Krupp e Siemens e Mercedes Benz na Alemanha, Vickers-Armstrong e Rolls Royce no Reino Unido, Creusot-Schneider na França e Mitsubishi no Japom simbolizaram os vínculos dos Comerciantes da Morte e do Poder Estatal. Quase um 70% de todas as peças de artilharia e projétis utilizados polo exército do Káiser, para nom falar do aço que se usou no em massa fortalecimento da Armada alemã desde 1890, foram produzidos por Krupp. A Casa de Krupp se emaranhou com os Hohenzollern através de laços de casal. Tal era o músculo da interconectividade matrimonial imperialista.

12-03-2009

Link permanente 18:52:40, por José Alberte Email , 220 palavras   Português (GZ)
Categorias: Palavra

Língua proletária do meu povo

Língua proletária do meu povo
eu falo-a porque sí, porque gosto,
porque me peta e quero e dá-me a ganha
porque me sai de dentro, ali do fundo
dumha tristura aceda que me abrange
ao ver tantos patufos desleigados,
pequenos mequetrefes sem raízes
que ao pôr a gravata já nom sabem
afirmar-se no amor dos devanceiros,
falar a fala mae,
a fala dos avós que temos mortos,
e ser, com o rosto erguido,
marinheiros, labregos do linguagem
remo e arado, proa e relha sempre.

Eu falo-a porque sí, porque gosto
e quero estar com os meus, com a gente minha,
perto dos homens bons que sofrem longo
umha história contada noutra língua.

Nom falo pra os soberbos,
nom falo pra os ruins e poderosos
nom falo pra os finchados,
nom falo pra os estúpidos,
nom falo pra os valeiros,
que falo pra os que aguentam rejamente
mentiras e injustiças decote;
pra os que suam e choram
um pranto cotiám de bolboretas,
de lume e vento sobre os olhos nus.
Eu nom posso arredar as minhas verbas
de todos os que sofrem neste mundo.

E tu vives no mundo, terra minha,
berço da minha estirpe,
Galiza, doce mágoa das Hespanhas,
deitada rente ao mar, esse caminho...

Celso Emilio

09-03-2009

Link permanente 22:25:48, por José Alberte Email , 939 palavras   Português (GZ)
Categorias: Ossiam

Educaçom e Cultura em Gramsci

LIMIAR

Nestes tempos de globalizaçom totalitária ao saqueio puro e duro da riqueza colectiva através das privatizaçoes é chamado eficiência económica; a deserçom política: modernizaçom; a peculiaridade espanhola de re-clerilizaçom da sociedade: liberdade. Todas estas falsidades e mentiras som expostas polos “mass média” e os seus alcaiotes como fitos de vanguarda, construindo o imaginário preponderante que consolida o poder do bloco de classes dominante sobre a totalidade social. Este imaginário unificador e coesivo nom se conforma num todo comum, a homogeneidade é proporcionada como bem expom o professor Mezones: “... polos diferentes níveis de ideologia: a filosofia, o folclore, o senso comum e a religiom...”

Nesta atmosfera em que estamos mergulhados, ler o livro de Carlos Mezones, Educaçom e Cultura em Gramsci, nom só refresca a memória mas também é umha pedrada no espelho das imposturas. As suas primeiras páginas enceta-as com reflexões tiradas dos clássicos marxistas sobre a importância da educaçom na funçom reprodutora da ordem dominante nas sociedades divididas em classes.

