por Ossiám
A razom funda polo que a Obama lhe dérom o Prémio Nobel da Paz: assegurar a sua liderança mundial em momentos de debilidade relativa do USA-império. Com este gesto, as elites europeias mostram a sua verdadeira política: subalternidade e dependência do "amigo americano". Nada de autonomia, nada de critérios próprios.
Efectivamente, se enfocamos o assunto desde a crise dos anos 70, observamos bem nídio que a contra-revoluçom neo-liberal da economia e a chamada globalizaçom som parte, também, da resposta Usamericana para reafirmar a sua hegemonia. Esta resposta conseguiu todos os objectivos esperáveis e até os inesperados, como a dissoluçom do Pacto de Varsóvia e a posterior desintegraçom da Uniom Soviética. O projecto político e ideológico da globalizaçom neo-liberal aparece como o fundamento de um novo ordem económico e militar ao serviço da recuperada hegemonia da hiperpotencia
É que a construçom europeia (com ou sem Tratado de Lisboa) está feita para desmantelar o Estado Social, organizar as condiçons para fazer irreversível o modelo neo-liberal; impedir a construçom dumha Europa democrática e federal e fazer inviável qualquer tentativa dumha política independente e soberana: o da política internacional e o dos novos palcos geopolíticos é cousa de Usamérica. A guerra dos Balcáns é prova inequívoca desta política, onde os Estados Europeus, incluído o Vaticano, jogárom as suas baças como satélites USA para desintegrar a antiga Jugoslávia. Hoje por hoje, a Uniom Europeia nom deixa de ser outra cousa que um protectorado dos USA.
Costas Douzinas/Rebelión
Grécia está a se converter num experimento para a nova fase da correcçom de curso que o neoliberalismo se propom realizar aproveitando o rastro da crise económica e financeira.
Paul Bremer, o primeiro virrei norte-americano, impós num estragado Iraque políticas económicas que o Economist qualificou como um regime "de capitalismo de sonho". Dificilmente acha-se umha locuçom melhor para descrever as medidas do plano de "estabilidade" submetidas por Grécia à aprovaçom da Comissom Europeia, e aprovadas ontem. O plano contempla umha reduçom do deficit orçamental grego, que passaria do actual 12,7% do PIB ao 2,8% em 2012, prometendo, ademais, imediatamente, um recorte de 10% no orçamento ministerial, umha congelaçom das contrataçons de servidores públicos, a ABOLIÇOM de diferentes IMPOSTOS DIRECTOS e um INCREMENTO da FISCALIDADE INDIRECTA. E por se isso nom bastasse, o primeiro ministro socialista George Papandreu anunciou ontem, num dramático discurso televisado à naçom, ulteriores medidas de austeridade sem precedentes, entre elas, o aumento imediato dos impostos aos combustíveis, o AUMENTO DA IDADE DE JUBILAÇOM e recortes na remuneraçom dos empregados públicos que significárom umha diminuiçom de 10% do salário para a maioria de servidores públicos do Estado, e de 40% no caso dos académicos. Como em Gram-Bretanha, as universidades recebem o primeiro golpe; a tám cacareada "economia do conhecimento" nom é óbice para as considerar um luxo de todo ponto secundário.
E todo isso se vai pôr por obra no país mais pobre da velha Europa, que conta com um desemprego juvenil de 25%, com um crescimento estancado e com seus tradicionais sectores da indústria naviera, o turismo e a construçom submetidos a umha indecível pressom. Essas medidas fechárom o círculo vicioso de crescente desemprego, menguantes rendimentos fiscais e políticas económicas submetidas ao capricho da especulaçom nos mercados financeiros. Empurrárom a um país que se acha já em profunda recessom ao abismo de umha depressom duradoira e sem saída.