
A mao, esta mao que te procura
instala-se no ponto certo das cousas
cara ao jogo do riso na Galiza libertada
pola cidade sem ramplas nos passeios. Imos
Abraço a desorde das ideias
Foi preciso para isto nascer e regressar?
Um espasmo de luz incéndia o bosque
No reverso do mar nom há raizes
Confeso que estou tola: Eu vivo no telhado
eu elegim lugar e arquitectura
levantade umha torre
Nos pés das estátuas os cans mejam
Tenho alucinaçons multicores
O caminho é o mesmo
página em branco para punçar de novo
ainda que nom haja oxigénio nem mar
e a torre nom se revele como o caminho do inferno
Mas no meio e meio do trajecto
que parece um compéndio do universo
todo, excepto a beleza, se contagia
Umha cidade ergueita sobre as águas dum rio
Nom há como voltar a umha cidade amada
que se asemelhe ao ruido compartilhado
no cal vivo da água
Sei perfeitamente que todo está aquí
a cabana imortal dumha memória
Do lugar exacto
quero aprender a sair
precisamente para nom sair
e asumir também essa traiçom
ou abandono este verso no meio da rua
um nome recurtado sem sentido
destas ruas que sobem e baixam
A minha língua saberia voltar
e nom saberia dizer onde perdeu as chaves
Sair polo outro lado
mas é que além disso
renace da escuma das águas albinas
que compunham o quadro da cidade
polos bulevares da vissom. Sigue-me
como som as cousas que nos ham acompanhar já sempre
E ficou a televisom prendida
para a minha contemplaçom
quando nada se verque sem mim
Que o alcatram penetre
as frias baldosas do nosso amor
Continua:
Escrito em Março deste ano 2008, para ser incluido num livro com motivo do 800 aniversário da cidade da Corunha, coordenado pola AELG. O poema é meu, o título é um verso de Luisa Villalta, e os versos som de Luisa Villalta, Xela Árias, Pilar Pallarés, Marica Campo, Marta Dacosta, Maria do Cebreiro, Yolanda Castaño, Emma Couceiro, Estíbaliz Espinosa, María Lado e Ana Romaní.