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Poesia de casa de banho

Já participei em recitais. Já quis pôr a poesia na rua. Já fiz parte de algum espectáculo poético interdisciplinar. Mas a única maneira que eu tive de senti-la foi na solidão e no silêncio do meu quarto. Por isso, e ainda que talvez essa vivência contravenha as próprias origens da poesia, para mim o poema (que continua a ser a unidade básica) pertence aos âmbitos em que o indivíduo se enfrenta só ao universo, sem músicas que façam de banda sonora nem outras pessoas a compartilhar a experiência. Talvez no passado a poesia fosse "um dizer", mas para mim, hoje e aqui, continua a ser "um ler" ou "um escrever". E não é um facto social, ou só é no sentido em que se pode ser sociedade quando se está só. Por isso na vida que fui escolhendo a poesia é cada vez mais um fenómeno de casa de banho. E se algum dia quisesse mostrar os meus poemas fora destas páginas, esse seria, sem dúvida, o meu âmbito de preferência.

26-05-2008, anotações mentais

4 comentários

Comentário de: igor [Visitante]  
igor

Para mim, por contra, ao revés.
De ser umha experiência pessoal, intima, silenciosa, mesmo tímida, passou a ser, de vagar, umha experiência colectiva, plural, sonora, mesmo extrovertida.
Mas umha cousa nom é incompatível com a outra. Tudo o contrário: som complementares.

28-05-2008 @ 08:38
Comentário de: eugeniote [Membro]  

Para dizer verdade, caro, sempre senti um pouco de invejá (sã) pelas pessoas que, como tu, conseguem fazer da poesia um fenómeno plural. Por isso tentei sempre participar dessas iniciativas, e -diga-se de passagem- as tuas sempre achei magníficas.

28-05-2008 @ 14:35
Comentário de: Oscar [Visitante]  
Oscar

Caríssimo Eugénio, “o primeiro lampejo” da poesia é o dizer, não é? O que vem depois é elaboração poética, trabalho de pedreiro sobre aquela luz (as vezes intolerável)oferecida pela inspiração.

Não é minha esta reflexão,é de João Cabral de Mello Neto, o meu poeta favorito. Mas também me encontro naquilo que dizes - ou melhor dizendo não sei ainda onde é o meu lugar, ou o lugar onde ponho o meu poema.

Com um abraço daqui, desta Lisboa Revisitada.

02-06-2008 @ 01:46
Comentário de: Tomze adito [Visitante]  
Tomze adito

o wc é o melhor sítio para a poesia. De facto é onde tiramos o melhor que levamos dentro. E por certo, quando menos é poesia sincera, monocorde, monocor, beleza pura. Outros fazem poesia na Galiza e acham que os seus som lugares mais elevados. Merda e concentraçom! respondo.

17-06-2008 @ 13:34