Os preços, com vírgula

05-11-2014

CONSULTA:

Boa noite,

Como se dizem corretamente os preços em galego? Por exemplo, «17,50 €» é «dezassete vírgula cinqüenta euros», «dezassete com cinqüenta euros», «dezassete cinqüenta»? Obrigada!?

RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

Em galego-português, o início das casas dos decimais marca-se com a palavra vírgula, de modo que é possível, com efeito, ler a expressom «17,50 €» como «dezassete vírgula cinqüenta euros» (mas nom mediante a fórmula castelhana *«com cinqüenta»); além disso, também é válida a leitura «dezassete euros e cinqüenta cêntimos».

tags: vírgula
Categoria(s): Fonética
Chuza!
Carvalhim (o)

28-10-2014

Tanto na placa da estrada como na própria legenda de foto deveria aparecer só Carvalhim, que se usa com o no galego-português comum e com el no galego local

CONSULTA:

Boa noite,

Como é que devem escrever-se em galego reintegrado topónimos que têm o artigo El no galego local? Por exemplo El Carvalhim em Negueira... Como é que se fai a contraçom? Vou a El Carvalhim ou vou al Carvalhim?

Obrigado

Rudesindo Bombarral

RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

Muitos topónimos galegos levam artigo, mas nengum tem. Isto quer dizer que o nome da localidade sobre a qual somos consultados é Carvalhim e nom O Carvalhim ou El Carvalhim, ainda que num contexto frásico esse topónimo, como muitos outros do ámbito galego-português, leve artigo:

A Corunha é longe.
Vivo no Porto.

Da mesma maneira que os anteriores, há muitos outros topónimos que levam artigo: quase todos os países e regions do mundo (p. ex. Alemanha, Brasil, Andaluzia) e muitas localidades galego-portuguesas (p. ex. Figueira da Foz, Barqueiro) e lusófonas em geral (p. ex. Rio de Janeiro). Porém, sempre que estas localidades aparecem numha placa indicadora da estrada ou num mapa, nom vam acompanhadas de artigo, porque, como qualquer outra palavra, necessitam de contexto frásico para o levar.

Assim, à seguinte lista de topónimos, que poderiam aparecer em qualquer mapa ou placa indicadora da estrada, correspondem os seguintes exemplos em que esses mesmos topónimos aparecem em contextos frásicos:

Brasil: Quem dixo que o Brasil fosse pequeno?
Alemanha: Tu pensas que na Alemanha admitem isso?
Andaluzia, Estremadura: O território da Andaluzia é maior que o da Estremadura.
Carvalhinho: Concelho do Carvalhinho.
Carvalhim (Fonsagrada): O lugar do Carvalhim fica na comarca da Fonsagrada.

Ora bem, pode acontecer que umha pessoa deseje repeitar a morfossintaxe local e escreva “El lugar del Carvalhim fica na comarca da Fonsagrada”, ou seja, respeitando a forma do masculino singular do artigo tam característica das comarcas mais norte-orientais galegas. Nesse caso, o artigo el nom deveria apenas preceder o topónimo, mas qualquer outro substantivo que o exigir. A nossa Comissom nada tem contra isso, obviamente, embora se deva admitir que a forma padrom do artigo masculino é o.

Tenha-se em conta, no entanto, que os topónimos de origem castelhana que tenhem artigo (agora sim, tenhem) devem ser respeitados tanto num contexto frásico como fora dele (ex.: «vivo em Las Palmas», «La Paz [Bolívia]»).

Categoria(s): Fonética
Chuza!
Conseguim graças a ti, obrigado

07-05-2014

O agradecimento costuma ser a palavra (ou expressom) mais emblemática de cada língua

CONSULTA:

Considerando que no galego-português medieval se regista o uso da interjeiçom (muitas) graças, e nom de (muito) obrigado/a, como fórmula de agradecimento, e que hoje aquela está plenamente vigente na Galiza, há necessidade de incorporarmos agora ao galego (muito) obrigado/a?

