« Ceausescu?Médicos e enfermeiros espanhóis em Portugal »

Mestres alentejanos (e assim fala Portugal)!

13-12-2005

Link permanente 12:08:42, por Ibérico Email , 520 palavras, 4141 leituras   Português (PT)
Categorias: Alentejo

Mestres alentejanos (e assim fala Portugal)!

Link: http://slp2003.com.sapo.pt/final%20Edite%20Prada.htm

MESTRE ALENTEJANO

Terra de grandes barrigas,
Onde há tanta gente gorda,
Às sopas chamam açorda
E à açorda chamam-lhe migas;
Às razões chamam cantigas,
Milhaduras são gorjetas,
Maleitas dizem maletas,
Em vez de encostas, chapadas,
Em vez de açoites, nalgadas
E as bolotas são boletas.

Continua:

Terra mole é atasquêro,
Ir embora é abalári,
Deitar fora é aventári,
Fita de couro é apero;
Vaso com planta é cravêro,
Carpinteiro é abegão,
A choupana é cabanão
E às hortas chamam hortejos
Os cestos são cabanejos
E ao trigo chama-se pão.

No resto de Portugáli
Ninguém diz palavras tais;
As terras baixas são vais
Monte de feno é frascáli
Vestir bem parece máli
À aveia chamam cevada
Ao bofetão orelhada
Alcofa grande é gorpelha
Égua lazã é vermelha
Poldra “isabel” é melada.

Quando um tipo está doente
Logo dizem que está morto.
A todo o vau chamam porto
Chamam gajo a toda a gente
Vestir safões é corrente
Por acaso é por adrego,
Ao saco chamam talego
E, até nas classes mais ricas
Ser janota é ser maricas
Ser beirão é ser galego.

Os porcos medem-se às varas,
O peixe vende-se aos quilos
E a gente pasma de ouvi-los
Usar maneiras tão raras;
Chamam relvas às searas
Às vezes, não sei porquê
E tratam por vomecê
Pessoas a quem venero;
“não quero” dizem “na quero”
“eu não sei” dizem “ê nã sê”!

de António Pinto Basto, Rosa Branca
Letra: J. De Vasconcelos e Sá (o avô de António Pinto Basto, segundo José Gonçalez).
Música: fado corrido.

OUVIR: http://www.imeem.com/people/UUAFJ8B//music/Hf6HcFqV/antnio_pinto_basto_mestre_alentejano/

DITOS DO ALENTEJO OU MESTRE ALENTEJANO (II)

Assim já cantei um dia
Pois no Alentejo nasci
Ali amei e sofri
E ao meu povo eu entendia
Pastel de grão é azevia
Massa frita é brinhol
Piolho cata-se ao sol
À lenha chamam molheta
O zangado diz punheta
Sapateiro usa serol

A frigideira é sartém
Uma tigela plangana
Mulher de graça é magana
Falar mal é coisa vã
Cama de molas divã
E quem dança está balhando
Chover pouco é muginando
A gasosa é um pirulito
Qualquer cão é um canito
Chorar baixo é chomingando

Ao leite chamam-lhe lête
Um bacio é um penico
Um desmaio é um fanico
Um canteiro é alegrete
O soutien é um colete
Do pão dur(o) fazem-se migas
São saias quaisquer cantigas
Grão cozido é gravançada
Qualquer pessoa é coitada
E as amantes são amigas

Emprestar é repassar
Mentiroso é trapacêro
Amolador é um gatêro
Ir a mondar é escardar
Chatear é amolar
Do pobre diz-se infeliz
A igreja é uma matriz
Cafeteira é choclatêra
Coisa torta é pernêra
E é o povo que assim diz

Um barril é um porrão
E a garagem é cochêra
Chouriço preto é cacholêra
Preguiçoso é lazerão
Homem do campo é ganhão
Chama-se fosso a um val
Almofariz é um gral
Sopas frias é gaspacho
Viver bem é ter um tacho / VIVE BEM QUEM VIVEU MAL (correção da autora)
E assim fala Portugal

Autora da letra: Rosa Dias (poeta popular de Campo Maior).
Música: fado corrido.
Cantam: José Gonçalez e António Pinto Basto.

OUVIR (só uma parte): http://www.amazon.com/Mestre-Alentejano-Dueto-Ant%C3%B3nio-Pinto/dp/B000QNPLW8 ou http://www.amazon.com/Mestre-Alentejano-Dueto-Ant%C3%B3nio-Pinto/dp/B000QNMCCK

Última edição: 10 de setembro de 2010.

