[O Sítio de Suso Sanmartin]

      No Caminho Português a Santiago de Compostela existe um lugar chamado Angueira de Suso.

      Segundo o dicionário e-Estraviz da língua galego-portuguesa “angueira” é “o quefazer, cuidados e negócios que cada pessoa tem”. “Angueiras” som “trabalhos, cargas sofrimentos”. Por sua parte “suso”, do latim susu, quer dizer “acima, atrás”.

      Angueira de Suso é o sítio de Suso Sanmartin na rede. Aqui colocará o susodito as suas angueiras presentes, passadas e futuras.

      Obrigado pola visita.

      susosanmartin@gmail.com


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Porquê sou reintegrata?

Porquê sou reintegrata?

Capas do "Constantinopla" Nº 19 e mais do "Diccionario Xerais da Lingua".

Publicamos hoje em Angueira de Suso a primeira versom do texto que, por encomenda dos camaradas do grupo local compostelano da AGAL, escrevemos para o primeiro número da nova época digital do Constantinopla, histórico boletim da Assembleia Reintegracionista Bonaval reeditado agora como órgao de expressom da AGAL-Compostela.

A versom publicada neste último número do Constantinopla (Constantinopla Nº 19, págs. 1 e 3) é a segunda e definitiva e é umha versom reduzida deste.

Continua:

PORQUÊ SOU REINTEGRATA?

Eu sou reintegrata graças a um dicionário ou, se preferides, pola sua culpa. Mas, ao contrário do que se pudéssedes pensar, nom sou reintegrata pola culpa do Estraviz, nem do Aurélio, nem do Dicionário da Porto Editora, sou reintegrata graças ao Diccionario Xerais da Língua (DXL). Palavra.

“Eu sou ateu graças a Deus”, dizia com fina ironia o cineasta Luís Buñuel. Do mesmo jeito, paradoxal só em aparência, eu sou reintegrata graças ao DXL, livro que para algumhas pessoas (como a super-tacanhona do Cifras e Letras) é pouco menos que palavra de Deus revelada. O que o DXL diga, vai a missa.

O DXL entrou na casa dos meus pais da mao dumha vendedora do Círculo de Lectores. Deve haver vinte anos disso porque o exemplar que temos na casa familiar pertence à primeira re-impressom, de Fevereiro de 1987, da sua primeira ediçom, de Dezembro de 1986.

Era um livro ao que num princípio tinha bastante apreço. Gostava da clareza da sua maqueta, das primorosas ilustrações do Xoan Carlos López Domínguez e de que todas as palavras vinhessem com a sua correspondente etimologia.

No caso dalguns vocábulos, ao final do verbete, o DXL trazia as variantes dialectais diferentes à variante preferida pola norma. Mas nom todas. Suspeitosamente o DXL nom incluia variantes cuja exitência no território da Comunidade Autónoma de Galicia (CAG) estava documentada, pois eram empregues na minha casa na hora do almoço, mas que coincidiam, vaia por Deus, com o português padrão.

Assim, por exemplo, se procuramos no DXL a palavra nocelo lemos: “nocelo (de noz). s. m. Avultamento que forman a tibia e o peroné na unión da perna co pé. VAR. Nocello, noelo, nortello.” Tudo muito bem nom fosse porque nom di umha palavra da palavra tornozelo, que é como toda a vida lhe chamamos aos tornozelos ou artelhos na minha casa.

Um outro exemplo: “ervella (lat. ervilia) s.f. 1. Planta leguminosa con froito comestible que se emprega como condimento. 2. Froito desta planta. 3. Nalgúns lugares de Galicia, faba. VAR. Ervello”. Comeram as ervilhas que a minha mae botava na veiga e ainda bota!

Continuando polo ch de chícharo: “choiva V. chuvia”; “chuvia (lat. Pluvia pluere = chover)" etc, etc, etc. Como quem ouve chover! A chuva*, que é como em Bueu lhe dizemos à chuva, tampouco existe para o DXL!!!

Os principais valedores da norma ILG-RAG nom só nom escolhiam para o galego normativo aquelas variantes coincidentes com o português padrão (cousa que eu, enquanto proto-reintegracionista, veria com bons olhos) senom que sistematicamente ocultavam a sua existência!

Suponho que daquela eu pensava que galego e portugês eram línguas diferentes. Diferentes mas muito parecidas. E nom via que problema havia em tirar vantagem deste assombroso parecido (lembro-me de discutir sobre isto com o Xesús Ferro Ruibal, na altura professor de latim no I.N.B. Salvador Moreno de Marim, onde figem o Bacharelato).

Por isso me enfadei tanto quando descobrim a fraude perpetrada polo DXL. Era claro que se tratava de criar umha Língua Galega afastando-a artificialmente do Português. E eu nom podia concordavar com isso em absoluto!

