A poesia
é ridícula: escreve-a,
orgulha-te,
ufana-te ao espelho
e acredita que sabes.


Ikkyu Sojun

às vezes penso isto

    • Decir ‘amor’ es fácil, pero expresarlo… (19-05-2012)
    • É difícil seguir a natureza, mas continuá-la é inevitável. (10-05-2012)
    • A verdadeira compreensão é uma expressão (11-04-2012)
    • Esta euforia não me pertence (18-03-2012)
    • nem o amor nem deus nem a beleza: nada que eu crie é maior que eu próprio (11-03-2012)
    • Apartar a vista da verdade nunca é bonito (09-03-2012)
    • either the good and the bad thing about the body is it has so little memory (27-04-2011)
    • si la corteza no nos deja ver el árbol y el árbol no nos deja ver el bosque, ¿que es lo que el... (20-02-2011)
    • deus pai deve de ser, por toda lógica, etéreo-sexual (13-02-2011)
    • Um beijo é tanto mais intenso quanto mais se achegue a uma ameaça de mordida que nunca chega. (28-01-2011)
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O problema do Comunismo

O problema do comunismo – segredou-me recentemente o Subcomediante E-1 em reunião ultra-secreta – é que Marx era péssimo contando anedotas, Lenine não sabia dançar a lambada e o Ché Guevara nunca viu os desenhos animados de Son Goku. Vinha a conto da conversa que estávamos a ter, há um par de fins-de-semana, quando eu voltei das Jornadas de Formação que o PSAN teve em L’Espluga del Francolí (Tarragona) e às que assisti com o Eduardo em regime de convidados simpatizantes.

Continua:

Foram muito interessantes, se mais não, para constatar mais uma vez que o comunismo está no jurásico dos movimentos sociais. É história, assim de simples. Interessantíssima história de que sentir-se muito orgulhosos como continuadores de uma tradição igualitarista, mas história. A não ser, é claro, que se decida de uma vez a refundar-se, deixar de esticar a realidade para que caiba nos seus pressupostos teóricos, e começar a fazer o caminho cotrário. Nesse caso, até eu próprio poderia aderir de forma entusiasta, em certas circunstâncias.

Estava lá Josep Guia, o grande líder do partido, muito simpático e acessível, por certo. Na sua intervenção, sobre “Conceitos teóricos de organização do partido”, disse que para ser comunista era muito fácil (!), só era preciso acreditar que a sociedade está dividida em classes e que a luta de classes é o motor da história. É difícil negar esta afirmação, claro, até porque são duas premissas sumamente imprecisas, mas acho necessárias tantas pontualizações para que se ajuste à verdade que não saberia se aderir. Mais de 20 anos depois da primeira publicação d’O Capitalismo Histórico de Wallerstein, esta afirmação pode ser tremendamente precisa para alguém que tenha lido o livro, mas dar lugar a toda uma série de equívocos para alguém que não conheça estas teorias. Depois de tudo, as ideias de Wallerstein não são assim tão conhecidas, e antes dele havia toda uma série de equívocos que mal nos permitiriam entender a sociedade actual.

Por outro lado, a afirmação de a sociedade achar-se dividida em classes também é sumamente discutível. Para já, falta uma definição de classe para a sociedade ocidental moderna. As definidas por Marx e Lenine mal existem nos nosso dias e outras, como a de Althusser, são muito imprecisas. Aliás, se mudar a definição de classe e passarmos, por exemplo, a considerar proletário qualquer assalariado, será evidente que a percepção que a classe tem de si própria é radicalmente diferente à que definiam Lenine ou Marx, não será possível entender a classe de forma monolítica e deveremos considerar as diferenças internas da própria classe trabalhadora. E se muda a classe, resulta que também mudam os seus interesses. Para muitos será necessário conservar as conquistas históricas, o que muda radicalmente a sua motivação perante a luta de classes que deve levar avante, e isto criará inevitavelmente no outro sector da classe (aquela que não beneficia dessas conquistas) um receio que também enfraquecerá a sua motivação.

O mau é que, no melhor dos casos, o comunismo tem redefinido este conceitos teóricos, mas isso quase nunca tem repercussão na prática política. Continua a pensar-se, e assim o constatei no encontro, que o apoio ao movimento deve vir dos conflitos de classe. Quer dizer, que o comunista deve estar lá para organizar (mão em mão com o afectado) a luta concreta quando surgir um conflito de classe, e que essa vai ser a canteira para o apoio ao partido. O problema é que uma vez que a classe tem interesses criados (como dissemos) no statu quo, o proletariado vai estar nessa lutas, não para conseguir coisas, mas para defender as que tem, quer dizer, que estará à defensiva, e portanto não estará aberto como antigamente a ser adoutrinado. A estratégia, portanto, não vai funcionar.

E como resolver este problema, então? Aí entra o Subcomediante e a sua afirmação. O comunismo tem de aprender marketing. Deixar de exigir e começar a oferecer. O comunismo tem de saber divertir e divertir-se. Num contexto de defesa dos interesses do povo trabalhador, deve saber descontrair para chegar melhor. E, sobretudo, o comunismo deve aprender alguma coisa mais sobre o funcionamento do universo simbólico das pessoas a que se dirige. Saber da dominação simbólica, além da económica, e arranjar umas teoria e praxe destinadas a superá-la. Outros movimentos, como o anti-globalização, já o fizeram, mas já não são comunismo strictu sensu.

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