A poesia
é ridícula: escreve-a,
orgulha-te,
ufana-te ao espelho
e acredita que sabes.


Ikkyu Sojun

às vezes penso isto

    • Decir ‘amor’ es fácil, pero expresarlo… (19-05-2012)
    • É difícil seguir a natureza, mas continuá-la é inevitável. (10-05-2012)
    • A verdadeira compreensão é uma expressão (11-04-2012)
    • Esta euforia não me pertence (18-03-2012)
    • nem o amor nem deus nem a beleza: nada que eu crie é maior que eu próprio (11-03-2012)
    • Apartar a vista da verdade nunca é bonito (09-03-2012)
    • either the good and the bad thing about the body is it has so little memory (27-04-2011)
    • si la corteza no nos deja ver el árbol y el árbol no nos deja ver el bosque, ¿que es lo que el... (20-02-2011)
    • deus pai deve de ser, por toda lógica, etéreo-sexual (13-02-2011)
    • Um beijo é tanto mais intenso quanto mais se achegue a uma ameaça de mordida que nunca chega. (28-01-2011)
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Unidades, unidades, unidades

Há uns dias escrevi um artigo intitulado Unidades de Bilhar, inspirado numa série de notícias aparecidas recentemente na imprensa galega. A ideia básica era esta: enquanto a unidade da língua castelhana é indiscutida, e mesmo assim potencializada, o movimento espanholizador pode dar-se ao luxo de jogar a fazer carambolas com a unidade das outras línguas do estado. O meu artigo original, que se calhar acaba por ser publicado no portal, seguia uma tradição secular do galeguismo: chegar tarde e mal. Quando por fim o enviei a Vieiros, onde pretendia publicá-lo, já havia um outro, de características muito similares, escrito magistralmente e assinado por Camilo Nogueira.

Resposta:

Devo reconhecer que senti uma dor pungente em todo o centro do ego quando vi o artigo do senhor Nogueira já publicado. Todo o meu trabalho por assinalar ideias e por tentar comunicá-las via-se reduzido a zero, ou quase, perante o trabalho de alguém muito mais capacitado e com mais predicamento no conjunto de pessoas a que queria chegar. O meu artigo, em definitivo, já não fazia sentido. Li-o e reli-o dezenas de vezes, como faço com os meus poemas e outras coisas inúteis que costumo escrever. Comparei-o com o outro artigo: definitivamente, o do senhor Nogueira era muito melhor.

Mas eis que neste estado de ânimo, volto a aceder Vieiros. Lá estava, agora, um novo artigo, assinado polo professor Celso Álvarez Cáccamo. Lá estava, sob o título de “Unidade, unidade, unidade”, assim por triplicado, como respondendo as três “carambolas” que davam fim ao meu artigo. Abri-o imediatamente, com a suspeita de que tratasse um tema relacionado. Como quem responde um e-mail pessoal, o Prof. Cáccamo tinha pegado em trechos do artigo de Camilo Nogueira e respondido, ponto por ponto, fazendo perguntas que assinalavam o “absurdo” de o artigo ter sido escrito na normativa da RAG.

Fiquei confuso. Não entendia nada. Pensava, idiota de mim, que um artigo com teses reintegracionistas devia ser respondido por um artigo com teses isolacionistas. Era o normal, ou isso achava, porque responder teses reintegracionistas com teses reintegracionistas seria absurdo ou, pior, seria ir contra um aliado, contra um mesmo. Não, não entendia nada. Não era o comportamento típico da pessoa lúcida que o Celso tinha demonstrado ser tantas e tantas vezes. Algo devia estar errado. Não podia ser que o Celso, que eu sempre tinha admirado pela sua coerência, intitulasse “Unidade, unidade, unidade”, um artigo em que atacava a coerência de Camilo Nogueira. Não podia ser que estivesse a pedir a uma pessoa como Camilo Nogueira, tão condicionada por questões de partido, que escrevesse em reintegrado, porque isso seria realmente como dizer-lhe que deixasse o reintegracionismo ou o partido. Seria, realmente, atacar o movimento reintegracionista, dar uma imagem para fora de desunião, quando o título do artigo incidia precisamente no contrário.

Fiquei muito tempo pampo, lendo e relendo, a ver se se me passava algo e por isso não percebia. Passei horas a pensar como podia ser. Desliguei o computador e fui fazendo a minha vida com a dúvida na mente. Pensei e pensei, procurando uma resposta. Dei-lhe voltas e voltas, e creio que, finalmente, resolvi o mistério. Nem sei como não reparei à primeira. O artigo do Celso não se intitulava simplesmente “Unidade”, mas “Unidade, unidade, unidade”. Devem de ser três unidades diferentes. Burricainas de mim...

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