A pouco a pouco fum passando do filo-reintegracionismo ao reintegracionismo praticante. A minha evoluçom ortográfica (normativo, mínimos, máximos, padrão...) pode ser acompanhada através das charges que, entre 1994 e 2002, publiquei n’A Nossa Terra.

Contudo houvo nessa evoluçom pessoal um ponto de nom retorno. Esse momento produziu-se durante a visita que, no domingo 19 de Agosto de 2001, figem ao minhocário do Assentamento Terra Vista, do MST, na Bahia. Mas essa é umha outra história. Umha história que o meu amigo J.R. Pichel me fijo repetir tantas vezes que quase cheguei a aborrecé-la. É brincadeira, “uma língua que chama minhocas às minhocas não pode ser outra língua!”

Suso Sanmartin

* Para o meu escândalo a palavra chuva era exemplo de lusismo no livro de Língua Galega (Edicións Xerais de Galicia) que eu tinha em 3º de B.U.P. (?). Resulta que na minha casa éramos, sem sabé-lo, umha data de lusistas!

Escrito em 18-04-2007, na categoria: LA QUESTIONE DELLA LINGUA (degli coglioni)

8 comentários

Meu amigo.
Aínda que no estado larvario de filoreintegracionista que escribe ILGuego (non considero que o galego sexa cousa distinta do portugués en máis medida que o catalá diso que chaman valenciano), concordo en todo o que dis contigo.
Aínda hoxe os alumnos sacáronme as cores cando un par deles correxiron o meu querido e patrimonial "mexilón" polo seu (non menos patrimonial, pero para mín estrano) "mexillón". O puto Xerais deixoume en evidencia. De nada valeu para a miña honra que na soidade da sala de profes o prolífico Estravís deitara unha morea de variantes nas que estaba o meu ostracizado mexilón de toda a vida.
Garda ese diccionario de 1987 ben gardado, a pesar dos pesares: Dentro dese inmenso repertorio de definicións literalmente traducidas do diccionario escolar Anaya (en castelán), había pérolas barrocas, como unha preciosísima explicación de "nación", hoxe, tamén, desterrada.
Unha aperta.
18-04-2007 @ 18:44
Comentário de: suso [Membro] Email
Ha, ha, ha! Um abraço, mejillón colorao!!!
18-04-2007 @ 19:08
Comentário de: Uz [Visitante] Email · http://caminhos.gzpt.org
Ainda que me esquecera comentar-cho, o meu processo de 'conversão' veio também por caminhos análogos... o meu 'muito', o meu 'cuidado', o meu 'pior'... Palavras ainda usadas pola minha avó como 'peúgas' (lido 'piúgas')... Enfim, uma soma de cousas que acabou por me fazer cair do lado 'escuro' da Força (para o 25 de Maio a ver se me lembro de escrever um post sobre o reintegracionismo e a fantástica história que sai em Star Wars).
19-04-2007 @ 11:39
Comentário de: suso [Membro] Email
Se tu nom te lembras, lembro-cho eu! Até logo, Lucas Skywalker! X-D
19-04-2007 @ 22:36
"Porquê sou reintegrata?"... li e passou-me um calafrio
na espinha: "Eh, pá! Será que este blog passou a ser duma seita religiosa fundamentalista, porra?!
Mas depois compreendi, ufa!
Boa, boa, Suso, e gostei dessa da chuva e das minhocas.

p.s.: aquela perguntinha anti-spam...não aceita mesmo
perguntas enviesadas.
20-04-2007 @ 18:07
Comentário de: suso [Membro] Email
Muito obrigado, caro Pepe!

Em demasiadas ocasiões os luso-reintegracionistas nos temos comportado como elementos pertencentes a uma seita destrutiva, aliás, autodestrutiva. Tá na hora do ludo-reintegracionismo e da curtição!!! Viva o Orgulho Lusista e Reintegrata!!!

P.S.: Velaí vai uma perguntinha verdadeiramente enviesada: De que cor é a faixa azul da bandeira galega? Eu, sinceramente, desconheço a resposta.
23-04-2007 @ 13:32
Comentário de: Airinhas [Visitante]
Engraçado o das minhocas...mas sinto dizelo, em Cadiz também é empregada a palavra para se referir ao mesmo (influência galego-portuguesa?). Pelo contrario, há lugares da Galiza onde é empregada a variante "mioca".
21-12-2011 @ 21:31
Perdoade que escriba no galego do DXL, é o que me ensinaron. Se ben non me atopo cómoda escribindo doutra forma, e verdadeiramente me custa ler dunha soa pasada os textos reintegracionistas, gustoume este post un montón, porque é certo que na miña casa se dice chuva, ou máis ven chuvia (pero creo que isto xa vai ser un pouco castelanizado), ervilla, e outras palabras que nunca me parara a pensar se estaban ben, mal e por que. Graciñas.
29-12-2011 @ 16:37

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