A poesia
é ridícula: escreve-a,
orgulha-te,
ufana-te ao espelho
e acredita que sabes.


Ikkyu Sojun

às vezes penso isto

    • Decir ‘amor’ es fácil, pero expresarlo… (19-05-2012)
    • É difícil seguir a natureza, mas continuá-la é inevitável. (10-05-2012)
    • A verdadeira compreensão é uma expressão (11-04-2012)
    • Esta euforia não me pertence (18-03-2012)
    • nem o amor nem deus nem a beleza: nada que eu crie é maior que eu próprio (11-03-2012)
    • Apartar a vista da verdade nunca é bonito (09-03-2012)
    • either the good and the bad thing about the body is it has so little memory (27-04-2011)
    • si la corteza no nos deja ver el árbol y el árbol no nos deja ver el bosque, ¿que es lo que el... (20-02-2011)
    • deus pai deve de ser, por toda lógica, etéreo-sexual (13-02-2011)
    • Um beijo é tanto mais intenso quanto mais se achegue a uma ameaça de mordida que nunca chega. (28-01-2011)
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Patika Samuppada

no princípio é a ignorância um vácuo a fome de ser
depois a separação do tudo a consolidar a existência dalguma coisa a buscar outra
a seguir é o corpo-mente já separado da existência num espaço-tempo
a que logo nascem olhos ouvidos nariz língua pele e consciência
onde chega o contacto com o ser que ficou de fora e se reflecte na mente
que as classifica segundo goste ou não goste ou simplesmente ignore
e em consequência deseja interagir com elas
apega-se ou rejeita criando a mentira da duração no tempo
de um fragmento do tudo que foi trazido a ser sentido e portanto à impermanência
e o desejo frustrado dá lugar ao sofrimento que ofusca a consciência
e cria a ignorância um vácuo a fome de ser e portanto
a separação do ser em relação ao tudo que quer ser uno e busca
ser buscador aqui e agora criado pela própria busca
e tem consciência de si próprio porque tem sentidos e sabe
que os sentidos lhe dão notícia daquilo que busca
e às vezes gosta ou não gosta daquilo que lhe dizem
e quer ficar com isso ou fugir-lhe a pensar mesmo
que poderão manter-se porque quer que se mantenham
mas as coisas não respondem ao que quer e por isso
nasce a dor que lhe apaga a vista e volta de novo a não saber
que foi separado por uma existência não completa
que se buscava a si própria e nessa busca condicionou o ser-se
que originou a consciência sobre o próprio corpo aqui e agora
e aguça os sentidos ao ganhar a consciência dos sentidos
que claramente trazem uma impressão do mundo
e vê as sensações que se colam à impressão e apesar delas
mantém-se neutro sem lhe fugir nem agarrá-las
deixando apenas que durem a duração no tempo
sentindo a dor sabendo a dor e quem padece renascerá de novo
na própria existência iluminada do tempo unificado

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