Conseguim graças a ti, obrigado

07-05-2014

O agradecimento costuma ser a palavra (ou expressom) mais emblemática de cada língua

CONSULTA:

Considerando que no galego-português medieval se regista o uso da interjeiçom (muitas) graças, e nom de (muito) obrigado/a, como fórmula de agradecimento, e que hoje aquela está plenamente vigente na Galiza, há necessidade de incorporarmos agora ao galego (muito) obrigado/a?

Jorge Luazes

RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

A Comissom Lingüística da AGAL é firme partidária de padronizar no galego-português da Galiza a fórmula interjetiva (muito) obrigado/a como expressom de agradecimento. Em favor de tal opçom, pode aduzir-se:

1.- Nom é verdade, como afirma o amável consulente, que hoje em dia esteja plenamente vigente em galego a fórmula interjetiva de agradecimento do galego-português medieval graças, mas si a atual fórmula castelhana gracias. Polo contrário, umha fórmula interjetiva de agradecimento autóctone que si ocorre no galego espontáneo contemporáneo é beiçom, mas esta apresenta caráter marcadamente dialetal, puramente residual.

2.- À vista das anteriores circunstáncias, nom vale a pena investirmos esforços na expurgaçom de um castelhanismo (gracias) só para obtermos soluçons (graças ou beiçom) que, ainda que historicamente genuínas, hoje nos isolam em relaçom às variedades socialmente estabilizadas do galego-português, nas quais se utiliza unanimemente a fórmula interjetiva obrigado/a. Esta, relacionada com a seqüência ficar obrigado/a, no decurso de umha evoluçom lingüística autónoma de que o galego foi privado, véu substituir a fórmula interjetiva graças, relegando-a à condiçom de arcaísmo.

3.- Além disso, tenha-se em conta que, dentro do léxico de umha língua, é muito conveniente que se registe homogeneidade nas fórmulas de agradecimento, as quais, como acontece com as fórmulas de saudaçom, representam elementos vocabulares fundamentais, pola sua alta freqüência e polo seu papel chave nas trocas comunicativas e no relacionamento social.

Por todo o dito, e em conclusom, somos firmes partidários da socializaçom na Galiza, em galego, da fórmula (muito) obrigado/a como interjeiçom denotadora de agradecimento, de harmonia com o uso hoje socialmente consagrado nas restantes variedades do galego-português. (Isto, naturalmente, nada obsta à autoctonia e correçom em galego-português de locuçons nom interjetivas que incorporam a palavra graças, como graças a ou dar graças a [um ente superior]).

Categoria(s): Léxico
Chuza!
Dá-me o corpo que esta expressom é popular, mas correta

08-04-2014

CONSULTA:

Boa tarde,

gostaria de consultar a expressom «dar o corpo» ou «dar no corpo» como sinónimo de «intuir». Qual das duas é a expressom correta? Ou som as duas? Que origem tem?

Parabéns polo vosso labor.

Obrigado

Óscar

RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

Como refere o amável consulente, a expressom popular dar [a alguém] o corpo utiliza-se com o sentido de 'pressentir qualquer cousa', como em «Dava-me o corpo que, desta vez, ia superar a prova». No mesmo sentido, também se pode recorrer às expressons ter um palpite ou ter um pressentimento.

Categoria(s): Fonética, Léxico
Chuza!
Empada e empadinha

14-02-2014

Diferentes formas da empada no mundo lusófono: ao fundo, a mais comum no Brasil e em Portugal, parecida com a empadinha da Galiza; à frente, a conhecida empada galega

CONSULTA:

No dicionário aparece a distinçom entre empada e empanada; porém, na oralidade nunca ouvim.

No Brasil a nossa empada é o empadão. E empada a empanadilla. Como devemos denominar na Galiza as empanadas? E as empanadillas?

Obrigado!

Diego

RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

Embora os dicionários luso-brasileiros registem as formas empanada e empanadilha para designar duas especialidades culinárias bem populares na Galiza, em galego nom podemos aceitar tais denominaçons, por serem claramente castelhanas, e nom galego-portuguesas (repare-se nos castelhanos n intervocálico e sufixo -ilha dessas formas). Por conseguinte, para designarmos em bom galego-português da Galiza as especialidades culinárias galegas cujos nomes castelhanos som empanada e empanadilla, recorreremos, respetivamente, às formas genuínas galego-portuguesas empada e empadinha

Categoria(s): Léxico
Chuza!
Pegar e apanhar

11-02-2014

O famoso hit brasileiro nom tem, logicamente, conotaçom violenta, mas erótica: pegar (mais comum no Brasil) significa apanhar ou agarrar (mais comuns na Galiza e Portugal)

CONSULTA:

Há alguma equivalência de pegar no sentido de apanhar uma pessoa? Pilhar é próprio de registos coloquiais? Doutro lado, que palavra recomendam para pegar no sentido castelhano (agredir) que não seja esta, talvez demasiado culta? Obrigado.


RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

Em bom galego, e de harmonia com o luso-brasileiro, deve priorizar-se o uso do verbo pegar com o sentido de 'prender, agarrar' (ex.: «pegou o lápis» ou «pegou no lápis», «pegou o ladrom polo pé»), e deve utilizar-se, com o sentido de 'aderir', o verbo colar (ex.: «colar cartazes na parede»). O verbo colher deve reservar-se, maiormente, para traduzir o sentido de 'extrair, tirar, (re)coletar, colheitar' (ex.: «colher flores e frutos»), enquanto que apanhar tem o sentido geral de 'tomar, capturar, recolher do chao, segurar, surpreender alguém a fazer umha cousa', em usos como «apanhar água de um poço», «apanhar lenha», «apanhar o lápis do chao», «apanhar um táxi», «apanhou-nos a roubar», «a noite apanhou-me ainda a caminho», etc. Por outro lado, pilhar é voz relacionada com pilhagem («os soldados pilhárom e incendiárom o povoado»), e, como equivalente do cast. pegar 'agredir', em galego utilizamos bater ou espancar (ex.: «bater o tapete para lhe tirar o pó», «bateu-lhe com o cinto», «bateu no filho com sanha»,«professor foi espancado por dous alunos»).

Categoria(s): Fonética
Chuza!
«Cambio» ou «troca»? «Em troca» ou «no entanto»?

02-02-2014

Na ilustraçom de cima, umha troca de prendas; na de baixo, cámbio de diferentes moedas

CONSULTA:

É correto o uso de «en cámbio"? Exemplo: «Sempre transijo; em cámbio, ti tés que sair sempre com a tua.»

Joám

RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

Nom, nesse caso nom é correto o uso de cámbio. O uso da palavra cámbio, em galego-português, deve restringir-se àqueles enunciados relacionados com as divisas («cámbio dólar-euro», p. ex.). Por outro lado, quando a voz castelhana cambio tem o valor de permuta (p. ex., na locuçom a cambio de), em galego equivale a troca, e quando tem o valor de transformaçom, equivale em galego a mudança, (ou alteraçom). No entanto, na locuçom castelhana en cambio, cambio tem valor de contraste ou de oposiçom, de modo que aí equivale a umha conjuçom ou locuçom galega adversativa ou contrastiva, como no entanto, porém, enquanto (que), polo contrário... Por conseguinte, o exemplo proposto formula-se assim em bom galego: «Eu sempre transijo; polo contrário, tu tens sempre de levar a melhor!» ou «Eu sempre transijo; no entanto, tu tens sempre de levar a melhor!».

Categoria(s): Léxico
Chuza!

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