... que a memória das crianças sai trabucada com dogmas incompreensíveis e distinções ideológicas; que o ódio de seita e a santuloria fanática se esperta neles bem cedo, e a educaçom sensata, intelectual e moral é descuidada... (A situaçom da classe operária na Inglaterra. F. Engels)

Em toda sociedade capitalista, qualquer loita séria leva-se a cabo antes de nada nos âmbitos económicos e políticos. Afastar desta loita a questom das escolas é, em primeiro termo, umha falácia absurda, pois nom é possível afastar a escola (o mesmo que a “cultura nacional” em geral) da economia e da política. (Problemas da política internacional e internacionalismo proletário. Lenine)

Nós, os galegos, vivemos num país que sobranceia polos seus índices sociais: umha das maiores taxas de suicídios por habitante de Europa, crescimento vegetativo negativo, emigraçom em massa das suas gentes como nos piores tempos, nom está garantida a possibilidade de achar um posto escolar para continuar umha mínima capacitaçom profissional no Ensino Público depois cursar o ensino Médio. Aqui, vem-nos bem lembrar:

O analfabeto está à margem da política, é preciso ensinar-lhe primeiro o abecedário. Sem isso nom pode haver política, sem isso só há remusmús, barafulhas, contos e preconceitos, mas nom política. (A instruçom pública. Lenine)

Todos estes dados em si mesmos, bem como a dialéctica que se produz entre os mesmos, mostram-nos melhor que qualquer outro discurso a impossibilidade de sermos donos de Nós. Quando a um povo nom lhe é factível viver, continuar e desenvolver as suas potencialidades no país do qual faz parte, teremos que nos perguntar o seu porquê.

A nossa desapariçom como colectividade nom é um castigo, mandado sobre Nós por qualquer deus ou deusa como umha maldiçom divina. Obedece às decisões tomadas pola burguesia no seu conjunto, bloco social dominante, que nos asovalha em tanto que classe. Estas políticas tenhem uns objectivos e dam uns resultados: o nosso etnocídio como povo. Pois toda hegemonia tem um duplo papel o de dirigir e dominar a sociedade em prol do bloco social que a exerce. E provado é que nom som as classes populares galegas quem exercem esta hegemonia se nom quem a padece desde séculos.

Recolhamos de novo o fio do livro. No pensamento gramsciano, a educaçom pertence ao eido da chamada sociedade civil; esta, por sua vez, conforma-se na superestrutura económico-social. É aqui, na superestrutura, onde se produz a hegemonia político-cultural do bloco social dominante. Para manter o domínio sobre a totalidade social, a classe dominante está obrigada a dirigi-la e para isto precisa do controlo da educaçom e da cultura. Pois como bem diz o autor deste livro: “... a hegemonia é um facto pedagógico que se reproduz e se articula em todos os níveis sociais”. E é esta sociedade civil que coesiona política e culturalmente o todo social para fazer real a hegemonia do bloco social burguês; isto garante-lhe a este bloco a direcçom e o domínio do conjunto da sociedade. Voltando às palavras do Professor Mezones, “sociedade política e sociedade civil som dous planos que se articulam para garantirem a hegemonia da classe dominante”. Estes argumentos levam-nos a asseverar que quando um servo pensa como o amo lhe diz que deve pensar, podemos assegurar que a possibilidade de emancipaçom do servo nom existe. Se os dominados querem quebrar as cadeias e se ceivar tenhem que construir umha leitura de seu da realidade. Fazer que a versom subjacente, abrolhe. A subversom é precisa.

A profundidade das concepções teóricas de Gramsci e a sua vontade férrea dá aos seus textos um optimismo histórico, apesar da dureza em que tivo que viver a maior parte da sua vida. Pois nom esqueçamos que a sua mais grande obra, Cadernos e Cartas do Cárcere, foi pensada e escrita perante os anos de duro presídio a que o submeteu o fascismo italiano. Este jeito de entender a própria existência de um mesmo como homem livre é parte consubstanciai à emancipaçom das classes populares, da pulos para ser optimista a pesar dos novos Idus de Março que assolam a humanidade com “exércitos libertadores” para massacrar em operações genocídas a milheiros de homens e mulheres que dim emancipar e assim roubar-lhes os seus recursos. A velha historia colonial novamente repetida.

Corral Iglesias, J.A.

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