Jorge Luazes

RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

A Comissom Lingüística da AGAL é firme partidária de padronizar no galego-português da Galiza a fórmula interjetiva (muito) obrigado/a como expressom de agradecimento. Em favor de tal opçom, pode aduzir-se:

1.- Nom é verdade, como afirma o amável consulente, que hoje em dia esteja plenamente vigente em galego a fórmula interjetiva de agradecimento do galego-português medieval graças, mas si a atual fórmula castelhana gracias. Polo contrário, umha fórmula interjetiva de agradecimento autóctone que si ocorre no galego espontáneo contemporáneo é beiçom, mas esta apresenta caráter marcadamente dialetal, puramente residual.

2.- À vista das anteriores circunstáncias, nom vale a pena investirmos esforços na expurgaçom de um castelhanismo (gracias) só para obtermos soluçons (graças ou beiçom) que, ainda que historicamente genuínas, hoje nos isolam em relaçom às variedades socialmente estabilizadas do galego-português, nas quais se utiliza unanimemente a fórmula interjetiva obrigado/a. Esta, relacionada com a seqüência ficar obrigado/a, no decurso de umha evoluçom lingüística autónoma de que o galego foi privado, véu substituir a fórmula interjetiva graças, relegando-a à condiçom de arcaísmo.

3.- Além disso, tenha-se em conta que, dentro do léxico de umha língua, é muito conveniente que se registe homogeneidade nas fórmulas de agradecimento, as quais, como acontece com as fórmulas de saudaçom, representam elementos vocabulares fundamentais, pola sua alta freqüência e polo seu papel chave nas trocas comunicativas e no relacionamento social.

Por todo o dito, e em conclusom, somos firmes partidários da socializaçom na Galiza, em galego, da fórmula (muito) obrigado/a como interjeiçom denotadora de agradecimento, de harmonia com o uso hoje socialmente consagrado nas restantes variedades do galego-português. (Isto, naturalmente, nada obsta à autoctonia e correçom em galego-português de locuçons nom interjetivas que incorporam a palavra graças, como graças a ou dar graças a [um ente superior]).

Categoria(s): Léxico
Chuza!
Dá-me o corpo que esta expressom é popular, mas correta

08-04-2014

CONSULTA:

Boa tarde,

gostaria de consultar a expressom «dar o corpo» ou «dar no corpo» como sinónimo de «intuir». Qual das duas é a expressom correta? Ou som as duas? Que origem tem?

Parabéns polo vosso labor.

Obrigado

Óscar

RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

Como refere o amável consulente, a expressom popular dar [a alguém] o corpo utiliza-se com o sentido de 'pressentir qualquer cousa', como em «Dava-me o corpo que, desta vez, ia superar a prova». No mesmo sentido, também se pode recorrer às expressons ter um palpite ou ter um pressentimento.

Categoria(s): Fonética, Léxico
Chuza!
Empada e empadinha

14-02-2014

Diferentes formas da empada no mundo lusófono: ao fundo, a mais comum no Brasil e em Portugal, parecida com a empadinha da Galiza; à frente, a conhecida empada galega

CONSULTA:

No dicionário aparece a distinçom entre empada e empanada; porém, na oralidade nunca ouvim.

No Brasil a nossa empada é o empadão. E empada a empanadilla. Como devemos denominar na Galiza as empanadas? E as empanadillas?

Obrigado!

Diego

RESPOSTA DA COMISSOM LINGÜÍSTICA:

Embora os dicionários luso-brasileiros registem as formas empanada e empanadilha para designar duas especialidades culinárias bem populares na Galiza, em galego nom podemos aceitar tais denominaçons, por serem claramente castelhanas, e nom galego-portuguesas (repare-se nos castelhanos n intervocálico e sufixo -ilha dessas formas). Por conseguinte, para designarmos em bom galego-português da Galiza as especialidades culinárias galegas cujos nomes castelhanos som empanada e empanadilla, recorreremos, respetivamente, às formas genuínas galego-portuguesas empada e empadinha

Categoria(s): Léxico
Chuza!

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