Carvalhim (o)

28-10-2014

Tanto na placa da foto como na própria legenda de foto deveria aparecer só Carvalhim, que se usa com o no galego-português comum e com el no galego local

CONSULTA:

Boa noite,

Como é que devem escrever-se em galego reintegrado topónimos que têm o artigo El no galego local? Por exemplo El Carvalhim em Negueira... Como é que se fai a contraçom? Vou a El Carvalhim ou vou al Carvalhim?

Obrigado

Rudesindo Bombarral

RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

Muitos topónimos galegos levam artigo, mas nengum tem. Isto quer dizer que o nome da localidade sobre a qual somos consultados é Carvalhim e nom O Carvalhim ou El Carvalhim, ainda que num contexto frásico esse topónimo, como muitos outros do ámbito galego-português, leve artigo:

A Corunha é longe.
Vivo no Porto.

Da mesma maneira que os anteriores, há muitos outros topónimos que levam artigo: quase todos os países e regions do mundo (p. ex. Alemanha, Brasil, Andaluzia) e muitas localidades galego-portuguesas (p. ex. Figueira da Foz, Barqueiro) e lusófonas em geral (p. ex. Rio de Janeiro). Porém, sempre que estas localidades aparecem numha placa indicadora da estrada ou num mapa, nom vam acompanhadas de artigo, porque, como qualquer outra palavra, necessitam de contexto frásico para o levar.

Assim, à seguinte lista de topónimos, que poderiam aparecer em qualquer mapa ou placa indicadora da estrada, correspondem os seguintes exemplos em que esses mesmos topónimos aparecem em contextos frásicos:

Brasil: Quem dixo que o Brasil fosse pequeno?
Alemanha: Tu pensas que na Alemanha admitem isso?
Andaluzia, Estremadura: O território da Andaluzia é maior que o da Estremadura.
Carvalhinho: Concelho do Carvalhinho.
Carvalhim (Fonsagrada): O lugar do Carvalhim fica na comarca da Fonsagrada.

Ora bem, pode acontecer que umha pessoa deseje repeitar a morfossintaxe local e escreva “El lugar del Carvalhim fica na comarca da Fonsagrada”, ou seja, respeitando a forma do masculino singular do artigo tam característica das comarcas mais norte-orientais galegas. Nesse caso, o artigo el nom deveria apenas preceder o topónimo, mas qualquer outro substantivo que o exigir. A nossa Comissom nada tem contra isso, obviamente, embora se deva admitir que a forma padrom do artigo masculino é o.

Tenha-se em conta, no entanto, que os topónimos de origem castelhana que tenhem artigo (agora sim, tenhem) devem ser respeitados tanto num contexto frásico como fora dele (ex.: «vivo em Las Palmas», «La Paz [Bolívia]»).

Categoria(s): Fonética
Chuza!
Conseguim graças a ti, obrigado

07-05-2014

O agradecimento costuma ser a palavra (ou expressom) mais emblemática de cada língua

CONSULTA:

Considerando que no galego-português medieval se regista o uso da interjeiçom (muitas) graças, e nom de (muito) obrigado/a, como fórmula de agradecimento, e que hoje aquela está plenamente vigente na Galiza, há necessidade de incorporarmos agora ao galego (muito) obrigado/a?

Jorge Luazes

RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

A Comissom Lingüística da AGAL é firme partidária de padronizar no galego-português da Galiza a fórmula interjetiva (muito) obrigado/a como expressom de agradecimento. Em favor de tal opçom, pode aduzir-se:

1.- Nom é verdade, como afirma o amável consulente, que hoje em dia esteja plenamente vigente em galego a fórmula interjetiva de agradecimento do galego-português medieval graças, mas si a atual fórmula castelhana gracias. Polo contrário, umha fórmula interjetiva de agradecimento autóctone que si ocorre no galego espontáneo contemporáneo é beiçom, mas esta apresenta caráter marcadamente dialetal, puramente residual.

2.- À vista das anteriores circunstáncias, nom vale a pena investirmos esforços na expurgaçom de um castelhanismo (gracias) só para obtermos soluçons (graças ou beiçom) que, ainda que historicamente genuínas, hoje nos isolam em relaçom às variedades socialmente estabilizadas do galego-português, nas quais se utiliza unanimemente a fórmula interjetiva obrigado/a. Esta, relacionada com a seqüência ficar obrigado/a, no decurso de umha evoluçom lingüística autónoma de que o galego foi privado, véu substituir a fórmula interjetiva graças, relegando-a à condiçom de arcaísmo.

