A poesia
é ridícula: escreve-a,
orgulha-te,
ufana-te ao espelho
e acredita que sabes.


Ikkyu Sojun

às vezes penso isto

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    • É difícil seguir a natureza, mas continuá-la é inevitável. (10-05-2012)
    • A verdadeira compreensão é uma expressão (11-04-2012)
    • Esta euforia não me pertence (18-03-2012)
    • nem o amor nem deus nem a beleza: nada que eu crie é maior que eu próprio (11-03-2012)
    • Apartar a vista da verdade nunca é bonito (09-03-2012)
    • either the good and the bad thing about the body is it has so little memory (27-04-2011)
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    • deus pai deve de ser, por toda lógica, etéreo-sexual (13-02-2011)
    • Um beijo é tanto mais intenso quanto mais se achegue a uma ameaça de mordida que nunca chega. (28-01-2011)
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Lusistas platónicos e lusistas "freelance"

Alguma coisa começa a mover-se, ao que parece. Agora é Vilhar Trilho a escrever em Vieiros sobre o lusismo. O artigo está bem, fala de coisas reais, sobre a falta de reconhecimento aos reintegracionistas, paralela ao reconhecimento progressivo que a socieade galega está a fazer à teoria reintegrata. Descobre Vilhar Trilho o conceito de "lusistas platónicos", e fá-lo entrar no terreno de jogo pela porta grande, nada menos que por um artigo em Vieiros. Começa a estar em jogo, parece, a definição social do campo do lusismo, saber quem tem o poder, a legitimidade, de definir o que é e não é.

Resposta:

Segundo o artigo de Vilhar Trilho, tudo lhe parece bem, e nada tem contra a "apropriação" da teoria do lusismo, ou isso diz. Mas não vamos equivocar-nos: o facto de publicar o artigo supõe por si próprio uma tomada de posição. Vilhar Trilho faz ouvir a sua voz, e não o faz por acaso. Fá-lo agora, que ainda está em tempo de ser reconhecido, coisa que tem (seja tudo dito) mais do que merecida. E fá-lo com umas palavras e não com outras.

Ora observemos a sua tomada de posição. "Lusistas platónicos" são, segundo Vilhar Trilho, Camilo Nogueira, María Xosé Queizán e o mesmíssimo Rouco Varela. Até a norma da AGAL, que nem se digna em nombrar, poderia entrar no saco, por não ser português padrão. De facto, ele faz a diferença (que eu julgava morta), entre "lusistas" e "reintegracionistas". Dissimula-o muito bem, mas fá-lo.

É um ponto importante, este, pelo que diz respeito à coerência. Suponhamos que reintegracionismo e lusismo são coisas diferentes. Suponhamos que o lusismo é a prática corrente e real da reintegração, e o reintegracionismo um simples achegamento. Demos agora uma olhadela ao panorama social galego e perguntemos: qual dos dois é que está a ser aceite? Tudo parece indicar que seria o reintegracionismo, não é? Quantas vezes se empregou a palavra "adopção" e quantas "achegamento" nesses discursos a que Vilhar Trilho faz referência? Não fica claro? Não estaria Vilhar Trilho, então, a apropriar-se ele do discurso do "reintegracionismo"? Ora, ora... Primeiro marca os termos e depois joga a confundir. Mal, muito mal...

Mas voltemos ao conceito. Que é um "lusista platónico"? Parece que é um lusista não praticante, um que muito falar e pouco reintegrar. Tudo, é claro, limitado à ortografia. Aceitemos por um momento o discruso, também. Quantas pessoas, na história da Galiza, poderíamos considerar lusistas? Toda a Geração Nós (que costumamos reivindicar) ficaria de fora. Nem Castelao, nem Vilar Ponte, nem Risco, nem Maria Santíssima. Todos fora, que não os queremos, por incoerentes e platónicos. Digo mais, aplicando a mesma regra, devíamos, suponho, diferenciar, galeguistas de lusistas. O lusismo seria uma nova coisa, muito moderna, nada de histórico, como realemnte é. E até o próprio galeguismo perderia figuras como Murguia, que nunca escreveu em galego. Muito falar e depois, vejam lá! Que incoerência!

Entende-se o que quero dizer? Pergunto aos que lêem o meu blog: percebeu-se? Resumo, por se acaso. O lusismo é reintegracionismo. O luso-reintegracionismo é um galeguismo. Estamos encravados e somos filhos de uma história. As leituras que façamos dela não são inocentes, e condicionam-nos ao agir e comunicar-nos. A ideias contam, ainda que não vão acompanhadas da prática, como nos demonstra a nossa história. Reconhecer os nossos parceiros dentro do luso-reintegracionismo e do galeguismo é essencial. Atacá-los é idiota.

E conste que o ataque, neste caso, é elegante e muito inteligente. Mas não nos enganemos: é ataque desde que tudo se defina por oposição ao "lusismo" e se negue, então, as outras realidades. E é que se há lusistas platónicos, não é menos certo que há lusistas freelance, que vão por livre e que ignoram, voluntariamente, os seus aliados naturais. Será que vamos ter que escolher entre uns e outros? Porque eu, por minha parte, tenho mais claro cada dia a minha escolha....

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