Levo uns quantos dias alucinando. Ainda não consigo acreditar. Remeto apenas ao magnífico texto de Lupe Cês no foro de Vieiros. Concordo em tudo. Tudo. Passam-me tantas ideias pela cabeça, tantas coisas que quero dizer, entre a minha estima pessoal para com o autores do atentado e a minha absoluta repulsa à acção, por violenta e irracional. Entre a minha preocupação pelo que lhes possa acontecer e a minha carragem pessoal por como tudo isto nos pode condicionar a todos. Entre reconhecer-lhes o espírito de entrega e denunciar que joguem com um projecto de país que é de todos, e que nos condicionem a todos, como se tivêssemos pouco já contra o que lutar. Entre o absurdo e o absurdo, como abrir uma conta de solidariedade com os represaliados na mesma entidade bancária contra a que atentaram. Como que alguém mais conhecido que a Coca-Cola se ponha uma peruca para passar despercebido. Como começar uma guerra aberta pensando só no ataque, e nunca na defesa. Como provocar uma repressão imparável contra eles próprios, e quem sabe contra quem mais. Como passar a vida a justificar uns actos pela sua legitimidade (falsa), e não pela sua necessidade estratégica. A luta armada é legítima? A quem lhe importa! Seja como for é totalmente inconveniente. Quando militava no independentismo passei a vida a ouvir discussões sobre a puta legitimidade da puta luta armada. Pelos vistos, todos pensavam que era conveniente, porque sempre deixámos essa questão a um lado, porque sempre passamos a vida a contradizer o discurso moral da ideologia dominante, sem reparar noutras coisas. Tudo com um absurdo discurso sobre a honra do país que votou sempre maioritariamente num ex-ministro franquista. Tudo com um discurso moral que partia da pátria para chegar ao resto. Absurdo, absurdo, absurdo.