3.- Além disso, tenha-se em conta que, dentro do léxico de umha língua, é muito conveniente que se registe homogeneidade nas fórmulas de agradecimento, as quais, como acontece com as fórmulas de saudaçom, representam elementos vocabulares fundamentais, pola sua alta freqüência e polo seu papel chave nas trocas comunicativas e no relacionamento social.

Por todo o dito, e em conclusom, somos firmes partidários da socializaçom na Galiza, em galego, da fórmula (muito) obrigado/a como interjeiçom denotadora de agradecimento, de harmonia com o uso hoje socialmente consagrado nas restantes variedades do galego-português. (Isto, naturalmente, nada obsta à autoctonia e correçom em galego-português de locuçons nom interjetivas que incorporam a palavra graças, como graças a ou dar graças a [um ente superior]).

Categoria(s): Léxico
Chuza!
Dá-me o corpo que esta expressom é popular, mas correta

08-04-2014

CONSULTA:

Boa tarde,

gostaria de consultar a expressom «dar o corpo» ou «dar no corpo» como sinónimo de «intuir». Qual das duas é a expressom correta? Ou som as duas? Que origem tem?

Parabéns polo vosso labor.

Obrigado

Óscar

RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

Como refere o amável consulente, a expressom popular dar [a alguém] o corpo utiliza-se com o sentido de 'pressentir qualquer cousa', como em «Dava-me o corpo que, desta vez, ia superar a prova». No mesmo sentido, também se pode recorrer às expressons ter um palpite ou ter um pressentimento.

Categoria(s): Fonética, Léxico
Chuza!
Empada e empadinha

14-02-2014

Diferentes formas da empada no mundo lusófono: ao fundo, a mais comum no Brasil e em Portugal, parecida com a empadinha da Galiza; à frente, a conhecida empada galega

CONSULTA:

No dicionário aparece a distinçom entre empada e empanada; porém, na oralidade nunca ouvim.

No Brasil a nossa empada é o empadão. E empada a empanadilla. Como devemos denominar na Galiza as empanadas? E as empanadillas?

Obrigado!

Diego

RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

Embora os dicionários luso-brasileiros registem as formas empanada e empanadilha para designar duas especialidades culinárias bem populares na Galiza, em galego nom podemos aceitar tais denominaçons, por serem claramente castelhanas, e nom galego-portuguesas (repare-se nos castelhanos n intervocálico e sufixo -ilha dessas formas). Por conseguinte, para designarmos em bom galego-português da Galiza as especialidades culinárias galegas cujos nomes castelhanos som empanada e empanadilla, recorreremos, respetivamente, às formas genuínas galego-portuguesas empada e empadinha

Categoria(s): Léxico
Chuza!
Pegar e apanhar

11-02-2014

O famoso hit brasileiro nom tem, logicamente, conotaçom violenta, mas erótica: pegar (mais comum no Brasil) significa apanhar ou agarrar (mais comuns na Galiza e Portugal)

CONSULTA:

Há alguma equivalência de pegar no sentido de apanhar uma pessoa? Pilhar é próprio de registos coloquiais? Doutro lado, que palavra recomendam para pegar no sentido castelhano (agredir) que não seja esta, talvez demasiado culta? Obrigado.


RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

Em bom galego, e de harmonia com o luso-brasileiro, deve priorizar-se o uso do verbo pegar com o sentido de 'prender, agarrar' (ex.: «pegou o lápis» ou «pegou no lápis», «pegou o ladrom polo pé»), e deve utilizar-se, com o sentido de 'aderir', o verbo colar (ex.: «colar cartazes na parede»). O verbo colher deve reservar-se, maiormente, para traduzir o sentido de 'extrair, tirar, (re)coletar, colheitar' (ex.: «colher flores e frutos»), enquanto que apanhar tem o sentido geral de 'tomar, capturar, recolher do chao, segurar, surpreender alguém a fazer umha cousa', em usos como «apanhar água de um poço», «apanhar lenha», «apanhar o lápis do chao», «apanhar um táxi», «apanhou-nos a roubar», «a noite apanhou-me ainda a caminho», etc. Por outro lado, pilhar é voz relacionada com pilhagem («os soldados pilhárom e incendiárom o povoado»), e, como equivalente do cast. pegar 'agredir', em galego utilizamos bater ou espancar (ex.: «bater o tapete para lhe tirar o pó», «bateu-lhe com o cinto», «bateu no filho com sanha»,«professor foi espancado por dous alunos»).

Categoria(s): Fonética
Chuza!

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