8 comentários

Comentário de: José Luís [Visitante]
No português corrente da Galiza "amolar" com o mesmo significado que no Alentejo: "pois deixa-o que se amole!". Catar piolhos também: lembre-se o verso de Rosalia "cata-lhe as pulgas ao gato".
No alentejo também existe nasalaçom nos pretéritos perfeitos, primeira pessoa: comim, bebim, perdim.
Também existem desinências pessoais para o gerúndio, como nalgumas zonas da Galiza.
Em Olivença, no português que ainda se fala: coiro, area, hoje ainda comuns na Galiza (ao lado de areia, forma conhecida por mim assim sempre, com i epentético) e, ainda, nalgumas zonas atlânticas galegas também dizem couro, embarcadouro, ancoradouro (Bueu). Hoje o mais corrente em Portugal é couro, embarcadouro (os dicionários registam também coiro, ancoradoiro)e coisa, se bem que uma surpresa que tenha sido para mim ver como Pessoa emprega quase sempre cousa em vez de coisa.
Obrigado, Manuel, por esta amostra do falar alentejano.
Mais uma vez, a unidade da língua emerge dentro da sua variedade.
José Luís Valinha.
14-12-2005 @ 11:55
Comentário de: bernardo lopes da Rocha [Visitante] · http://lopesdarocha.blogs.sapo.pt
Feliz natal



O que eu vejo no Natal, desde a bebedeira ao carnaval.


Vejo coisas no natal // Que só me causam pavor //
São muitas de carnaval // Poucas do nosso Senhor..

Ou o tempo está trocado // Ou eu não entendo isto //
Onde eu só vejo o diabo // Os outros vêem o Cristo..

Na cara dos foliões // Só vejo graça plena //
Então tinha razões // A Maria Madalena..

Seria melhor ficar calado //Se não posso ver o Égo //
Para não ser criticado // Nem ser taxado de cego.

No passado já foi dito // Para todos em geral //
O exagero é maldito // E causará muito mal..

Há pessoas neste mundo // Com males exagerados
E sofrimentos profundos // Por eles mesmos criados..

Ter menos que o merecido // Não é bom para ninguém
Mas todo o excesso retido // Só faz mal a quem retém.


Então os que comem demais // Vão pagar caro por isso //
Por desprezarem os editais // que mostram o compromisso.

Muita gente a passar fome // Mesmo sem parar de trabalhar
Por causa do consumo enorme // De quem se diverte a esbanjar.

Nunca tivemos tanta produção // Nem tantos humanos famintos //
Nem se buscou tanto a solução // Para retirá-los dos labirintos. .

Enquanto alguém tiver fome // Por não conseguir emprego //
Nem rico nem pobre dorme // Ninguém mais terá sossego..

Só se pensa e fala em lazer // E em lugares de muita calma //
Poucos conseguem entender //Que o cansaço está na alma.

A alma está perturbada // Pela sujeira da ganância //
E dizem que não é nada // È coisa sem importância.

É a sujeira não somática // Que confunde a liberdade//..
Pelo que se vê na prática.// Só se limpa com amizade

Meu cérebro, meu universo // É todo Teu , meu Senhor //
Nele contigo converso // E vejo Teu esplendor.
.

Usa meu cérebro Senhor.// se isso for do teu agrado //
Não é para fazer favor // Ele foi por Ti criado!..

Autor; Bernardo Lopes da Rocha

bernardolope@superig.com.br

20-12-2005 @ 00:53
Comentário de: Servando [Visitante]
Na versão da Rosa Dias, no penúltimo verso lê-se: "vivem vem", acho que deve dizer: "viver bem". Obrigado por esta segunda versão da qual não tinha a letra.
Cumprimentos ao José Luis Valinha que conheci nos "Encontros de Ajuda" quando eu trabalhava no Arquivo Histórico e Biblioteca de Olivença.
04-01-2006 @ 11:56
Ó Servando, tens razão. Mas só era um errinho dactilográfico.
Soidades (oliventinamente) :)
04-01-2006 @ 14:21
Comentário de: Rosa Dias [Visitante] · http://jrosadocm.blogs.sapo.pt
Aqui fica a correção feita pela própria autora:O certo é " Vive bem quem viveu mal"
Aquele abraço da amiga certa
Rosa Dias
10-09-2010 @ 15:02
Obrigado, Servando e Rosa Dias! Mas os cantores dizem "Viver bem é ter um tacho".
10-09-2010 @ 16:34
Comentário de: Norberto Pereira de Almeida [Visitante]
Ao ler a letra da canção popularizada pelo Antonio Pinto Basto, mais convencido fiquei de quão são desnecessários os tão propalados " Acordos Ortográficos " da Língua Portuguesa. Imaginemos uma recolha de falares do Minho a Timor, quantas coisas belas e engraçadas não vão surgir e serem adicionadas à mais bela de todas as línguas vivas.
31-12-2012 @ 15:58
Os acordos são necessários. As recolhas podem ser feitas com alfabetos fonológicos ou fonéticos.
01-01-2013 @ 13:08

Deixe o seu comentário


Seu endereço de e-mail não será mostrado no site.

Sua URL será exibida.
(Quebras de linha se tornam <br />)
(Nome, e-mail & website)
(Permitir que usuários o contatem através de um formulário (seu e-mail não será exibido.))
Paranóias ibéricas. Liberdade de expressão. Oliventinismos e oliventinices. Imprensa e mentiras dela, e verdades também. Rebuliço temático. Gaspachos vários. Acracias diversas. Etc. Aberto a todos. Condição: respeito e bom humor.
Setembro 2014
Seg Ter Qua Qui Sex Sab Dom
 << <   > >>
1 2 3 4 5 6 7
8 9 10 11 12 13 14
15 16 17 18 19 20 21
22 23 24 25 26 27 28
29 30          

Busca

Arquivos

Feeds XML

Ferramentas do usuário

powered by b2evolution free blog software